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Oito anos sem Marielle Franco: luta por justiça e memória viva

Neste 14 de março de 2026, o Brasil e o mundo relembram oito anos de um crime que abalou as estruturas democráticas do país: o assassinato brutal da vereadora Marielle Franco e de seu motorista, Anderson Gomes. A data marca não apenas a dor da perda e a saudade de uma voz potente, mas também a persistência incansável na busca por justiça e a reafirmação de um compromisso inabalável com a memória de ambos. Oito anos após a emboscada que tirou suas vidas no centro do Rio de Janeiro, o clamor por respostas e pela punição de todos os envolvidos continua a ecoar em manifestações, atos culturais e solenidades por todo o país. A trajetória de Marielle Franco como defensora dos direitos humanos e voz das minorias sociais se tornou um símbolo de resistência e inspiração, impulsionando a sociedade civil a não permitir que o crime caia no esquecimento. A cada ano, a lembrança de Marielle e Anderson se fortalece, transformando a dor em combustível para a luta por um país mais justo e equitativo, onde a vida e a democracia sejam valores inegociáveis e a impunidade não prevaleça.

A memória viva e a luta por justiça

O oitavo aniversário do assassinato de Marielle Franco e Anderson Gomes é marcado por uma série de eventos que reforçam a luta por justiça e a manutenção da memória dos dois. A programação teve início logo pela manhã, com uma missa solene realizada na Igreja Nossa Senhora do Bom Parto, localizada no centro da cidade do Rio de Janeiro, às 10h. O ato religioso, que tradicionalmente abre as celebrações da data, reuniu familiares, representantes de movimentos sociais e organizações de direitos humanos, todos unidos na reafirmação do compromisso com a vida e a democracia.

O clamor de Luiara Franco e a força da persistência

Luiara Franco, filha de Marielle, expressou a permanência da saudade de sua mãe, uma ausência que, segundo ela, ganha novos significados a cada ano. Contudo, Luiara também destacou a força que emerge desses momentos de lembrança, percebendo que a caminhada por justiça, embora dolorosa e longa, não tem sido em vão. “A reafirmação de que valeu a pena a nossa coragem, a nossa força, insistir, cobrar e não deixar esse crime cair no esquecimento”, afirmou. A filha da vereadora ressaltou que, embora nada possa apagar a ausência de sua mãe e de Anderson, a certeza de que a luta continua é um alento. “O que fica é a certeza que a gente vai seguir honrando a memória dela, a memória do Anderson, vai seguir lutando por justiça, né, para outros casos também. Lutar pela minha mãe e pelo Anderson significa esse compromisso com a vida, com a democracia e para que nenhuma outra família precise esperar tantos anos por respostas.” Suas palavras ecoam o sentimento de muitos que veem no caso Marielle um ponto crucial na defesa dos direitos humanos no Brasil.

“Março por Marielle e Anderson”: uma agenda de resistência

A missa é apenas um dos pontos da vasta programação do “Março por Marielle e Anderson”, uma agenda que engloba atos públicos, atividades culturais e momentos de memória espalhados por diversos espaços da cidade. Essa iniciativa demonstra a amplitude e a capilaridade do movimento que se formou em torno da causa, engajando diferentes setores da sociedade em uma reflexão contínua sobre os legados de Marielle e Anderson e a importância de não ceder à impunidade. Os eventos visam a fortalecer a rede de apoio e solidariedade, mantendo viva a chama da indignação e da esperança por um futuro mais justo. A mobilização serve como um lembrete constante de que a sociedade está vigilante e não aceitará que crimes políticos fiquem sem a devida punição de todos os envolvidos.

Eventos culturais e políticos em homenagem

Além das homenagens religiosas e dos discursos de familiares, a data é marcada por importantes eventos culturais e políticos que buscam celebrar a vida e o legado de Marielle Franco. Essas iniciativas visam não apenas a recordar o passado, mas também a inspirar o presente e o futuro, transformando a dor em arte, reflexão e mobilização.

Exposição “Mulher Raça – O Legado de Marielle Franco” no CCBB

No mesmo dia 14 de março, mas às 16h, foi inaugurada a exposição “Mulher Raça – O Legado de Marielle Franco” no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), um dos mais importantes espaços culturais do centro do Rio. A mostra se propõe a mergulhar na trajetória política e pessoal de Marielle, destacando sua atuação incansável em defesa dos direitos humanos, da comunidade LGBTQIA+, das mulheres negras e dos moradores de favelas. A exposição é uma oportunidade de o público conhecer mais a fundo as ideias e a militância que fizeram de Marielle uma figura tão relevante. Por meio de documentos, fotografias, vídeos e instalações artísticas, “Mulher Raça” busca traçar um panorama de sua vida e do impacto de seu trabalho, reafirmando que seu legado transcende a tragédia de sua morte e continua a influenciar gerações na luta por justiça social e igualdade. A escolha do CCBB como local reforça a importância cultural e social do tema.

Festival Justiça por Marielle e Anderson no Circo Voador

A mobilização se estende para além do dia 14 de março. Amanhã, a agenda do “Março por Marielle e Anderson” continua com mais uma edição do “Festival Justiça por Marielle e Anderson”, que será realizado no emblemático Circo Voador, no bairro da Lapa, também na região central carioca. Este evento político-cultural já se consolidou como um ponto de encontro para artistas, movimentos sociais e apoiadores da luta por justiça. O festival combina apresentações musicais, performances artísticas, debates e intervenções, criando um espaço de celebração da vida de Marielle e Anderson, ao mesmo tempo em que se reitera a exigência por respostas e punição dos responsáveis. A presença de diversos artistas engajados demonstra a união da classe cultural em torno da causa, utilizando a arte como ferramenta de protesto, conscientização e memória, garantindo que o nome de Marielle Franco permaneça como um grito por justiça e um símbolo de esperança para a democracia brasileira.

A busca incessante por justiça e as condenações

A tragédia que tirou a vida de Marielle Franco e Anderson Gomes, ocorrida em uma emboscada na noite de 14 de março de 2018, desencadeou uma das mais complexas e demoradas investigações da história recente do Brasil. O clamor por justiça, que por anos pareceu distante, começou a se materializar com a identificação e condenação de alguns dos envolvidos no crime.

Os executores e suas penas

Os primeiros passos significativos em direção à justiça foram dados com a condenação dos executores diretos do assassinato. Ronnie Lessa, ex-policial militar, acusado de ser o atirador, e Élcio de Queiroz, ex-policial militar, que dirigia o carro no dia do crime, foram condenados em 2024. As sentenças impostas foram severas, com Lessa recebendo uma pena de mais de 78 anos de prisão e Queiroz, mais de 59 anos. Essas condenações representaram um avanço crucial na elucidação do caso, confirmando a materialidade do crime e identificando aqueles que puxaram o gatilho. A decisão judicial foi recebida com um misto de alívio e a persistente certeza de que a cadeia completa de responsabilidades precisava ser alcançada.

A identificação e condenação dos mandantes

O ponto de virada mais significativo na busca por justiça ocorreu mais recentemente, com a identificação e condenação dos mandantes do crime. Os irmãos Domingos e Chiquinho Brazão, figuras proeminentes na política do Rio de Janeiro, foram condenados em fevereiro de 2026. A sentença impôs a Domingos e Chiquinho Brazão penas de 76 anos e 3 meses de prisão, a serem cumpridas em regime inicial fechado. A conclusão das investigações e a consequente condenação dos mandantes trouxeram um desfecho aguardado por anos, reafirmando a importância da persistência e da pressão social na busca por respostas. A decisão representa um marco importante na luta contra a impunidade de crimes políticos e na defesa da democracia e dos direitos humanos no Brasil. Contudo, a mobilização da sociedade civil continua, vigilante para que todas as instâncias da justiça sejam cumpridas e para que o legado de Marielle Franco continue a inspirar a construção de um país mais equitativo e seguro para todos.

O legado de Marielle e a perenidade da luta

O oitavo ano sem Marielle Franco e Anderson Gomes não é apenas uma data para recordar uma tragédia, mas um momento de reafirmar a importância inabalável de seus legados. A luta por justiça, que culminou nas recentes condenações de executores e mandantes, demonstra a capacidade de uma sociedade organizada de exigir respostas e combater a impunidade. O “Março por Marielle e Anderson”, com sua vasta programação de eventos religiosos, culturais e políticos, é a prova viva de que a memória de Marielle Franco, mulher negra, favelada e lésbica, voz incansável em defesa dos direitos humanos, permanece mais relevante do que nunca. Seu compromisso com a vida, a democracia e a justiça social inspira milhões de pessoas a não se calarem diante das injustiças e a seguirem honrando sua trajetória. O grito que ecoa em manifestações e eventos é um compromisso coletivo para que nenhuma outra família precise esperar tantos anos por respostas e para que a violência política não encontre solo fértil em nosso país. A luta por Marielle e Anderson é a luta pela garantia de um futuro onde a democracia seja plena e a voz dos oprimidos seja sempre ouvida e respeitada.

Perguntas frequentes

Quem foi Marielle Franco e por que seu assassinato gerou tanta comoção?
Marielle Franco foi uma socióloga, ativista dos direitos humanos e vereadora do Rio de Janeiro pelo PSOL. Sua atuação se destacava pela defesa das mulheres negras, da população LGBTQIA+, dos moradores de favelas e pela denúncia da violência policial. Seu assassinato, em 14 de março de 2018, junto ao seu motorista Anderson Gomes, gerou comoção global por ser um crime político contra uma figura pública engajada, levantando questionamentos sobre a fragilidade democrática e a impunidade no Brasil.

Quais são os principais eventos que marcaram os 8 anos do assassinato de Marielle e Anderson?
As homenagens em 2026 incluíram uma missa na Igreja Nossa Senhora do Bom Parto, a abertura da exposição “Mulher Raça – O Legado de Marielle Franco” no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), e o “Festival Justiça por Marielle e Anderson” no Circo Voador. Esses eventos fazem parte da programação “Março por Marielle e Anderson”, que reúne diversas atividades para manter viva a memória e a luta por justiça.

Quem foram os condenados pelo assassinato de Marielle Franco e Anderson Gomes?
Os executores diretos do crime, Ronnie Lessa (atirador) e Élcio de Queiroz (motorista), foram condenados em 2024 a penas de prisão de mais de 78 e 59 anos, respectivamente. Em fevereiro de 2026, os mandantes, os irmãos Domingos e Chiquinho Brazão, foram condenados a 76 anos e 3 meses de prisão em regime inicial fechado, marcando um avanço significativo na elucidação completa do caso.

Para se aprofundar na história e no legado de Marielle Franco, participe dos eventos e acompanhe as discussões sobre direitos humanos e justiça no Brasil. Sua voz continua a inspirar a construção de um país mais justo e democrático.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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