© Gustavo Moreno/STF

Supremo Tribunal Federal Mantém Prisão de Deputado e Limita Ação da Alerj

A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) confirmou, por unanimidade, a manutenção da prisão do deputado estadual Thiago Rangel (Avante), em uma decisão que estabelece um precedente significativo ao impedir que a Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) reverta a medida cautelar. A deliberação, ocorrida nesta quinta-feira (7), referenda o entendimento inicial do ministro Alexandre de Moraes, relator do caso, e impacta diretamente a autonomia legislativa em situações envolvendo parlamentares investigados.

O Contexto da Operação 'Unha e Carne'

A detenção de Thiago Rangel ocorreu na terça-feira anterior (5), no âmbito da quarta fase da Operação 'Unha e Carne', conduzida pela Polícia Federal. As investigações buscam desvendar supostas irregularidades e fraudes em contratos relacionados a aquisições da Secretaria de Educação do estado do Rio de Janeiro. A operação aponta para um complexo esquema de desvio de recursos públicos, que resultou na ordem de prisão preventiva do parlamentar.

A Deliberação Unânime da Suprema Corte

Na sessão que analisou o pedido de manutenção da prisão, o colegiado do STF não apenas referendou a ordem de custódia expedida por Alexandre de Moraes, mas também chancelou a vedação expressa à revisão da decisão pela Alerj. Além do relator, os ministros Flávio Dino, Cristiano Zanin e Cármen Lúcia acompanharam integralmente o voto pela manutenção da prisão e pela restrição de autonomia da Assembleia Legislativa Fluminense neste caso específico, fortalecendo a tese de que a casa parlamentar não deveria intervir.

Autonomia Legislativa Questionada e o Argumento do STF

A Constituição do Estado do Rio de Janeiro prevê que, após a prisão de um parlamentar, a Assembleia Legislativa tem um prazo de 24 horas para deliberar em sessão sobre a manutenção ou revogação da medida. Contudo, o ministro Alexandre de Moraes argumentou que essa regra não poderia ser aplicada automaticamente ao caso de Thiago Rangel, justificando que tal aplicação seria 'irrazoável, desproporcional e inadequada' frente à gravidade das acusações.

Moraes fundamentou sua decisão na preocupação de que a flexibilização dessa prerrogativa, em situações como a investigada, poderia desvirtuar o propósito constitucional e servir para a 'perpetuação de impunidade de verdadeiras organizações criminosas infiltradas no seio do Poder Público'. Essa visão foi integralmente endossada pelos demais membros da Primeira Turma, estabelecendo um importante precedente na interpretação da imunidade parlamentar e das prerrogativas legislativas em face de investigações criminais.

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A Posição da Defesa do Deputado

Em um comunicado à imprensa divulgado após a prisão, a defesa do deputado Thiago Rangel reiterou a negativa do parlamentar em relação à prática de quaisquer atos ilícitos. A nota informa que o deputado está à disposição das autoridades para prestar todos os esclarecimentos necessários no decorrer das investigações, pedindo cautela e alertando contra conclusões precipitadas antes da completa análise dos elementos que embasaram a medida cautelar da Polícia Federal.

Com a decisão do Supremo Tribunal Federal, o deputado Thiago Rangel permanece sob custódia, e a prerrogativa da Alerj de revisar prisões de seus membros foi significativamente reavaliada neste contexto. O caso segue em investigação pela Polícia Federal, que apura as alegadas fraudes na Secretaria de Educação, enquanto a defesa se prepara para os próximos passos legais na busca pela elucidação dos fatos.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br