A Câmara Municipal de Ribeirão Preto (SP) decidiu, em sessão realizada nesta segunda-feira (2), rejeitar o prosseguimento de um processo por quebra de decoro parlamentar contra o vereador André Rodini (Novo). A medida foi tomada após um ex-assessor do parlamentar apresentar uma denúncia formal, alegando que Rodini proferiu uma fala considerada pejorativa e discriminatória contra pessoas pobres em um grupo de mensagens. A acusação central gira em torno da expressão “pobre fazendo pobrice”, que teria sido utilizada pelo vereador ao comentar sobre a distribuição gratuita de bolo durante a comemoração de aniversário do Mercado Municipal, em setembro do ano passado. A discussão do caso ocorreu de forma virtual, antecedendo a votação das pautas da primeira sessão ordinária do ano, devido a obras na sede do Legislativo municipal. A decisão de não levar o caso ao Conselho de Ética da Casa marca o encerramento desta controvérsia no âmbito legislativo.
A denúncia e a origem da controvérsia
A representação contra o vereador André Rodini foi protocolada na Câmara Municipal em 15 de janeiro deste ano por Alexandre Meirelles Nogueira, que anteriormente atuou como assessor do parlamentar. De acordo com a denúncia, o vereador teria manifestado uma conduta discriminatória, enquadrada como “aporofobia” – ojeriza ou desprezo pelos pobres –, ao comentar o evento de distribuição de bolo para celebrar os 125 anos do Mercadão Municipal, ocorrido em setembro de 2023.
O teor da mensagem e a acusação de aporofobia
No centro da acusação está uma mensagem atribuída ao vereador em um grupo de WhatsApp, destinada a membros de seu próprio gabinete. Segundo o denunciante, Rodini teria escrito: “Vai ter pobre fazendo pobrice lá pegando bolo com balde?”. Essa frase, conforme consta no documento protocolado, surgiu em um diálogo interno que tratava da agenda oficial do parlamentar e de oportunidades para interagir com a população. Dois dias após a referida mensagem ser enviada, Alexandre Nogueira afirma ter alertado o vereador sobre o caráter inadequado e imoral do texto. O ex-assessor também questionou o impacto de um possível vazamento da fala para a mídia. Prints de mensagens apresentados indicam que Rodini teria respondido que, caso houvesse vazamento, isso se daria por intenção de algum membro do grupo, defendendo que assuntos internos do gabinete seriam de interesse exclusivo da equipe.
A defesa do parlamentar e o trâmite na Câmara
Durante a sessão que deliberou sobre a denúncia, o vereador André Rodini teve a oportunidade de apresentar sua defesa perante os colegas parlamentares. Ele argumentou que a fala em questão foi proferida em tom de brincadeira e em um ambiente que considerava fechado de trabalho, não tendo a intenção de ofender ou discriminar. Ao solicitar o apoio dos demais vereadores, Rodini enfatizou que a representação carecia de importância e que um eventual processo poderia prejudicar não apenas sua imagem, mas também a reputação do trabalho desenvolvido por todos os membros da Câmara.
A votação dos vereadores e o arquivamento do caso
Após a leitura da denúncia e a manifestação de defesa do vereador, os parlamentares procederam à votação sobre o acolhimento do pedido para instauração de processo por quebra de decoro. Por ampla maioria, com 16 votos contrários à abertura do processo e apenas 3 votos favoráveis, a Câmara de Ribeirão Preto decidiu negar a solicitação do ex-assessor. Com o resultado da votação, o caso não será encaminhado ao Conselho de Ética da Casa, o que implica no arquivamento da denúncia no âmbito legislativo. Após a decisão, Rodini expressou seu alívio e satisfação com o resultado. “Todos entenderam a falta de importância que tem uma representação como essa, que pode vir a prejudicar não só a minha imagem como a de todo o trabalho que nós vereadores desenvolvemos aqui na Casa”, declarou o parlamentar, reforçando a ideia de que a denúncia não possuía fundamento suficiente para prosseguir.
Desdobramentos e as versões em confronto
A denúncia apresentada pelo ex-assessor Alexandre Meirelles Nogueira não apenas trouxe à tona a controversa fala do vereador, mas também expôs um conflito subjacente entre os dois. No documento protocolado na Câmara, Nogueira afirma que dois dias após o episódio da mensagem sobre a distribuição de bolo, ele foi procurado pelo vereador e solicitado a deixar o cargo de assessor. Sua saída do gabinete ocorreu no início de novembro do ano passado. Em sua defesa, André Rodini apresentou uma versão divergente para a demissão de seu ex-funcionário. O parlamentar alegou que a fala não foi direcionada a nenhuma pessoa específica, tampouco ao Mercado Municipal como instituição. Além disso, Rodini defendeu que o autor da denúncia havia sido recentemente demitido de seu cargo por baixa produtividade e que a representação protocolada teria como objetivo principal prejudicá-lo politicamente. A versão do vereador sugere, portanto, que a denúncia seria uma retaliação ou uma tentativa de descredibilizar sua imagem pública e seu mandato.
Perguntas frequentes (FAQ)
1. O que motivou a denúncia contra o vereador André Rodini?
A denúncia foi motivada por uma fala do vereador em um grupo de WhatsApp, na qual ele usou a expressão “pobre fazendo pobrice” ao se referir à distribuição de bolo no aniversário do Mercado Municipal.
2. Qual foi o resultado da votação na Câmara de Ribeirão Preto?
Por 16 votos a 3, os vereadores rejeitaram o pedido de abertura de processo por quebra de decoro, arquivando o caso e impedindo que fosse levado ao Conselho de Ética.
3. Qual a relação entre a denúncia e a demissão do ex-assessor?
O ex-assessor Alexandre Meirelles Nogueira, autor da denúncia, foi demitido logo após o episódio da mensagem. Ele alega ter sido advertido pelo vereador, enquanto Rodini afirma que a demissão se deu por baixa produtividade e que a denúncia seria uma retaliação política.
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Fonte: https://g1.globo.com
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