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Cultura como Horizonte: CNJ lança programa nacional para transformar o sistema prisional

O Conselho Nacional de Justiça (CNJ), em uma ação conjunta com o Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) e outras esferas governamentais, marcou um novo capítulo na abordagem do sistema prisional brasileiro. Na última sexta-feira (10), o Theatro Municipal do Rio de Janeiro foi palco do lançamento do programa Horizontes Culturais, uma estratégia nacional ambiciosa que visa infundir arte e cultura nas unidades de privação de liberdade. A iniciativa transcende a mera custódia, buscando engajar diversas instituições, artistas e a sociedade civil na construção de um ambiente mais humano e propício ao desenvolvimento.

Horizontes Culturais: Uma Estratégia Abrangente para a Ressocialização

O programa Horizontes Culturais foi concebido para ir além das práticas já existentes, fortalecendo-as e, sobretudo, ampliando o acesso de pessoas privadas de liberdade à arte e à cultura. Por meio de um plano nacional dedicado ao setor, serão desenvolvidas ações focadas em áreas como o audiovisual, a música e a comunicação. A abrangência do projeto não se restringe apenas aos indivíduos encarcerados; ele também contempla aqueles que já cumpriram suas penas ou estão em regime de liberdade condicional, seus familiares e os próprios servidores penais. A meta é clara: incentivar a criação artística, promover a formação profissional, fortalecer os vínculos sociais e familiares, e abrir as portas para o acesso a bens culturais e novas oportunidades.

A Cultura como Direito Fundamental e Ferramenta de Transformação Social

A relevância do programa foi sublinhada pelo presidente do CNJ e do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, que contextualizou a iniciativa dentro do panorama dos direitos fundamentais. Segundo o ministro, o Supremo já reconheceu a existência de um “estado de coisas inconstitucional” no sistema prisional do país. Ele enfatizou que “se a Constituição da República estabelece que a promoção dos direitos fundamentais da pessoa humana constitui dever permanente do Estado, mesmo diante das situações mais complexas da vida social, tais valores são inegociáveis.” Essa perspectiva reforça o papel da cultura não apenas como um direito inerente, mas como um poderoso vetor para a humanização e a ressocialização, capaz de mitigar os desafios impostos pela privação de liberdade.

Celebrando a Arte e Fomentando a Leitura no Cárcere

O lançamento do Horizontes Culturais coincidiu com o encerramento da primeira Semana da Cultura no Sistema Prisional, um evento que, ao longo de seus dias, ofereceu um vasto leque de atividades artísticas. A programação incluiu desde apresentações de literatura, música, cinema e teatro até exposições de artes visuais, visitas guiadas a museus e a curadoria de peças de arte com temática penal. Somando-se a essas ações, o CNJ formalizou, também na sexta-feira, um importante Termo de Doação de Livros com a Fundação Biblioteca Nacional. Este acordo prevê a disponibilização de 100 mil exemplares — abrangendo romances, poesia, história, iconografia e ensaios — que serão distribuídos para bibliotecas em escolas de unidades prisionais de todo o Brasil. Tal medida é crucial, especialmente considerando um levantamento do próprio CNJ, que revelou que 45% das 1,2 mil unidades prisionais analisadas carecem completamente de atividades culturais.

O programa Horizontes Culturais representa, portanto, um passo significativo na busca por um sistema penal mais justo e alinhado aos princípios da dignidade humana. Ao integrar a arte e a cultura como eixos centrais, o CNJ e seus parceiros não apenas cumprem um mandamento constitucional, mas também investem em um futuro onde a reabilitação e a reintegração social são prioridades. A aposta na cultura como ferramenta de transformação reafirma a crença no potencial humano e na capacidade de superação, mesmo em contextos de adversidade.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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