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Ex-Governador Cláudio Castro Sob Investigação da PF em Operação Contra Fraudes da Refit

A Polícia Federal deflagrou nesta sexta-feira (15) a Operação Sem Refino, com o objetivo de desmantelar um intrincado esquema de gestão fraudulenta, crimes de comercialização de combustíveis, lavagem de dinheiro e evasão de divisas, que teria sido orquestrado por meio da Refinaria de Manguinhos, conhecida como Refit. As investigações apontam para um suposto envolvimento do ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), no favorecimento e proteção dos interesses do grupo Refit, desencadeando uma série de diligências que abalaram o cenário político e empresarial do estado.

Detalhes da Operação e Mandados Cumpridos

A Operação Sem Refino, autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), culminou no cumprimento de diversos mandados de busca e apreensão. Os alvos incluíram a sede da Refit, uma empresa coligada e as residências de Cláudio Castro, além de outras onze pessoas. Durante as buscas, foram apreendidos um celular e um tablet pertencentes ao ex-governador, equipamentos que agora serão periciados em busca de provas. Um dos desdobramentos mais notáveis foi a descoberta de R$ 500 mil em espécie, acondicionados em uma caixa de sapatos, na residência de um policial civil, evidenciando a dimensão da rede que está sendo investigada.

O Papel de Cláudio Castro e as Acusações Contra a Refit

A linha de investigação central foca na atuação de Cláudio Castro para blindar e beneficiar os interesses do grupo Refit. Esta acusação surge em um momento em que o ex-governador já havia renunciado ao seu mandato para concorrer ao Senado, mas teve sua candidatura barrada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) por abuso de poder econômico, um histórico que adiciona complexidade à situação atual. O cerne do esquema aponta para fraudes na produção e importação de combustíveis, facilitadas por agentes públicos, com o intuito de sonegar tributos e garantir o funcionamento irregular da refinaria.

A Refit, por sua vez, é uma das maiores refinarias do país e carrega um extenso histórico de envolvimento em investigações de crime organizado. Além disso, a empresa detém o título de maior devedora contumaz do Brasil, com um passivo fiscal que ultrapassa a impressionante marca de R$ 52 bilhões, o que sublinha a magnitude das irregularidades financeiras sob apuração. O empresário Ricardo Magro, proprietário da Refit, teve sua prisão decretada, mas encontra-se foragido nos Estados Unidos, levando à autorização para sua inclusão na lista vermelha da Interpol, visando viabilizar sua extradição.

Envolvimento de Agentes Públicos e Desdobramentos Adicionais

A Operação Sem Refino revelou uma profunda infiltração do esquema em diferentes esferas do poder público. Sete pessoas foram afastadas de suas funções, incluindo servidores públicos do estado do Rio de Janeiro e agentes das polícias Federal e Civil, indicando uma ampla rede de colaboração para as atividades ilícitas. Entre os alvos, figura também o desembargador Guaraci Viana, do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, que foi alvo de busca e apreensão em sua residência. Viana é investigado por proferir decisões judiciais que teriam favorecido a Refit, embora já estivesse afastado de seu cargo por determinação do Conselho Nacional de Justiça, em um caso anterior que já sinalizava possíveis condutas irregulares.

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As Defesas dos Acusados

Diante das graves acusações, as defesas dos envolvidos começam a se manifestar. A assessoria jurídica de Cláudio Castro declarou que todos os procedimentos adotados durante sua gestão obedeceram rigorosamente aos critérios técnicos e à legislação vigente. Paralelamente, o grupo Refit, por meio de sua defesa, informou que suas questões tributárias estão sendo devidamente discutidas tanto na esfera judicial quanto na administrativa, e que a companhia jamais falsificou declarações fiscais para obter quaisquer vantagens indevidas. Até o momento, a reportagem não obteve contato com as defesas do desembargador Guaraci Viana e do empresário Ricardo Magro, que deverão apresentar suas versões dos fatos à medida que as investigações avançam.

A Operação Sem Refino representa um importante passo no combate a complexos esquemas de corrupção e lavagem de dinheiro que parecem ter ramificações significativas no Rio de Janeiro. As investigações prosseguirão para desvendar completamente a extensão das fraudes, a participação de cada envolvido e a recuperação dos valores desviados, prometendo novos capítulos neste desenrolar judicial e político.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br