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Feira do Livro da Rocha: Celebrando o Bem-Viver e a Memória Negra no Coração do Bixiga

A vibrante cena cultural de São Paulo foi palco, recentemente, da 2ª edição da Feira do Livro da Rocha. Realizado no tradicional bairro do Bixiga, o evento ofereceu uma programação rica e gratuita, dedicada à literatura e à valorização da identidade local. Ao longo de três dias, a iniciativa transformou a Rua Rocha, que lhe dá nome, em um efervescente polo literário, reunindo um público diverso em torno de histórias e debates.

O 'Bem-Viver' como Norte e a Essência Comunitária do Bixiga

Esta edição da Feira do Livro da Rocha teve como eixo central o conceito de 'bem-viver', uma filosofia enraizada nas cosmovisões dos povos originários. Mais do que um tema, o 'bem-viver' permeou a atmosfera do evento, conectando-se intrinsecamente à memória e ao modo de vida do bairro. Felipe Roth Faya, um dos organizadores, explicou a relevância dessa escolha: “É uma concepção de entender que a gente também é natureza, e de que a gente tem que respeitar os outros, a diversidade, o meio ambiente.” Ele destacou, ainda, como o Bixiga mantém vivas essas raízes: “O Bixiga é um bairro que preserva um modo de vida que vem desde a época do quilombo Saracura, no território aqui à beira do Rio Saracura… que preserva esse modo de vida comunitário em que a gente se conhece, conversa com os vizinhos, se ajuda. Tudo isso a gente procura transmitir aqui na feira”.

Thereza Santos: Um Legado de Luta e Resistência Homenageado

Um dos pontos altos da feira foi a homenagem à renomada escritora feminista e ativista do Movimento Negro, Thereza Santos. Sua trajetória de vida e sua contribuição inestimável para a cultura e a luta antirracista foram celebradas de diversas formas. Os visitantes puderam mergulhar em sua obra através de uma exposição dedicada, assistir ao documentário 'Malunga' e participar de mesas de conversa que aprofundaram seu pensamento e legado. Felipe Roth Faya reforçou a importância de Thereza, revelando sua profunda ligação com o bairro e o país: “Carioca, trabalhou na Mangueira, muito ligada ao carnaval. Veio pra São Paulo e aqui fundou um Centro Cultural no Bixiga, onde, depois foi fundado o MNU, o Movimento Negro Unificado. Então, a Thereza foi moradora do Bixiga e é nossa homenageada”.

Programação Diversificada: Da Formação Literária aos Passeios Culturais

Com a participação de mais de 60 editoras e livrarias, a feira ofereceu cerca de 70 atividades, garantindo uma experiência rica para todos os públicos. Além dos tradicionais bate-papos com escritores e aulas abertas, o evento se destacou pela 'Jornada Literária', uma iniciativa focada em fomentar a escrita criativa entre estudantes de escolas públicas da região. Paralelamente, foram organizados roteiros especiais que convidavam os participantes a explorar o Bixiga, desvendando pontos do bairro relacionados à literatura e realizando uma imersão na rica herança afro-brasileira local. As crianças também tiveram seu espaço, com atividades lúdicas como os lançamentos da personagem Abayomi, da escritora Maria Aline Soares, que incluíram contação de histórias e oficinas de bonecas, estimulando a imaginação e a representatividade.

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Organizada pela Livraria Simples em colaboração com diversas entidades locais, a 2ª Feira do Livro da Rocha reafirmou seu papel como um espaço vital para a promoção da literatura, a valorização da cultura afro-brasileira e o incentivo ao pensamento comunitário e sustentável. O evento não apenas celebrou a palavra escrita, mas também a alma de um bairro que pulsa história e diversidade, deixando um legado de inspiração e conhecimento para a comunidade paulistana. A programação completa pode ser consultada no site feiradolivrodarocha.com.br.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br