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Linha 17-Ouro do Monotrilho: Duas Falhas em Menos de Um Mês Abalam Início da Operação em São Paulo

A Linha 17-Ouro do Monotrilho de São Paulo, uma obra aguardada por mais de uma década, enfrenta um início de operação conturbado. Inaugurada há menos de um mês, em 31 de março, a linha registrou sua segunda falha total nesta sexta-feira (24), paralisando as atividades e forçando a ativação do sistema de ônibus Paese para atender aos usuários. O incidente reacende debates sobre a confiabilidade e a fase experimental de um dos projetos de transporte mais estratégicos da capital paulista.

Falhas Recorrentes Marcam Início da Operação

A mais recente interrupção, ocorrida na sexta-feira (24), causou a paralisação completa do monotrilho na Zona Sul da capital. Embora o site do Metrô de SP, operador da linha, tenha confirmado a ativação do sistema Paese de ônibus, o motivo exato da falha não foi divulgado até o momento da publicação desta reportagem. As tentativas de contato com o Metrô para obter esclarecimentos não tiveram retorno.

Este não é o primeiro revés operacional da Linha 17-Ouro. Na última segunda-feira (20), apenas quatro dias antes do novo incidente, o serviço já havia sido suspenso devido a uma falha elétrica. Naquela ocasião, a interrupção ocorreu a partir das 10h e a normalização foi alcançada por volta das 12h. Adicionalmente, a Linha 9-Esmeralda, operada pela Viamobilidade, também enfrentou problemas na mesma segunda-feira, evidenciando desafios mais amplos na infraestrutura de transporte da cidade.

Um Lançamento Controverso e Desafiador

A Linha 17-Ouro foi inaugurada oficialmente em 31 de março pelo governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), após um longo período de paralisação das obras, que se estendeu de 2019 até a retomada na atual gestão. O projeto, que prometia aliviar o tráfego em uma região vital de São Paulo, começou a operar em um regime experimental e controlado, com horários reduzidos de segunda a sexta-feira, das 10h às 15h, e gratuidade para os usuários, prevista para durar 90 dias enquanto os testes finais são concluídos.

Essa fase de testes e operação gradual é crucial para o ajuste fino do sistema, mas os incidentes recentes levantam questionamentos sobre a preparação da linha para o serviço público. A expectativa era de que os testes permitissem identificar e corrigir eventuais problemas antes da operação plena, porém, as falhas em tão pouco tempo de funcionamento expõem a vulnerabilidade do sistema em sua fase inicial.

A Complexa Trajetória de Uma Obra Gigante

A Linha 17-Ouro tem uma história marcada por atrasos significativos. Originalmente projetada para entrar em operação antes da Copa do Mundo de 2014, a conclusão do monotrilho levou mais de uma década. No início de março, o Metrô de São Paulo havia confirmado que mais de 95% da obra estava concluída, com a expectativa de iniciar a operação em caráter controlado, para observar as condições e o perfil dos passageiros antes de uma plena expansão.

Com oito estações planejadas, a Linha 17-Ouro será a primeira do sistema metroviário paulista a se conectar diretamente a um aeroporto, o de Congonhas, através de um túnel subterrâneo sob a Avenida Washington Luís. Sua rota se estende do aeroporto até a estação Morumbi, com integração à Linha 9-Esmeralda, e também se conectará à Linha 5-Lilás na estação Campo Belo. Essa integração estratégica é projetada para atender cerca de 30 mil passageiros diariamente apenas na conexão de Campo Belo, evidenciando seu papel vital na mobilidade urbana.

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Além de sua função principal de transporte, as estações da Linha 17-Ouro foram concebidas para funcionar como passarelas sobre a Avenida Jornalista Roberto Marinho, permitindo que pedestres atravessem a via sem custo. A modernização se estende ao sistema de bilhetagem, que contará apenas com máquinas de autoatendimento, sem a presença de bilheterias físicas, refletindo uma tendência de digitalização nos serviços de transporte.

Estações da Linha 17-Ouro:

Washington Luís, Aeroporto de Congonhas, Brooklin Paulista, Vereador José Diniz, Campo Belo, Vila Cordeiro, Chucri Zaidan e Morumbi.

As recentes paralisações da Linha 17-Ouro ressaltam os desafios inerentes à implantação e operação de grandes projetos de infraestrutura. Com a população paulistana ansiosa por melhorias no transporte público, a confiabilidade do novo monotrilho é crucial. As autoridades enfrentarão a tarefa de garantir que os problemas iniciais sejam rapidamente superados para que a linha possa cumprir plenamente sua promessa de modernizar e expandir a rede de mobilidade da cidade.

Fonte: https://g1.globo.com