© Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados e Lula Marques/Agência Brasil

Documentos Contradizem Eduardo Bolsonaro e o Colocam como Produtor Executivo de Filme sobre o Pai

Uma recente investigação do Intercept Brasil lançou luz sobre o papel de Eduardo Bolsonaro (PL-SP) na produção de um longa-metragem sobre a vida de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. Contratos e diálogos obtidos pela reportagem, divulgados nesta sexta-feira (15), apontam Eduardo Bolsonaro como produtor executivo do filme, com suposta autoridade sobre movimentações financeiras ligadas ao projeto. Essas informações contradizem declarações anteriores do ex-deputado, que havia afirmado não ter exercido função de gestão ou vínculo empregatício com o fundo de investimentos da produção, limitando-se a ceder direitos de imagem da família.

O Contrato Revelador e Suas Implicações

O contrato de produção, datado de novembro de 2023 e assinado digitalmente por Eduardo Bolsonaro em 30 de janeiro de 2024, detalha a estrutura por trás da obra cinematográfica. Segundo o documento, a empresa Go Up Entertainment, com sede nos Estados Unidos, figura como a produtora principal. Paralelamente, o próprio Eduardo Bolsonaro e o deputado federal Mario Frias são nominalmente designados como responsáveis pela produção executiva. A relevância desta designação reside na suposta atribuição de controle sobre as finanças do projeto, aspecto que levanta questionamentos diretos sobre as afirmações prévias do ex-parlamentar acerca de sua mera participação na cessão de direitos de imagem.

A Contestação de Eduardo Bolsonaro: Investimento Pessoal e Saída da Direção

Em resposta às revelações, Eduardo Bolsonaro utilizou suas redes sociais para refutar as alegações divulgadas pelo Intercept. Ele negou veementemente ter recebido recursos de Daniel Vorcaro, proprietário do banco Master, ou de qualquer fundo ligado ao projeto. O ex-deputado explicou que realizou um investimento pessoal inicial de US$ 50 mil para dar partida à produção do filme, valor que, segundo ele, foi posteriormente ressarcido. Bolsonaro afirmou ter deixado a direção executiva da produção após este investimento inicial, enfatizando que os recursos recebidos como reembolso eram o seu próprio dinheiro, sem vínculo com o fundo de investimentos mencionado. Ele destacou a importância desse aporte para viabilizar a fase inicial do projeto, assumindo 'cem por cento do risco'.

A Trama Financeira Mais Ampla: Envolvimento de Flávio Bolsonaro e Fundos no Exterior

A controvérsia em torno do filme, intitulado 'Dark Horse', expande-se para além do papel de Eduardo Bolsonaro, envolvendo suspeitas mais amplas sobre a origem e o destino dos recursos. Reportagens do Intercept, veiculadas desde quarta-feira (13), sugerem que o senador e pré-candidato à presidência, Flávio Bolsonaro, irmão de Eduardo, teria negociado aproximadamente US$ 24 milhões – o equivalente a R$ 134 milhões – com Daniel Vorcaro para financiar a produção. Deste montante, cerca de R$ 61 milhões teriam sido efetivamente pagos pelo banqueiro.

A investigação detalha ainda que parte desses fundos teria sido transferida pela empresa Entre Investimentos e Participações, que atuava em colaboração com companhias de Vorcaro, para o fundo 'Havengate Development Fund LP', registrado no Texas. Este fundo, por sua vez, é apontado como controlado por Paulo Calixto, um nome com histórico de atuação como advogado de Eduardo Bolsonaro. Diante dessas informações, Flávio Bolsonaro limitou-se a declarar, nesta sexta-feira, que não vê motivos para se justificar perante ninguém.

" "

Buscas por Esclarecimento e o Silêncio dos Envolvidos

Até o fechamento da reportagem original, a equipe de jornalismo tentou contato com Paulo Calixto e o deputado federal Mario Frias, mas não obteve retorno. A ausência de manifestação desses envolvidos adiciona uma camada de incerteza às complexas questões financeiras e gerenciais que cercam a produção do filme sobre o ex-presidente.

As revelações do Intercept Brasil continuam a desvendar as intricadas relações entre figuras políticas proeminentes e o financiamento de projetos audiovisuais, levantando importantes debates sobre transparência e responsabilidade no uso de recursos. A contradição entre os documentos e as declarações públicas de Eduardo Bolsonaro, somada às alegações sobre a movimentação de vultosos valores em fundos externos, mantém o caso sob intenso escrutínio.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br