© Acervo IPEN/CNEN

Pesquisas Nucleares da USP Migram Temporariamente para Minas Gerais Após Incidente em Reator

A pesquisa nuclear brasileira, crucial para o avanço científico e tecnológico do país, enfrenta um período de adaptação. Em virtude de um incidente recente no reator de pesquisa IEA-R1, do Instituto de Pesquisas Energéticas Nucleares (Ipen/CNEN), localizado na Universidade de São Paulo (USP), atividades que demandam irradiação de amostras serão temporariamente transferidas. O Centro de Desenvolvimento da Tecnologia Nuclear (CDTN), em Belo Horizonte, assumirá o papel de anfitrião para garantir a continuidade desses importantes estudos.

Indisponibilidade e o Incidente no IEA-R1

O reator IEA-R1, peça fundamental da infraestrutura científica nacional e o de maior potência em operação no Brasil, encontra-se inativo desde o segundo semestre de 2023, originalmente aguardando ajustes e a liberação para retomar suas operações. Essa paralisação se intensificou após um incidente ocorrido em 23 de março, quando um incêndio de pequenas proporções afetou a fiação do seu painel de controle. A equipe do Ipen, com o auxílio do Corpo de Bombeiros, conseguiu conter rapidamente o fogo, assegurando que não houvesse qualquer comprometimento da segurança da instalação. Atualmente, o Ipen/CNEN prossegue com as investigações para determinar as causas do ocorrido e trabalha ativamente na aquisição e reposição dos componentes elétricos danificados da sala de controle.

Solução Provisória para Manter o Ritmo da Ciência

Diante da imprevisibilidade na conclusão dos reparos no IEA-R1, a gerência do Centro de Reatores de Pesquisa do Ipen agiu rapidamente para mitigar os impactos na comunidade científica. Uma medida estratégica foi a ativação do Centro de Desenvolvimento da Tecnologia Nuclear (CDTN), uma unidade técnico-científica da CNEN situada em Belo Horizonte. Esta colaboração permitirá que pesquisadores e estudantes da USP, juntamente com instituições parceiras, possam dar prosseguimento aos seus experimentos que dependem de irradiação de amostras, utilizando o reator IPR-1, disponível na capital mineira.

Logística e Foco na Continuidade Acadêmica

A transferência de experimentos e materiais entre São Paulo e Belo Horizonte requer um planejamento meticuloso, e o Ipen está empenhado em otimizar essa logística. O instituto informou que a coordenação do envio e retorno do material está sendo estudada rigorosamente para assegurar que o avanço das pesquisas não seja interrompido e que o impacto sobre alunos e pesquisadores seja o menor possível. Esta iniciativa reflete o compromisso do Ipen em preservar a dinâmica da pesquisa nuclear no país, minimizando os entraves causados pela situação atual.

Perspectivas Futuras para a Infraestrutura Nuclear Brasileira

Paralelamente aos esforços para a retomada do IEA-R1, o Ipen mantém um plano de ações contínuas para a atualização e modernização de seu reator de pesquisa. Esta estratégia visa garantir a operação eficiente e segura da instalação, especialmente enquanto o Reator Multipropósito Brasileiro (RMB), em Iperó (SP), que representa uma futura expansão significativa para a pesquisa nuclear nacional, não for concluído. A previsão atual para a conclusão do RMB é 2032, sublinhando a importância de manter o IEA-R1 em plena capacidade até lá. Contudo, é importante notar que o Ipen não forneceu informações sobre como a produção de radiofármacos, uma operação também vital e previamente conduzida pela unidade de São Paulo, será afetada ou realocada durante este período.

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A interrupção temporária das atividades no reator IEA-R1, embora desafiadora, demonstra a capacidade de adaptação e a busca por soluções inovadoras da comunidade científica brasileira. A mobilização para transferir as pesquisas para Belo Horizonte reflete o compromisso inabalável com o progresso científico e a formação de novos talentos, assegurando que a ciência nuclear nacional continue avançando mesmo diante de adversidades. A expectativa é que, com os reparos e as futuras atualizações, o IEA-R1 retorne fortalecido, complementando a futura capacidade do RMB.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br