© Marcello Casal JrAgência Brasil

Esclerose Múltipla no Brasil: Desafios, Diagnóstico e a Jornada por uma Vida Plena

A esclerose múltipla (EM) é uma doença autoimune crônica que afeta o sistema nervoso central, impactando a qualidade de vida de milhares de pessoas no Brasil e milhões em todo o mundo. Caracterizada por um processo inflamatório que danifica a mielina, a cobertura protetora dos nervos, a EM se manifesta através de uma vasta gama de sintomas. No território nacional, a Associação Brasileira de Esclerose Múltipla (Abem) estima que cerca de 40 mil brasileiros, predominantemente na faixa etária entre 20 e 50 anos, convivem com a enfermidade, enfrentando desde o complexo processo de diagnóstico até a busca por tratamentos que permitam uma vida com mais autonomia.

A Doença e Suas Múltiplas Manifestações

A natureza imprevisível da esclerose múltipla reside na sua capacidade de se apresentar de diversas formas, com intensidade e evolução variadas em cada indivíduo. Os sintomas, que resultam da interrupção da comunicação entre o cérebro e o corpo, podem incluir fadiga intensa, dores crônicas e dificuldades motoras, como fraqueza em membros ou problemas de coordenação. Além desses, o neurologista Felipe von Glehn destaca que a doença pode também provocar alterações da sensibilidade, déficits visuais prolongados – com duração superior a 24 horas – e outras disfunções neurológicas, refletindo o ataque do sistema imunológico a diferentes áreas do cérebro e da medula espinhal.

O Caminho Intricado até o Diagnóstico Correto

Um dos maiores desafios para quem suspeita ter esclerose múltipla é o longo e, por vezes, frustrante percurso até um diagnóstico definitivo. A complexidade decorre do fato de não existir um único exame laboratorial ou de imagem que, por si só, confirme a presença da doença. Conforme explica o Dr. Felipe von Glehn, o diagnóstico da EM é um processo de exclusão e interpretação minuciosa, que exige a análise conjunta de evidências clínicas, resultados de exames laboratoriais, de imagem (como ressonância magnética) e do líquor (líquido cefalorraquidiano). A aplicação dos Critérios de McDonald é fundamental para que neurologistas, especialistas com o treinamento adequado, possam, enfim, fornecer um veredito preciso e iniciar a jornada de tratamento.

Histórias de Resiliência: Viver com Esclerose Múltipla

Apesar da incerteza inicial e do impacto emocional de um diagnóstico de esclerose múltipla, muitos pacientes encontram força para adaptar-se e buscar uma vida plena. Carine Ferreira, uma bancária de 46 anos, é um exemplo disso. Após quase duas décadas de sintomas inespecíficos e um peregrinar entre médicos, ela recebeu seu diagnóstico em 2017. Atualmente, Carine segue um tratamento de alta eficácia, com medicação fornecida gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS), e mantém a confiança na melhora de suas lesões neurológicas. De forma similar, o ator e dublador Pedro Alcântara, de 31 anos, que inicialmente reagiu com choque e tristeza ao diagnóstico, conseguiu, através de boa orientação médica e pesquisa, compreender que é possível ter uma vida 'normal, ou quase normal', respeitando as limitações impostas pela doença e aderindo rigorosamente ao tratamento.

Avanços no Tratamento e a Importância da Continuidade

Embora a esclerose múltipla ainda não tenha uma cura definitiva, os avanços farmacológicos transformaram significativamente a perspectiva dos pacientes. O neurologista Felipe von Glehn enfatiza a existência de medicações de alta eficácia que são capazes de alterar a história natural da doença, controlando a sua progressão e reduzindo a frequência e intensidade das crises. Esses tratamentos estão amplamente disponíveis, seja através do SUS, de convênios de saúde ou da rede privada, e a maioria dos pacientes apresenta uma resposta terapêutica positiva. A adesão contínua ao tratamento e o acompanhamento médico regular, com consultas a cada três ou seis meses, são cruciais para monitorar a evolução da doença, ajustar as terapias quando necessário e, assim, garantir a melhor qualidade de vida possível para quem convive com a EM.

A esclerose múltipla representa um desafio complexo, tanto para os indivíduos afetados quanto para o sistema de saúde, dada a sua natureza autoimune e a diversidade de suas manifestações. No entanto, a combinação de um diagnóstico cada vez mais aprimorado por especialistas, o acesso a tratamentos eficazes e o espírito de resiliência dos pacientes transformam a realidade da doença. A conscientização sobre a EM e o suporte contínuo são fundamentais para garantir que os brasileiros com esclerose múltipla possam seguir em frente, gerenciando a condição e buscando uma vida ativa e significativa.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br