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Lula Exorta Governador Interino do Rio a Intensificar Combate ao Crime Organizado e Milícias

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez um apelo incisivo neste sábado (23) ao governador interino do Rio de Janeiro, desembargador Ricardo Couto, instando-o a atuar com vigor na prisão de "ladrões e milicianos" e no enfrentamento ao crime organizado que, segundo o presidente, tem dominado o estado. A declaração foi proferida durante o evento de celebração dos 125 anos da Fiocruz, no Rio de Janeiro, marcando um claro direcionamento do governo federal para a segurança pública fluminense.

A Exigência Presidencial e o Combate ao Crime Sistemático

Em sua fala, Lula foi enfático ao sublinhar as expectativas da população e do país para com a gestão interina. O presidente desafiou Couto a trabalhar para prender "todos os ladrões que governaram esse estado e deputados que fazem parte de uma milícia organizada". Ele expressou profunda indignação com a percepção de que o crime organizado estaria controlando territórios em um estado e uma cidade de tal projeção global como o Rio de Janeiro, reiterando a necessidade de uma ação decisiva para reverter esse cenário.

Apoio Federal e a Proposta de Novo Ministério da Segurança

Além da exortação ao combate, o presidente garantiu total respaldo do governo federal à gestão de Ricardo Couto. Lula aproveitou a ocasião para reiterar que a criação de um Ministério da Segurança Pública é uma prioridade, aguardando apenas a aprovação da chamada PEC da Segurança Pública pelo Senado Federal. A proposta, que visa fortalecer a estrutura de combate ao crime no país, já obteve o aval do plenário da Câmara dos Deputados e encontra-se em fase de análise na casa legislativa superior, sinalizando um compromisso em nível nacional.

A Peculiaridade da Ascensão de Ricardo Couto ao Governo

Lula também teceu elogios à decisão judicial que permitiu a Ricardo Couto assumir o governo do estado. Couto, que presidia o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, ocupa a quarta posição na linha sucessória. O presidente destacou o caráter não eleitoral da sua nomeação, afirmando que Couto "não precisou pedir voto", diferenciando-o de um processo que poderia, segundo Lula, resultar na indicação de um "miliciano" caso dependesse da Assembleia Legislativa. O presidente incentivou o governador interino a aproveitar seu período de gestão – estimado em seis a dez meses – para implementar mudanças significativas que muitos não concretizaram em uma década no estado.

Decisão do STF e o Cenário Político-Jurídico Fluminense

A permanência de Ricardo Couto no cargo de governador interino foi assegurada no final de abril por uma decisão do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF). A medida judicial atendeu a um pedido do Partido Social Democrático (PSD), que buscou a intervenção da Suprema Corte após o presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), Douglas Ruas (PL), manifestar interesse em assumir o comando interino. A determinação do STF vigorará até que a Corte conclua o julgamento sobre como será realizada a eleição para o denominado "mandato-tampão" do Executivo fluminense, definindo o futuro político da administração estadual.

As declarações do presidente Lula, portanto, não apenas reforçam a prioridade do governo federal no combate ao crime organizado no Rio de Janeiro, mas também endossam a legitimidade da posse de Ricardo Couto. O cenário fluminense aguarda agora as ações da gestão interina e as decisões futuras do Senado, em relação à PEC da Segurança Pública, e do STF, que moldarão tanto a segurança pública quanto o panorama político do estado nos próximos meses.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br