© Lúcio Bernardo Jr/Agência Brasília

STF Mantém Prisão de Ex-Presidente do BRB em Decisão Unânime na Operação Compliance

A Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) ratificou, por unanimidade, a decisão que determinou a prisão de Paulo Henrique Costa, ex-presidente do Banco de Brasília (BRB). A confirmação do ministro André Mendonça, relator do caso, ocorreu na última sexta-feira, 24 de maio, consolidando o entendimento da Corte sobre a necessidade da medida cautelar em um inquérito que apura fraudes envolvendo o Banco Master e tentativas de aquisição pelo BRB.

O Veredito da Segunda Turma

A votação decisiva, que teve início na semana anterior e foi concluída no plenário virtual do colegiado, resultou em um placar de 4 votos a 0. Os ministros André Mendonça, Luiz Fux, Nunes Marques e Gilmar Mendes manifestaram-se favoravelmente à manutenção da prisão de Paulo Henrique Costa. Essa decisão reforça a posição do Judiciário em casos de grande repercussão, especialmente aqueles que envolvem instituições financeiras e o setor público.

Detalhes da Operação Compliance e Acusações

A prisão de Paulo Henrique Costa, efetuada em 16 de abril, é parte da quarta fase da Operação Compliance, conduzida pela Polícia Federal. As investigações focam em um esquema de fraudes no Banco Master e na tentativa de compra dessa instituição pelo BRB, um banco público vinculado ao governo do Distrito Federal. Conforme as apurações, Costa é suspeito de ter orquestrado, em conjunto com o banqueiro Daniel Vorcaro, o recebimento de R$ 146,5 milhões em propina, valor que supostamente seria dissimulado por meio de transações imobiliárias.

Outros Envolvidos e a Suspeição de um Ministro

A mesma operação também teve como alvo o advogado Daniel Monteiro, cuja prisão foi mantida com um placar de 3 a 1. O ministro Gilmar Mendes, ao proferir seu voto, divergiu parcialmente dos demais, defendendo que Monteiro cumpra prisão domiciliar, com monitoramento por tornozeleira eletrônica, em vez da prisão preventiva. Esse detalhe ressalta as nuances e diferentes perspectivas dentro do colegiado em casos complexos.

Paralelamente, o ministro Dias Toffoli, também membro da Segunda Turma, declarou-se suspeito para participar do julgamento. Sua suspeição remonta a fevereiro deste ano, quando deixou a relatoria do inquérito sobre as fraudes no Banco Master. A Polícia Federal havia informado ao então presidente do STF, Edson Fachin, sobre menções a Toffoli em mensagens encontradas no celular de Daniel Vorcaro, apreendido na fase inicial da operação. Além disso, o ministro é um dos sócios do resort Tayayá, no Paraná, empreendimento que foi adquirido por um fundo de investimentos ligado ao Banco Master e que está sob investigação da Polícia Federal, configurando o motivo para sua abstenção no caso.

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Implicações e Próximos Passos

A decisão unânime do STF em manter a prisão do ex-presidente do BRB sinaliza a seriedade com que o Judiciário brasileiro está tratando as acusações de corrupção e fraude no setor financeiro, especialmente quando há envolvimento de instituições públicas. O prosseguimento das investigações da Operação Compliance é aguardado com expectativa, visando esclarecer todos os detalhes do esquema e responsabilizar os envolvidos. O caso continua a ser um ponto de atenção para a lisura das operações financeiras e a governança de bancos públicos no país.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br