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© Marcello Casal JrAgência Brasil

STJ Condena Ministro Marco Buzzi por Crimes Sexuais com Inédita Perda de Cargo

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) proferiu, nesta quinta-feira (6), uma decisão histórica ao condenar o ministro Marco Buzzi e determinar a perda de seu cargo. O julgamento, que manteve o afastamento do magistrado de suas funções, decorreu de graves acusações de crimes sexuais apresentadas por duas mulheres. A medida representa um marco no judiciário brasileiro, sendo a primeira vez que a pena de disponibilidade com perda de cargo é aplicada após recente regulamentação pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

A Decisão Unânime e Seus Detalhes

O plenário do STJ aprovou a condenação de forma unânime, com os 28 ministros presentes na votação concordando com a aplicação da pena. Contudo, em relação à sanção específica, houve uma divergência: quatro ministros – João Otávio de Noronha, Moura Ribeiro, Regina Helena Costa e Gurgel de Faria – votaram pela aposentadoria compulsória, uma penalidade considerada menos severa que não implica a perda definitiva do cargo. Sua posição, no entanto, foi vencida pela maioria.

Esta deliberação do STJ assume caráter inédito. A penalidade de disponibilidade com a consequente perda do cargo para magistrados é uma medida recém-regulamentada pelo Conselho Nacional de Justiça, estabelecida como a pena máxima para juízes que cometerem faltas graves. Sua aplicação neste caso cria um importante precedente para a responsabilização dentro da magistratura brasileira.

O Julgamento a Portas Fechadas e as Acusações

O processo judicial que culminou na condenação de Buzzi transcorreu a portas fechadas, iniciando por volta das 9h30. A sessão contou com as sustentações orais das defesas das vítimas, do próprio acusado e da Procuradoria-Geral da República (PGR). Notavelmente, a PGR alterou sua posição inicial para defender a aplicação da pena máxima de disponibilidade com perda de cargo, alinhando-se à rigidez da nova regulamentação.

As acusações que levaram ao julgamento foram feitas por duas mulheres. A primeira, uma jovem de 18 anos, filha de amigos do ministro, relatou ter sido abordada de maneira inadequada por Buzzi durante um banho de mar enquanto era hóspede em sua casa de praia. Posteriormente, uma servidora pública também apresentou denúncia, afirmando ter sido vítima de assédio sexual nas dependências do gabinete do magistrado. Marco Buzzi nega veementemente qualquer comportamento criminoso ou inadequado. Ele esteve presente na sessão de julgamento, acompanhando o processo ao lado de seus advogados, em vez de ocupar a cadeira de ministro que exerceu por 14 anos.

Implicações da Condenação e Próximos Passos Legais

Com a decisão do STJ, o afastamento provisório de Marco Buzzi, em vigor desde 10 de fevereiro, torna-se definitivo. Embora afastado, o ministro ainda fará jus a vencimentos proporcionais ao seu tempo de serviço. Para que a perda do cargo seja total e o pagamento de salário cesse completamente, será necessário que a Advocacia-Geral da União (AGU) inicie uma nova ação judicial com esse objetivo específico. Esse procedimento foi estabelecido em maio deste ano pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), que declarou a inconstitucionalidade da aposentadoria compulsória como pena máxima para magistrados.

A defesa de Marco Buzzi ainda possui a prerrogativa de recorrer da condenação perante o próprio Supremo Tribunal Federal, buscando reverter a decisão. Este caso sublinha a evolução das normativas internas do judiciário, que visam aprimorar os mecanismos de responsabilização e ética para seus membros, garantindo maior transparência e confiança pública na instituição.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br