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Azul transporta corpo de idoso falecido após decisão judicial em Viracopos

Após uma intensa batalha legal, a Azul Linhas Aéreas realizou o translado de corpo de Carlos Alberto Nunes de Lima, de 79 anos, de Campinas (SP) para Vitória (ES), na manhã deste domingo (5). A medida foi cumprida por determinação da Justiça, encerrando uma etapa do sofrimento da família do idoso, que faleceu após 42 dias internado. Carlos Alberto passou mal a bordo de uma aeronave no Aeroporto de Viracopos, em Campinas, e sua morte levantou questionamentos graves sobre a assistência prestada pela companhia aérea e os protocolos de segurança em voos, motivando uma segunda ação judicial que busca esclarecer as circunstâncias do incidente.

O doloroso translado após batalha judicial

A saga do translado do corpo de Carlos Alberto Nunes de Lima teve um desfecho inicial neste domingo (5), com o embarque em Campinas às 8h45 e a chegada à capital capixaba, onde o idoso residia, por volta das 10h30. A realização do transporte foi confirmada pelo advogado da família, Raphael Augusto de Paiva Ziti, que destacou a relutância inicial da Azul Linhas Aéreas em assumir a responsabilidade. A família, após a negativa da empresa, precisou recorrer à Justiça de Vitória, que, na noite da última sexta-feira (3), determinou que a companhia realizasse o translado imediato e arcasse com todos os custos logísticos funerários e taxas aeroportuárias.

A filha de Carlos Alberto, Andreia Pereira de Lima, de 60 anos, viajou para Campinas no sábado (4) para acompanhar a liberação do corpo e os trâmites necessários. A determinação judicial abrangeu não apenas o transporte do corpo, mas também a responsabilidade da empresa em providenciar o voo de Dona Andreia e toda a documentação pertinente. Este processo, no entanto, não ocorreu sem novos desafios, demonstrando a complexidade e a morosidade que a família tem enfrentado.

Os obstáculos pós-transporte

Apesar da vitória judicial para o translado, a família de Carlos Alberto enfrentou um novo obstáculo significativo: a ausência da certidão de óbito. Segundo o advogado Raphael Augusto de Paiva Ziti, o corpo chegou a Vitória sem o documento essencial para o velório e sepultamento. “Houve muito entrave por conta da certidão de óbito. A companhia aérea detinha a responsabilidade por ordem judicial de preparar o corpo, o voo, o envio da dona Andreia junto e toda a parte documental. O corpo, ao que consta, veio sem a certidão de óbito. Então agora nós estamos vendo a questão de como vamos proceder com o velório, o sepultamento, se vamos ter algum óbice aqui em Vitória”, explicou o advogado, ressaltando a incerteza e o prolongamento do sofrimento da família em um momento já tão delicado. A falta do documento impede a continuidade dos rituais fúnebres e representa uma falha grave no cumprimento da ordem judicial.

A busca por respostas e a ação contra a companhia aérea

A morte de Carlos Alberto Nunes de Lima não é vista pela família como um simples infortúnio, mas sim como resultado de uma série de negligências e falta de assistência. Diante disso, a família ajuizou uma segunda ação contra a Azul Linhas Aéreas, desta vez buscando explicações detalhadas sobre o que realmente ocorreu durante o voo que resultou na indisposição do idoso. A filha, Andreia, expressou a angústia da família em não ter respostas claras sobre a morte do pai. “O que a família quer é o esclarecimento. Acho que é o mínimo que eles podem fazer. As pessoas, os meus amigos me perguntam: ‘o que aconteceu com seu pai?’ Eu não sei. Sei que estrangulou uma hérnia, supostamente por um cinto muito apertado pela pressurização do avião”, desabafou Andreia.

A defesa da família também solicitou à Justiça o acesso às imagens das câmeras de segurança do aeroporto de Viracopos, na tentativa de compreender como foi o processo de resgate de Carlos Alberto e se todos os protocolos foram devidamente seguidos. A falta de transparência e a dificuldade em obter informações têm sido uma fonte constante de frustração para os familiares, que sentem uma profunda falta de respeito e humanidade no tratamento dispensado pela empresa.

Os detalhes do incidente em voo

Carlos Alberto Nunes de Lima era uma pessoa ativa e apaixonada por viagens. No dia do voo fatídico, ele foi levado por uma nora ao aeroporto do Porto, em Portugal, e entregue aos cuidados de uma funcionária da Azul Linhas Aéreas. O destino final era Vitória, onde parte de sua família reside. Imagens registradas antes do embarque mostram Carlos Alberto se despedindo do filho, visivelmente emocionado, e conversando enquanto era conduzido em uma cadeira de rodas por uma colaboradora da companhia.

Segundo o protocolo da Azul e a Resolução 280 da Agência Nacional de Aviação (ANAC), passageiros como Carlos Alberto, que necessitam de atendimento especial, devem ser acompanhados durante toda a viagem, recebendo tratamento prioritário. A família assegura ter solicitado esse auxílio, incluindo a cadeira de rodas e o suporte completo da tripulação. A chefe de cabine teria sido informada sobre as condições de saúde do passageiro e garantido aos familiares que “estava tudo certo”. No entanto, a indisposição aconteceu após o pouso em Viracopos. Carlos Alberto teria sido encontrado desacordado na poltrona do avião, uma situação que a Azul nega, afirmando que o passageiro estava apenas indisposto. Ele foi levado a uma Unidade de Pronto-Atendimento (UPA) e, posteriormente, encaminhado ao Hospital Municipal Dr. Mário Gatti.

A cronologia da internação e o agravamento do quadro

No hospital, a família foi informada de que a condição de saúde de Carlos Alberto era grave, com o estrangulamento de uma hérnia umbilical sendo apontado como a causa do mal-estar. Acredita-se que o aperto do cinto de segurança, aliado à pressurização da aeronave, possa ter contribuído para o rompimento da hérnia. O idoso permaneceu desacordado por alguns dias, mas, em um dado momento, apresentou uma melhora em seu quadro. Andreia conta que conseguiu se comunicar com o pai: “Conversei com ele quando acordou e pedi para colocar o polegar para cima para dizer ‘sim’ ou para baixo para dizer ‘não’. Aí eu fiz a pergunta: ‘você passou mal dentro do avião?’ Ele disse que sim. Perguntei: você sentiu dor? Aí ele disse que sim e sussurrou bem baixinho ‘muita dor’. Depois, ele me contou do cinto, que estava apertado”.

Contudo, a recuperação foi breve. Após nove dias internado, Carlos Alberto teria contraído uma infecção hospitalar, que rapidamente evoluiu para uma pneumonia. Embora o Hospital Mário Gatti não confirme a infecção, a unidade de saúde mencionou uma piora do quadro devido a “complicações associadas a uma pneumonia”. A filha relatou o agravamento: “Depois que ele pegou essa infecção, entubaram o meu pai de novo. Ficou até fazer traqueostomia. Aí teve uma melhora rápida, mas logo depois veio a falecer”. O tratamento recebido pela família durante a internação do pai também foi alvo de críticas, com Andreia mencionando que a Azul arcou com hotel e transporte em Campinas por apenas sete dias, informando depois que “a conversa seria na Justiça”.

Indignação e o clamor por justiça

A família de Carlos Alberto Nunes de Lima sente-se abandonada e desrespeitada por toda a situação. A jornada de 42 dias de internação do idoso, seguida pela batalha judicial para garantir o translado do corpo e os problemas com a documentação, geraram um profundo sentimento de angústia e revolta. Andreia descreve a experiência como surreal: “É uma falta de respeito, sabe? Uma falta de humanidade, de tudo. Nós estamos extasiados com a situação. Sabe quando você não está acreditando no que está vivendo? Isso parece um trem fantasma. É assim que nós estamos nos sentindo. Simplesmente naufragados no meio do oceano.” O caso de Carlos Alberto levanta um debate importante sobre a responsabilidade das companhias aéreas na assistência a passageiros com necessidades especiais e a transparência em casos de emergências médicas a bordo. A família segue firme em seu propósito de buscar justiça e obter todas as respostas sobre a morte de Carlos Alberto.

Perguntas frequentes

Quem era Carlos Alberto Nunes de Lima?
Carlos Alberto Nunes de Lima era um idoso de 79 anos, ativo e que gostava de viajar. Residia em Vitória (ES) e faleceu após passar mal em um voo da Azul Linhas Aéreas, permanecendo internado por 42 dias.

Qual foi a causa da morte de Carlos Alberto?
Ele faleceu após complicações decorrentes de um estrangulamento de hérnia umbilical, que teria ocorrido durante o voo. O quadro se agravou com uma infecção hospitalar e pneumonia durante sua internação.

Por que a família processou a Azul Linhas Aéreas?
A família moveu duas ações judiciais. A primeira para que a Azul realizasse o translado do corpo de Carlos Alberto para Vitória, já que a empresa havia se recusado. A segunda ação busca esclarecer as circunstâncias do incidente em voo, cobrando explicações sobre a assistência prestada e a causa exata da indisposição do idoso.

Quais foram os principais entraves após o transporte do corpo?
Após o transporte do corpo de Campinas para Vitória, o principal entrave foi a ausência da certidão de óbito, documento essencial para o velório e sepultamento, o que gerou novos obstáculos para a família.

Este caso reforça a importância de que passageiros e seus familiares conheçam seus direitos. Se você ou alguém que conhece passou por uma situação semelhante, procure orientação jurídica especializada para garantir que seus direitos sejam respeitados e que a justiça seja feita.

Fonte: https://g1.globo.com

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