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Capivara ferida por caça ilegal é resgatada em Itapetininga

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Em Itapetininga, uma operação de resgate emocionante culminou no salvamento de uma capivara gravemente ferida. O animal, que sofria com um cabo metálico preso ao corpo, sequela de uma tentativa de caça ilegal, foi finalmente capturado e encaminhado para tratamento veterinário intensivo. A ação, que mobilizou a prefeitura e voluntários na Marginal dos Cavalos, demonstra a crescente preocupação com a fauna silvestre urbana. A instalação estratégica de um brete, uma estrutura de contenção, foi crucial para o sucesso da complexa operação, que visava garantir o bem-estar do mamífero e sua eventual reintrodução ao habitat natural. Este caso acende um alerta sobre a persistência da caça predatória e a importância da vigilância e proteção animal na região.

O drama da capivara: ferimentos e a caça ilegal

A Marginal dos Cavalos, em Itapetininga, cenário usual da tranquila presença de capivaras, tornou-se palco de um drama ambiental que culminou em um esforço coordenado de resgate. Dois dos animais foram avistados com cabos metálicos enroscados em seus corpos, indicando uma cruel tentativa de caça ilegal que ocorreu meses antes, em agosto. Estes objetos não apenas causavam dor intensa, mas também representavam um risco iminente de infecções graves e, em última instância, de morte. Enquanto um dos animais conseguiu ser resgatado na noite de segunda-feira (2 de outubro), a busca pelo outro indivíduo com ferimentos semelhantes permanece ativa, mobilizando equipes e voluntários da região.

Os ferimentos causados pelos cabos metálicos eram profundos e progressivos, comprometendo a mobilidade e o bem-estar dos animais. A capivara resgatada apresentava sinais claros de sofrimento, o que acelerou a necessidade de uma intervenção. A caça predatória, além de ser um crime ambiental, desequilibra ecossistemas e causa sofrimento desnecessário à fauna local. A presença de armadilhas como cabos metálicos em áreas de convívio com a população também levanta preocupações sobre a segurança pública e a educação ambiental, destacando a urgência de conscientização e fiscalização para prevenir futuras ocorrências.

A persistência da ameaça e a mobilização inicial

A identificação das capivaras feridas acionou um alerta imediato entre as autoridades municipais e defensores dos animais. O subsecretário de Defesa Animal do município, Riad Elneser Londonõ, explicou que a situação demandava uma abordagem cuidadosa, considerando a natureza silvestre dos animais e a dificuldade de sua captura em ambiente aberto. A prefeitura, ciente da gravidade dos ferimentos, iniciou um planejamento estratégico para garantir o resgate sem causar mais estresse aos mamíferos. A etapa inicial envolveu a observação constante dos hábitos das capivaras e a identificação de pontos de maior frequência, crucial para a elaboração do plano de contenção. Esta fase prévia ao resgate propriamente dito foi fundamental para assegurar que a intervenção fosse eficaz e minimamente invasiva, preparando o terreno para a instalação da estrutura que permitiria a captura segura e humanitária.

A estratégia do brete: um resgate planejado

Para garantir o tratamento adequado e a remoção segura dos cabos metálicos, a administração municipal tomou a decisão estratégica de instalar um brete. Esta estrutura de contenção, projetada para capturar animais de grande porte de forma controlada, foi posicionada em um local de alta frequência das capivaras na Marginal dos Cavalos. O objetivo era atrair os animais feridos para dentro do brete e, então, fechar manualmente a estrutura, isolando-os para a intervenção veterinária.

O sucesso do resgate dependia não apenas da estrutura, mas de uma tática inteligente para atrair a capivara. Uma trilha de alimentos preferidos pelos animais, como folhas de bananeira, milho e cana-de-açúcar, foi cuidadosamente montada, levando diretamente ao interior do brete. Essa isca natural provou ser eficaz. Na noite da última segunda-feira, a capivara ferida, atraída pela alimentação, adentrou o brete. Um morador local, acompanhando a movimentação, auxiliou na etapa final, chamando a equipe de resgate. Uma vez dentro da estrutura, o animal foi sedado com segurança, o que permitiu aos veterinários remover o cabo metálico sem maiores complicações e iniciar o tratamento imediato.

Monitoramento e participação comunitária

A operação de resgate da capivara não foi um evento isolado, mas sim o resultado de um esforço contínuo e coordenado. O fechamento do brete é feito manualmente, o que exige um monitoramento constante. Voluntários dedicados, membros da equipe veterinária e a Polícia Ambiental têm patrulhado o trecho do ribeirão várias vezes ao dia. Eles observam a movimentação das capivaras, aguardando o momento oportuno para acionar o mecanismo de contenção, especialmente se o segundo animal ferido for avistado.

Riad Elneser Londonõ enfatizou a importância dessa vigilância: “A recomendação é que não se tenha contato físico com o animal, porém, nós contamos com a ajuda da Polícia Ambiental, que está fazendo ronda e a verificação dos animais. Também contamos com a ajuda de alguns voluntários da própria prefeitura, a equipe de veterinários, para fazer esse acionamento, caso preciso”. Essa colaboração multifacetada é crucial para o sucesso da operação e para a segurança de todos os envolvidos, reforçando a ideia de que a proteção da fauna silvestre é uma responsabilidade coletiva.

Pós-resgate: recuperação e o papel da comunidade

Após ser resgatada e ter o cabo metálico removido, a capivara foi prontamente encaminhada para atendimento veterinário especializado. O animal recebeu medicação para dor e para prevenir infecções, sendo mantido sob observação intensiva por um período de até cinco dias. A prioridade dos veterinários é garantir uma recuperação completa e rápida, minimizando o estresse e o tempo de permanência em um ambiente diferente do seu habitat natural. O plano é reintroduzi-la no mesmo local da captura assim que seu estado de saúde permitir, assegurando que possa retomar sua vida silvestre sem sequelas.

Biólogos e médicos-veterinários reiteram a importância de evitar o contato físico com capivaras e outros animais silvestres. Essa orientação visa tanto a segurança da população, que pode ser exposta a doenças ou reações imprevisíveis do animal, quanto o bem-estar da fauna. A aproximação humana indevida pode causar estresse severo aos animais, interferir em seus hábitos naturais e, em alguns casos, levar a acidentes. A colaboração da comunidade, reportando avistamentos de animais feridos ou em situação de risco às autoridades competentes, é fundamental para a proteção da vida selvagem urbana e para o êxito de futuras operações de resgate.

Perguntas frequentes (FAQ)

1. O que é um brete e como ele funciona no resgate de animais?
Um brete é uma estrutura de contenção, geralmente utilizada para manejar grandes animais de forma segura e controlada. No resgate de capivaras, ele é posicionado em locais estratégicos, atraindo o animal com alimentos. Uma vez que o animal entra, a estrutura é fechada manualmente, permitindo a abordagem por equipes veterinárias para tratamento ou manejo.

2. Qual o risco dos cabos metálicos para as capivaras?
Os cabos metálicos, frequentemente resultantes de armadilhas de caça ilegal, causam ferimentos profundos, lacerações, infecções severas e podem levar à necrose tecidual. Além da dor e do sofrimento, comprometem a mobilidade e a capacidade do animal de se alimentar, tornando-o vulnerável e podendo resultar em sua morte.

3. O que devo fazer se encontrar uma capivara ferida ou em situação de risco?
É crucial não tentar se aproximar ou resgatar o animal por conta própria. A orientação é acionar imediatamente as autoridades ambientais locais, como a Polícia Ambiental ou órgãos de defesa animal da prefeitura. Eles possuem o treinamento e os equipamentos adequados para lidar com a situação de forma segura para o animal e para as pessoas.

Para ficar por dentro das últimas notícias sobre a vida selvagem e esforços de conservação em Itapetininga, acompanhe nossos canais de informação e participe ativamente da proteção da fauna local.

Fonte: https://g1.globo.com

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