© Tomaz Silva/Agência Brasil

Inhotim Celebra Duas Décadas com Novas Instalações, Retrospectiva e Foco na Experiência

O Instituto Inhotim, reconhecido como o maior museu a céu aberto da América Latina, localizado em Brumadinho, Minas Gerais, celebra seus 20 anos de existência com uma programação robusta e inovadora. Consolidando seu papel como um santuário de arte contemporânea e botânica exuberante, a instituição preparou uma série de eventos e inaugurações que se estendem por todo o ano de 2026. As comemorações tiveram início em abril, com a apresentação de três novas obras: <i>Contraplano</i>, de Lais Myrrha; <i>Dupla Cura</i>, de Dalton Paula; e <i>Tororama</i>, de Davi de Jesus Nascimento. O ponto alto do segundo semestre promete ser a inauguração de mais três atrações significativas, reafirmando o compromisso do instituto com a arte, a natureza e a educação.

Uma Retrospectiva Imersiva: Resgatando a Trajetória de Inhotim

Para marcar oficialmente as duas décadas, Inhotim abrirá, em setembro, uma exposição comemorativa que revisitará os marcos fundamentais de sua trajetória. Instalada no Centro de Educação e Cultura Burle Marx, a mostra oferecerá uma abordagem imersiva, desenhando um panorama histórico do instituto desde sua concepção. A iniciativa não só celebra o legado da instituição, mas também presta uma homenagem póstuma ao seu fundador, o empresário mineiro Bernardo Paz, cujo sonho visionário transformou uma fazenda particular em um complexo cultural de relevância global.

Paula Azevedo, diretora-presidente do Inhotim, enfatiza que a exposição é um tributo ao ideal de Paz, que fez do museu seu projeto de vida. Ela destaca a importância de reconhecer o passado para construir um futuro sólido, ressaltando a filosofia que permeia o instituto desde sua gênese: "Ninguém faz o futuro sem olhar para o passado e viver o presente".

ESG no DNA: Um Pioneirismo Alinhado à Sustentabilidade

A diretora-presidente também sublinha o caráter pioneiro de Inhotim em pautas que hoje são amplamente discutidas: as diretrizes ESG (Environmental, Social, and Governance). Muito antes de o conceito se popularizar, o instituto já nasceu com uma forte conexão em seu DNA entre arte, natureza e educação. Essa integração intrínseca é a base de sua missão e um dos pilares que sustentam a identidade do Inhotim, que se dedica não apenas à exibição artística, mas também à conservação ambiental e ao desenvolvimento social em sua comunidade e região.

Inovações e Releituras: Galeria Cildo Meireles e o Retorno de 'The Murder of Crows'

Outubro será um mês de importantes renovações e retornos. A Galeria Cildo Meireles passará por uma reformulação arquitetônica para incorporar uma nova obra monumental: <i>Missão/Missões (Como construir catedrais)</i>. Esta adição enriquecerá ainda mais o acervo do artista na galeria, que já abriga obras icônicas como <i>Desvio para o vermelho</i>, <i>Glove Trotter</i> e <i>Através</i>, consolidando o espaço como um ponto central para apreciar a complexidade de sua produção.

No mesmo mês, o público terá a chance de revisitar uma obra que marcou a história do instituto: <i>The Murder of Crows</i>. A instalação sonora dos artistas canadenses Janet Cardiff e George Bures Miller será reativada em uma versão modernizada. Composta por 98 alto-falantes, a obra proporciona uma experiência sensorial profundamente imersiva, que dissolve as fronteiras entre realidade e sonho, presente e passado, convidando o espectador a uma jornada auditiva única.

Visão de Futuro: Manutenção e Revisitação de Espaços

Apesar do contínuo crescimento de seu acervo, que hoje conta com mais de 800 obras de 50 artistas de 18 países, distribuídas em 140 hectares de visitação, Inhotim não prevê a construção de novas galerias até 2030. Paula Azevedo explica que o foco principal é o imenso desafio de manutenção das edificações e da infraestrutura existente. A estratégia, portanto, concentra-se em "olhar para o que já temos que tem uma potência enorme e revisitar", como já foi feito no pavilhão da artista Claudia Andujar e agora se estende ao de Cildo Meireles, otimizando e ressignificando espaços já consagrados.

" "

A Arte como Experiência Transformadora

A capacidade da arte de provocar reflexão e transformação é um dos pilares da experiência Inhotim. A educadora física Karine dos Santos Reis, de 49 anos, moradora do Rio de Janeiro, expressou sua admiração após uma visita de dois dias, destacando a profundidade da experiência: "A arte desengessa o teu pensamento. Você chega com uma ideia e sai com outra. Está sendo uma experiência transformadora".

Entre as obras que mais a impactaram estão <i>Lama Lâmina</i>, de Matthew Barney, que apresenta gomos geodésicos em aço e vidro abrigando um trator com uma árvore esculpida, e <i>Sonic Pavillion</i>, de Doug Aitken, uma instalação a céu aberto que capta os murmúrios da terra por meio de microfones ultrassensíveis em um poço de 202 metros de profundidade, transformando os sons do subsolo em uma sinfonia única.

Legado e Continuidade

Os 20 anos do Instituto Inhotim são um testemunho de uma visão audaciosa que soube integrar arte, paisagismo e responsabilidade socioambiental de maneira exemplar. As celebrações em curso não apenas revisitam uma trajetória de sucesso, mas também apontam para um futuro de constante evolução, onde a valorização do acervo existente, a curadoria de novas experiências e a manutenção de sua infraestrutura se unem para garantir que o museu continue a ser um espaço de descoberta e inspiração para as próximas gerações.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br