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SUS integra nova tecnologia para diagnóstico rápido de Doenças raras

ANUNCIO COTIA/LATERAL

Milhões de brasileiros que vivem com doenças raras podem, finalmente, vislumbrar um futuro com diagnósticos mais ágeis e precisos. O Sistema Único de Saúde (SUS) acaba de incorporar uma tecnologia de ponta que promete transformar a jornada desses pacientes. A nova plataforma de sequenciamento completo de DNA, agora disponível na rede pública, tem a capacidade de processar até 20 mil demandas anuais em todo o Brasil, representando um avanço monumental no diagnóstico de doenças raras. Com essa inovação, o tempo médio para se chegar a um diagnóstico, que antes podia se estender por até sete anos, será drasticamente reduzido para apenas seis meses. Esta medida é um passo crucial para melhorar a qualidade de vida e o acesso a tratamentos adequados para as estimadas 13 milhões de pessoas afetadas por condições raras no país.

A revolução do diagnóstico no sistema único de saúde

O Ministério da Saúde anunciou a chegada dessa inovadora tecnologia ao SUS, marcando um ponto de virada na abordagem das doenças raras no Brasil. A plataforma de sequenciamento completo de DNA, especificamente o sequenciamento do exoma, é uma ferramenta diagnóstica de alta precisão que permite identificar mutações genéticas responsáveis por uma vasta gama de condições. Antes restrito a exames de alto custo na rede particular, avaliados em cerca de R$ 5 mil, o acesso a essa tecnologia agora se democratiza através do SUS. A iniciativa não apenas acelera o processo de identificação das enfermidades, mas também assegura que os pacientes recebam o tratamento correto em um estágio muito mais precoce da doença, fator decisivo para a eficácia terapêutica e a prevenção de sequelas.

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, enfatizou a importância fundamental da redução do tempo de diagnóstico para o tratamento e a melhoria da qualidade de vida dos pacientes. Ele destacou que a disponibilização do sequenciamento completo do exoma, que representa um custo de mercado elevado, se torna acessível a quem mais precisa. A medida faz parte de um conjunto de ações coordenadas para otimizar a assistência a pacientes com doenças raras, incluindo a habilitação de novos serviços de tratamento. Padilha reforçou ainda a necessidade de o país alcançar autonomia em pesquisa, produção e tratamento dessas condições, prevendo inclusive a transferência de tecnologias de centros de ponta. Essa estratégia visa fortalecer a capacidade nacional e garantir um acesso mais equitativo aos recursos de saúde.

Redução de custos e ampliação do acesso

O investimento inicial para a implementação dessa nova fase no tratamento de doenças raras foi de R$ 26 milhões, valor que possibilitou a oferta do exame de sequenciamento completo do exoma por um custo significativamente menor dentro do SUS. Enquanto o preço de mercado pode chegar a R$ 5 mil, a oferta na rede pública custará aproximadamente R$ 1,2 mil, um benefício direto aos cofres públicos e, indiretamente, à população. Natan Monsores, coordenador de doenças raras do Ministério da Saúde, explicou que a resolução diagnóstica da plataforma é extremamente precisa, representando um ganho imenso para a comunidade de pessoas com doenças raras. Ele ressaltou que a ferramenta é essencial para geneticistas, neurologistas e equipes de pediatria, fornecendo-lhes os meios para fechar diagnósticos complexos.

A ampliação dos serviços de diagnóstico é estratégica para o Ministério da Saúde, que busca garantir que todos os estados tenham acesso a essa tecnologia. Ao expandir a rede para regiões que antes não possuíam nenhum serviço especializado, o governo assegura que o atendimento esteja mais próximo do local onde os pacientes vivem e moram. Essa descentralização é vital para facilitar o acesso e reduzir a barreira geográfica que muitas vezes impede que indivíduos com doenças raras busquem ou recebam o diagnóstico. O objetivo é criar um ecossistema de saúde mais inclusivo e responsivo às necessidades dessa população vulnerável.

Implementação, abrangência e o futuro da assistência

O fluxo para acesso à nova tecnologia de sequenciamento é bem definido. Pacientes atendidos em serviços de referência para doenças raras ou identificados em programas de triagem neonatal poderão ser encaminhados para os polos de sequenciamento. A coleta do material genético é simples e minimamente invasiva, podendo ser realizada com um cotonete na parte interna da bochecha, para a obtenção de células, ou através de uma amostra de sangue, ambos posteriormente enviados aos laboratórios especializados. Essa facilidade no processo de coleta é um fator importante para a adesão e a rapidez do diagnóstico.

A abrangência do teste genético é vasta, permitindo avanços significativos no diagnóstico de diversas condições. Entre elas, destacam-se as deficiências intelectuais, condições que implicam no atraso do desenvolvimento global de crianças e uma enorme diversidade de outras condições genéticas que podem afetar essa faixa etária. Em apenas 90 dias após a ativação da ferramenta, em 11 unidades da federação, já foram realizados 412 testes de sequenciamento, com a emissão de 175 laudos. A perspectiva é ambiciosa: expandir essa rede para todas as unidades da federação até abril de 2026, garantindo acesso universal a essa tecnologia vital. Paralelamente, o Ministério da Saúde também anunciou avanços no tratamento, como a disponibilização de uma terapia gênica inovadora para crianças com atrofia muscular espinhal (AME), uma doença que, se não tratada em tempo hábil, pode ser letal. A terapia tem mostrado interromper a progressão da condição, oferecendo esperança e vida a inúmeras famílias.

A voz dos pacientes: esperança e desafios contínuos

O anúncio dessas políticas públicas e avanços tecnológicos foi recebido com entusiasmo por representantes de pacientes e associações. Maria Cecília Oliveira, presidente da Associação dos Familiares, Amigos e Pessoas com Doenças Graves, Raras e Deficiências (AFAGRADD), celebrou os “avanços” nas políticas relacionadas aos pacientes com doenças raras. Ela expressou a esperança de que o programa “Agora tem especialistas” realmente impacte significativamente a vida desses pacientes, algo que tem sido uma luta constante para a comunidade.

Lauda Santos, presidente da Associação Maria Vitória de Doenças Raras e Crônicas (Amaviraras) e cofundadora e vice-presidente da Federação Brasileira das Associações de Doenças Raras (Febrararas), destacou a importância crucial da divulgação do serviço para o SUS. Ela reconhece que um dos maiores desafios do governo é fazer com que essas informações cheguem efetivamente aos pacientes e suas famílias, que muitas vezes enfrentam barreiras de acesso à informação. Lauda Santos ponderou que, embora haja avanços, as dificuldades persistem e o processo para que todas as mudanças “entrem nos trilhos” leva tempo. Ela também reforçou a necessidade de fortalecer as entidades que defendem os pacientes e expressou preocupação com a alta carga de impostos sobre os medicamentos, um fator que onera ainda mais as famílias afetadas.

Perspectivas futuras para pacientes com doenças raras

A introdução da tecnologia de sequenciamento completo de DNA no SUS representa um marco histórico para o tratamento e diagnóstico de doenças raras no Brasil. A redução drástica do tempo para um diagnóstico preciso, aliada à ampliação do acesso e à introdução de terapias inovadoras, oferece uma nova esperança para milhões de pacientes e suas famílias. O compromisso do Ministério da Saúde em expandir essa rede para todo o território nacional até 2026 demonstra uma visão ambiciosa e necessária para transformar a realidade das pessoas com condições raras. A colaboração entre o governo, os profissionais de saúde e as associações de pacientes será crucial para superar os desafios remanescentes, como a disseminação de informações e a acessibilidade aos tratamentos, garantindo que os avanços tecnológicos se traduzam em uma melhoria tangível na qualidade de vida de todos.

Perguntas frequentes

1. O que é a nova tecnologia para diagnóstico de doenças raras no SUS?
A nova tecnologia é uma plataforma de sequenciamento completo de DNA, especificamente do exoma, que permite identificar mutações genéticas responsáveis por diversas doenças raras. É um exame de alta precisão que agora será ofertado na rede pública de saúde.

2. Quanto tempo de diagnóstico será reduzido com a nova tecnologia?
Com a implementação dessa tecnologia, o tempo médio para o diagnóstico de doenças raras no SUS, que antes podia levar até sete anos, será reduzido drasticamente para cerca de seis meses, agilizando o início do tratamento.

3. Como um paciente pode ter acesso a este novo exame no SUS?
Pacientes atendidos em serviços de referência para doenças raras ou identificados em programas de triagem neonatal podem ser encaminhados para os polos de sequenciamento. A coleta do material é feita de forma simples, com um cotonete na bochecha ou amostra de sangue.

4. Quais tipos de doenças raras podem ser diagnosticadas?
A tecnologia permite avançar no diagnóstico de deficiências intelectuais, condições que implicam em atraso no desenvolvimento global de crianças e uma vasta diversidade de outras condições genéticas que podem afetar pacientes de diferentes idades.

Para mais informações sobre os serviços e tratamentos disponíveis no SUS, visite o portal do Ministério da Saúde ou procure a unidade de saúde mais próxima.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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