O outrora vibrante Clube Recreativo e Cultural de Iracemápolis (Creci), que por décadas foi o epicentro da vida social e cultural da cidade, jaz agora em um estado de abandono preocupante. Fechado desde 2019, o espaço coberto por mato alto, com sua piscina repleta de água parada, representa não apenas a degradação de um patrimônio, mas também um risco iminente à saúde pública para os moradores de Iracemápolis, no interior de São Paulo. A situação gera um misto de nostalgia e revolta entre a comunidade, que lamenta a perda de um local tão significativo. Enquanto a prefeitura local afirma que planos de reabertura estão em andamento, a falta de uma previsão concreta e as barreiras burocráticas alimentam a incerteza sobre o futuro deste que já foi um símbolo de lazer e confraternização.
O declínio de um ícone comunitário
Do centro vibrante ao cenário de abandono
O Clube Recreativo e Cultural de Iracemápolis (Creci), construído na década de 1970, era muito mais do que um simples clube: era um ponto de encontro, um palco para manifestações culturais e um vetor de lazer para toda a comunidade de Iracemápolis e região. Testemunhos de moradores resgatam a imagem de um passado glorioso, que contrasta dramaticamente com o cenário atual. Desde seu fechamento em 2019, o Creci tem sido gradualmente engolido pela vegetação, com calçamentos tomados pelo mato e uma piscina que, antes cheia de risadas e mergulhos, agora acumula água parada, transformando-se em um potencial criadouro para mosquitos transmissores de doenças.
Josemaura Rodrigues da Silva, uma atendente local, expressa o carinho e a saudade dos tempos áureos. “Era a melhor época possível, porque ali a gente se divertia, a gente encontrava amigos da região inteira”, recorda. Ela demonstra confiança na capacidade de resgate do espaço, afirmando que a comunidade retornaria se o Creci reabrisse, nem que fosse apenas para reviver memórias e confraternizar. A ausência de manutenção por parte da administração municipal é uma das principais queixas.
O impacto do abandono não se limita à perda de um local de lazer. Artistas e promotores culturais também sentem a falta do Creci. Kleiton Eduardo, músico que se apresentava frequentemente no clube, destaca a relevância do espaço para a efervescência cultural local. “O Creci era um espaço muito importante porque lá tinham muitos eventos, né? Muitos bailes, muitos eventos temáticos e movimentava não só Iracemápolis, como toda uma região. Tinham movimentos culturais, peças de teatro, aulas de zumba, de tudo o que você imaginar”, comenta. A interrupção dessas atividades deixou uma lacuna significativa na oferta cultural da cidade.
Willian da Silva Santos, autônomo e outro morador, compartilha a melancolia ao ver o estado atual do clube. Ele lembra com detalhes dos eventos que animavam o Creci, como jogos de férias e gincanas, e da passagem de “muitos artistas renomados” por seus palcos. “Dá pena, dá pena”, lamenta, reforçando que, desde sua fundação, o Creci era “referência na região”. O fato de ainda haver registros de eventos passados nas paredes do clube, como um eco de sua antiga vitalidade, acentua a sensação de descaso e a perda de uma parte importante da identidade da cidade.
Perspectivas e desafios para a reabertura
A burocracia e o futuro incerto do Creci
A trajetória do Clube Recreativo e Cultural de Iracemápolis passou por um modelo de gestão que se mostrou insustentável. Construído na década de 1970, o Creci foi administrado por uma diretoria sob um sistema de concessão, responsável pela manutenção e pelos custos operacionais. No entanto, a diminuição da adesão de associados ao longo dos anos levou à decisão de devolver o espaço à prefeitura de Iracemápolis. Essa transição, conforme informado, está formalmente programada para o dia 9 de janeiro de 2026, quando o prédio retornará oficialmente à responsabilidade do município.
Apesar da data formal de devolução estar no futuro, a prefeitura de Iracemápolis já se manifestou sobre o destino do clube. O secretário de Administração, Felipe Fraganço, confirmou que há um plano de reabertura em andamento. No entanto, o secretário não estabeleceu um prazo para a conclusão desse processo, citando questões burocráticas como os principais entraves. Entre as exigências, a obtenção do Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros (AVCB) é apontada como um fator crítico para a liberação e segurança do local. “Já vieram arquitetos verem e a gente está correndo das questões burocráticas de AVCB e esse tipo de coisa”, afirmou Fraganço, indicando que a reabertura ocorrerá “o mais rápido possível”, assim que as questões de segurança forem resolvidas.
Contudo, a declaração do secretário sobre a realização de “limpeza essencial, como a retirada do mato”, por parte da gestão municipal, entra em contraste com o cenário observado e as denúncias de moradores, que apontam para um abandono generalizado e a falta de manutenção evidente nas imagens do local. Essa disparidade gera questionamentos sobre a efetividade das ações de zeladoria e a transparência do processo. A comunidade de Iracemápolis, que anseia pela revitalização de seu antigo clube, aguarda com expectativa e alguma apreensão por um plano concreto e um cronograma definido que possa trazer de volta a vida e a alegria ao Creci.
Conclusão
O abandono do Clube Recreativo e Cultural de Iracemápolis (Creci) é um retrato da tensão entre um passado glorioso e um presente de descaso, impactando profundamente a comunidade local. Enquanto moradores rememoram com carinho os dias de festas, eventos culturais e encontros sociais que definiram o clube como um pilar da identidade de Iracemápolis, a degradação atual do espaço levanta preocupações com a saúde pública e a perda de um patrimônio valioso. A prefeitura, embora reconheça a importância do Creci e prometa sua reabertura, enfrenta desafios burocráticos significativos e precisa superar a percepção de inação por parte da população. A restauração do Creci não é apenas uma questão de infraestrutura, mas um passo fundamental para revitalizar a vida social e cultural da cidade, reconectando gerações e oferecendo novas oportunidades para o futuro de Iracemápolis.
Perguntas frequentes (FAQ)
Por que o Clube Recreativo e Cultural de Iracemápolis (Creci) está fechado?
O Creci foi fechado em 2019 após a concessionária responsável pela sua administração enfrentar baixa adesão de associados. A gestão decidiu então devolver o espaço à prefeitura de Iracemápolis.
Quais são os riscos do abandono do Creci para a comunidade?
O principal risco é a proliferação de doenças. Com mato alto e água parada na piscina, o local se torna um potencial criadouro para mosquitos como o Aedes aegypti, transmissor da dengue, zika e chikungunya, além de outros vetores.
Há previsão de reabertura do Creci?
A prefeitura de Iracemápolis informa que há um plano de reabertura em andamento. No entanto, não há um prazo definido para a conclusão, pois o processo depende da resolução de questões burocráticas e de segurança, como a obtenção do Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros (AVCB). A devolução formal do prédio à prefeitura está programada para janeiro de 2026.
Qual era a importância do Creci para Iracemápolis no passado?
O Creci era um centro vital para a vida social e cultural de Iracemápolis. Recebia festas, confraternizações, bailes, eventos temáticos, peças de teatro, aulas de dança e atraía artistas renomados. Era um ponto de encontro e referência para toda a região, movimentando a economia e oferecendo diversas opções de lazer e cultura para a comunidade.
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Fonte: https://g1.globo.com
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