© Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

Presidente Lula clama por fim da violência contra as mulheres no Brasil

ANUNCIO COTIA/LATERAL

O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, dirigiu-se à nação em cadeia nacional de rádio e televisão na véspera do Dia Internacional da Mulher, 8 de março, com uma mensagem contundente sobre a urgência de combater o feminicídio. O pronunciamento do presidente destacou dados alarmantes que revelam um cenário de crescente violência contra as mulheres no país, onde o crime de feminicídio atingiu números recordes. Com a média de uma mulher sendo assassinada a cada seis horas, a necessidade de ações efetivas para garantir a segurança e a integridade feminina tornou-se o ponto central da sua fala. A violência contra as mulheres no Brasil, muitas vezes invisível e silenciada, foi categoricamente classificada como crime, e o governo reafirmou seu compromisso em enfrentá-la de forma decisiva.

Combate ao feminicídio e o pacto nacional

Ações governamentais e a realidade da violência

O presidente Lula trouxe à tona a chocante realidade de que o feminicídio no Brasil alcançou uma média de quatro mulheres assassinadas por dia, um recorde preocupante. Ele enfatizou que cada feminicídio é o culminar de uma série de violências diárias, muitas vezes silenciosas e normalizadas, que ocorrem predominantemente dentro do próprio lar, ambiente que deveria oferecer proteção. “A cada seis horas, um homem mata uma mulher no Brasil”, declarou o presidente, sublinhando a gravidade da situação. Mesmo com o agravamento das penas para o feminicídio, que podem chegar a 40 anos de prisão, a persistência dessas agressões demonstra que as medidas existentes ainda não são suficientes para conter a escalada da violência. Lula questionou o futuro de um país onde as mulheres enfrentam tamanha brutalidade, reforçando a impossibilidade de se conformar com essa realidade.

Em resposta a este cenário, o governo anunciou a implementação do Pacto Nacional – Brasil contra o Feminicídio. Esta iniciativa abrange a colaboração entre os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, evidenciando uma abordagem multifacetada para o problema. Entre as primeiras ações concretas, foi detalhado um mutirão do Ministério da Justiça, em parceria com os governos estaduais, com o objetivo de prender mais de 2 mil agressores de mulheres que se encontram em liberdade. O presidente foi claro ao afirmar que esta é apenas a primeira de muitas operações planejadas para enfrentar o problema. A mensagem foi inequívoca: “Violência contra a mulher não é questão privada onde ninguém mete a colher. É crime. E vamos, sim, meter a colher”, declarou, reiterando o papel ativo do Estado na proteção das vítimas. Complementando essas ações, o Brasil tem buscado a inclusão do Código Internacional de Doenças (CID) de feminicídio na Organização Mundial da Saúde (OMS), uma medida crucial para aprimorar o registro e a análise desses casos. Além disso, o Sistema Único de Saúde (SUS) está implementando teleatendimento para mulheres expostas à violência, oferecendo um canal de apoio e orientação. Em esforços prévios, mobilizações nacionais resultaram na detenção de 5,2 mil indivíduos por crimes de violência contra a mulher, demonstrando a capacidade de atuação integrada.

Outras iniciativas e o futuro das mulheres

Programas sociais, jornada de trabalho e ambiente digital

Além do combate direto ao feminicídio, o presidente Lula destacou uma série de iniciativas já em prática que beneficiam diretamente as famílias brasileiras, com um impacto significativo na vida das mulheres. Entre esses programas, foram mencionados o Pé-de-Meia, uma poupança destinada a estudantes do ensino médio para incentivar a permanência escolar; o Gás do Povo, que visa aliviar os custos com gás de cozinha para famílias de baixa renda; a isenção de Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil; e o programa de distribuição gratuita de absorventes, que combate a pobreza menstrual e promove a dignidade feminina. Esses programas, segundo o presidente, são pilares para a construção de um país mais equitativo.

No que tange às condições de trabalho, Lula abordou a importância de reformar a escala 6×1, que exige que o trabalhador atue seis dias para ter apenas um de descanso. Ele enfatizou como essa jornada de trabalho é particularmente prejudicial às mulheres, que frequentemente enfrentam uma dupla jornada, conciliando trabalho remunerado com responsabilidades domésticas e de cuidado. “Está na hora de acabar com isso, pois significará mais tempo com a família, mais tempo para estudar, descansar e viver. Essa é uma pauta da mulher brasileira”, afirmou, defendendo a proposta junto ao Congresso Nacional. A pauta do fim da escala 6×1 tem sido trabalhada pelo governo junto à sua base parlamentar para o avanço do tema na Câmara e no Senado, visando proporcionar mais qualidade de vida e tempo livre para os cidadãos, especialmente as mulheres.

Outra medida relevante é a iminente entrada em vigor, em 17 de março, do Estatuto Digital das Crianças e Adolescentes (ECA Digital). O presidente anunciou que, ainda em março, serão divulgadas novas ações para combater o assédio online, uma preocupação crescente na era digital. O ECA Digital impõe às plataformas digitais a responsabilidade de implementar medidas preventivas para proteger crianças e adolescentes de conteúdos ilegais ou inadequados, como exploração e abuso sexual, violência física, intimidação, assédio, promoção de jogos de azar e práticas publicitárias predatórias. A regulamentação desse decreto está sendo produzida em conjunto por diversas pastas ministeriais, incluindo o Ministério da Justiça, a Casa Civil, o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, o Ministério da Gestão e Inovação em Serviços Públicos e a Secretaria de Comunicação da Presidência da República. A visão expressa pelo presidente é de um Brasil onde as mulheres não apenas sobrevivam, mas prosperem em segurança, com liberdade para se divertir, trabalhar, empreender e construir um futuro pleno.

FAQ

O que é o Pacto Nacional – Brasil contra o Feminicídio?
É uma iniciativa do governo que integra os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário com o objetivo de combater o feminicídio no Brasil por meio de ações coordenadas e efetivas, como mutirões para prisão de agressores e fortalecimento das leis.

Quais são as principais ações do governo para combater o feminicídio, além do pacto?
As ações incluem a busca pela inclusão do CID de feminicídio na OMS, a implementação de teleatendimento no SUS para mulheres expostas à violência e mobilizações nacionais que resultaram em prisões de agressores.

Qual o objetivo do ECA Digital e quando ele entrará em vigor?
O ECA Digital tem como objetivo obrigar plataformas digitais a tomarem medidas para prevenir riscos de crianças e adolescentes acessarem conteúdos ilegais ou impróprios online, como assédio e exploração. Ele entrará em vigor em 17 de março.

Por que o governo defende o fim da escala de trabalho 6×1?
O governo defende o fim da escala 6×1 para proporcionar mais tempo livre para as pessoas, especialmente as mulheres, que frequentemente enfrentam dupla jornada de trabalho, permitindo-lhes mais tempo para a família, estudo, descanso e lazer.

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Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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