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Não há indícios de fraude em concurso de delegada, afirmam autoridades

ALESP

A capital paulista foi palco de uma operação de grande repercussão nesta sexta-feira (16), quando Layla Lima Ayub, delegada da Polícia Civil de São Paulo recém-empossada, foi presa sob a grave suspeita de advogar para a organização criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC). A prisão ocorreu enquanto Ayub ainda estava em período de estágio probatório e formação na Academia de Polícia, sem ter atuado efetivamente na função policial. As autoridades de segurança pública e o Ministério Público enfatizaram a solidez das provas, que incluem a participação da delegada em uma audiência de custódia no Pará, defendendo lideranças do PCC, mesmo após sua aprovação e posse no concurso público. Este caso levanta sérias questões sobre a integridade das instituições, mas as investigações iniciais apontam para um cenário de cooptacão individual, desvinculando, até o momento, qualquer falha no processo seletivo da Polícia Civil.

Delegada recém-aprovada presa por suspeita de ligação com o PCC

A notícia da prisão de Layla Lima Ayub chocou o meio jurídico e a segurança pública paulista. A jovem, que havia sido aprovada em dezembro de 2023 para o cargo de delegada da Polícia Civil de São Paulo, foi detida na manhã de uma sexta-feira, em São Paulo, por suposto envolvimento com o Primeiro Comando da Capital (PCC). Segundo informações divulgadas pela Secretaria de Segurança Pública (SSP) de São Paulo, Layla ainda se encontrava na fase de formação na Academia de Polícia, cumprindo o estágio probatório inerente à função, e não havia iniciado suas atividades como delegada em campo.

O flagrante e as primeiras informações

O ponto crucial da investigação que levou à sua prisão reside na sua atuação como advogada em uma audiência de custódia no estado do Pará, onde representou lideranças do PCC. Esta ação é considerada ilegal para alguém já empossado como delegado, mesmo que em estágio probatório. A prática configura um conflito de interesses e uma clara violação dos deveres éticos e legais inerentes à carreira policial. João Batista Palma Beolchi, corregedor-geral da Polícia Civil de São Paulo, afirmou que a prova contra Layla é “robusta e já está produzindo efeitos”, destacando a relevância de sua participação em tal audiência após o início de seu curso de formação para a Polícia Civil.

O estágio probatório e a atuação como advogada

Osvaldo Nico Gonçalves, secretário de Segurança Pública de São Paulo, reforçou em coletiva de imprensa que Layla Ayub havia sido aprovada recentemente no concurso para delegada e que, até então, não havia qualquer registro que a desabonasse. A situação de estágio probatório, na qual um servidor público é avaliado para confirmar sua aptidão para o cargo, coloca um foco ainda maior sobre o caso, evidenciando a importância da vigilância contínua sobre novos integrantes das forças de segurança. A detida já havia tomado posse, mas sua atuação se resumia ao período de formação acadêmica, um momento em que a conduta dos futuros policiais é observada de perto.

A investigação e o posicionamento das autoridades

As investigações prosseguem e apontam para um cenário mais complexo do que uma mera atuação irregular como advogada. Detalhes emergiram que sugerem um envolvimento ainda mais profundo da delegada com a facção criminosa. A Polícia Civil, a Corregedoria-Geral da Polícia Civil do Estado de São Paulo e os Ministérios Públicos de São Paulo e do Pará estão colaborando para desvendar todas as ramificações do caso.

A robustez das provas e o envolvimento amoroso

De acordo com as apurações, Layla Ayub também manteria um relacionamento amoroso com um integrante do PCC, que se encontrava em liberdade condicional. Ambos foram presos em uma pensão na capital paulista, onde residiam juntos, intensificando as suspeitas de uma ligação íntima e estrutural com a organização criminosa. Essa conexão pessoal reforça a hipótese de uma cooptacão direta e aprofundada, transformando o que poderia ser visto como um deslize profissional em um envolvimento criminoso grave, com potenciais implicações para a segurança pública. O promotor Carlos Gaya explicou que “ela, sendo advogada, foi cooptada no curso da atividade dela como advogada no Pará. Circunstancialmente, foi aprovada no concurso de delegada de polícia e isso seria um risco concreto para a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo. Mas ela logo foi identificada”.

Sem indícios de fraude no concurso

Uma das preocupações imediatas que surgiram com a prisão da delegada foi a possibilidade de fraude no concurso público que a aprovou. Contudo, as autoridades foram categóricas em afirmar que não há indícios de irregularidades no processo seletivo. “Não há qualquer indício de fraude em concurso”, assegurou o promotor Carlos Gaya. As investigações indicam que a cooptacão de Layla pelo PCC teria ocorrido enquanto ela ainda exercia a advocacia, antes ou durante o período de transição para a carreira policial, mas não como resultado de uma falha no sistema de seleção. A aprovação no concurso e a posse teriam se dado de forma legítima, mas a continuidade de suas atividades como advogada para a facção, mesmo após se tornar delegada em formação, gerou a situação de risco identificada e rapidamente contida pelas autoridades.

Conclusão

A prisão de Layla Lima Ayub representa um golpe significativo contra a criminalidade organizada e um alerta para a constante vigilância necessária dentro das instituições de segurança pública. O caso, embora lamentável, demonstra a eficácia dos mecanismos de controle interno e da colaboração entre diferentes órgãos na identificação e neutralização de ameaças à integridade policial. As autoridades reafirmaram o compromisso com a transparência e a rigidez na apuração dos fatos, garantindo que o episódio, apesar de grave, não macule a reputação de um concurso público realizado com lisura. A ação rápida da Polícia Civil e do Ministério Público minimizou o potencial de risco que a situação representava para a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo.

FAQ

O que Layla Lima Ayub é acusada de fazer?
Layla Lima Ayub é suspeita de advogar para a organização criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) no Pará, mesmo após ter sido aprovada e empossada como delegada da Polícia Civil de São Paulo. Ela também é investigada por suposto envolvimento amoroso com um integrante da facção.

Houve fraude no concurso público para delegada que Layla Ayub prestou?
Não. Segundo as autoridades, incluindo a Corregedoria-Geral da Polícia Civil e o Ministério Público, não há qualquer indício de fraude no concurso público que aprovou Layla Ayub. As investigações apontam que sua cooptacão pelo PCC ocorreu enquanto ela atuava como advogada, antes ou durante seu período de transição para a carreira policial.

Qual é a situação legal atual de Layla Lima Ayub?
Layla Lima Ayub foi presa temporariamente por um período de 30 dias, que pode ser prorrogado por mais 30 dias. Ela deverá responder pelos crimes de lavagem de capitais e por integrar ou participar de organização criminosa.

Como uma delegada em formação pôde se envolver com uma organização criminosa?
As investigações sugerem que Layla Ayub, ainda atuando como advogada, teria sido cooptada por um indivíduo específico ligado ao PCC no Pará. Sua aprovação no concurso para delegada de polícia ocorreu circunstancialmente, e ela teria sido identificada rapidamente pelas autoridades antes que pudesse efetivamente atuar na função policial e representar um risco maior para a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo.

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Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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