Um novo laudo do Instituto Médico Legal (IML) confirmou lesões graves em uma segunda paciente, Leslie Calandra Silveira Gomes, de 67 anos, após um procedimento estético realizado pela dentista Fernanda Borges da Silva, de Ribeirão Preto, São Paulo. A revelação intensifica as investigações sobre a profissional, cuja clínica já se encontra interditada administrativamente desde setembro do ano anterior, devido a sérias irregularidades sanitárias. Leslie, uma professora aposentada de Passos, Minas Gerais, buscou um lifting facial no interior paulista em janeiro deste ano, mas, em vez do resultado esperado, enfrentou um quadro de sangramento intenso, inchaço e inflamação no pescoço. Este caso se soma a outras denúncias, levantando preocupações sobre a segurança dos pacientes e a conduta da dentista.
Novas evidências de lesões graves
O mais recente relatório pericial emitido pelo Instituto Médico Legal atesta a gravidade das complicações sofridas por Leslie Calandra Silveira Gomes, de 67 anos. As conclusões do IML corroboram o relato da paciente e adicionam peso às acusações contra a dentista Fernanda Borges da Silva, já sob escrutínio por procedimentos anteriores. Este é o segundo laudo oficial que valida a existência de lesões sérias em pacientes que buscaram serviços estéticos na clínica da profissional.
O caso de Leslie Calandra Silveira Gomes
Leslie Calandra Silveira Gomes, uma professora aposentada de Passos, Minas Gerais, viajou para o interior de São Paulo em janeiro deste ano com a expectativa de realizar um lifting facial e rejuvenescer sua aparência. No entanto, o procedimento, que ocorreu em 3 de janeiro, rapidamente se transformou em um pesadelo. Dias após a cirurgia, Leslie começou a sentir dores intensas e notou um inchaço significativo e sangramento na região do pescoço.
“Eu estava com uma veia estourada no pescoço. Achei justo ser grave porque eu corri risco de vida”, declarou Leslie, em um relato emocionado. Após a cirurgia, ela retornou para sua cidade e, cinco dias depois, ao perceber a piora dos sintomas, procurou a dentista responsável. Segundo seu depoimento, a profissional minimizou a gravidade dos acontecimentos, descrevendo o sangramento como “uma aguinha que sai entre os pontos” e negando que fosse sangue.
Diante da falta de suporte e da persistência das dores, inchaço e inflamação, Leslie buscou atendimento médico em um pronto-socorro em Passos. Lá, um médico constatou um sangramento intenso na área da cirurgia e, após realizar um curativo, a encaminhou para um tratamento especializado. A professora foi submetida a dez sessões de oxigenoterapia hiperbárica, uma terapia que utiliza oxigênio 100% puro em uma câmara pressurizada para tratar feridas complexas, infecções graves e acelerar a cicatrização. Durante todo o processo de recuperação, os profissionais de saúde que a atenderam tentaram contato com a dentista Fernanda Borges da Silva, buscando informações e suporte, mas não obtiveram retorno. Leslie registrou um boletim de ocorrência e, embora ainda se recupere das sequelas e cicatrizes, sua principal motivação é impedir que novas vítimas sofram o mesmo que ela.
Padrão de denúncias e interdição da clínica
O caso de Leslie Calandra Silveira Gomes não é isolado e se insere em um contexto mais amplo de denúncias contra a dentista Fernanda Borges da Silva. A clínica onde a profissional atendia, localizada no bairro Alto da Boa Vista, em Ribeirão Preto, já estava sob a mira das autoridades e foi interditada administrativamente no ano passado, antes mesmo do procedimento de Leslie. Essa interdição reflete um padrão de irregularidades que vem sendo investigado pelas autoridades competentes.
Relatos anteriores e histórico da profissional
Em setembro do ano passado, a dentista Fernanda Borges já havia sido denunciada pela secretária Silvia Maria Cândido, que também alegou complicações graves após um procedimento estético chamado protocolo Livcontour. As informações apontaram, inclusive, para a possibilidade de deformidade estética permanente neste primeiro caso. Além de Silvia e Leslie, outras mulheres também relataram ter sofrido complicações significativas após cirurgias realizadas pela mesma dentista. Esses relatos, acumulados, sugerem um histórico preocupante de resultados adversos e possíveis falhas na prática profissional, levantando sérias questões sobre a segurança e a qualificação dos serviços oferecidos.
Irregularidades e fiscalização
A interdição da clínica da dentista, que ocorreu em 24 de setembro do ano passado, não foi uma medida arbitrária. Ela foi resultado de uma inspeção da Vigilância Sanitária que constatou “infrações graves à legislação sanitária”. Dentre as irregularidades identificadas, destacam-se o funcionamento sem licença sanitária adequada tanto para atividades de estética quanto para a policlínica odontológica. Além disso, a fiscalização revelou o descumprimento de normas essenciais de controle de infecção, o que representa um risco considerável à saúde dos pacientes. A ausência de uma licença sanitária implica que o local não possuía autorização legal para operar ou atender pacientes nas atividades que estavam sendo realizadas, configurando uma situação de alto risco para a saúde pública e para a integridade dos indivíduos que buscavam os procedimentos.
As investigações em curso e a busca por justiça
Diante do crescente número de denúncias e da gravidade das lesões reportadas, as autoridades competentes mantêm as investigações sobre a conduta da dentista Fernanda Borges da Silva em andamento. O processo busca apurar todas as responsabilidades e garantir que a justiça seja feita para as vítimas, além de prevenir futuras ocorrências semelhantes. A seriedade dos casos e o impacto na vida das pacientes reforçam a necessidade de uma análise rigorosa e transparente.
Desdobramentos legais e posicionamento das autoridades
O Conselho Federal de Odontologia (CFO), órgão responsável pela fiscalização da ética e da prática profissional da odontologia no Brasil, confirmou que o processo que investiga a conduta de Fernanda Borges segue em sigilo. Essa medida é padrão em processos disciplinares, visando preservar a integridade da investigação e das partes envolvidas. Paralelamente, a Vigilância Sanitária reforça que a interdição da clínica permanece, e a profissional só poderá retomar suas atividades mediante a completa regularização e obtenção das licenças necessárias, além da adequação às normas sanitárias. A defesa da dentista foi procurada para comentar as novas denúncias e o laudo do IML, mas não se manifestou até o momento da publicação desta reportagem. A ausência de posicionamento da defesa em meio a alegações tão sérias agrava a percepção pública sobre o caso.
O apelo das vítimas
Enquanto os trâmites legais e investigativos prosseguem, as vítimas buscam reparação e, acima de tudo, a garantia de que a situação não se repetirá. Leslie Calandra Silveira Gomes, mesmo em recuperação, expressou claramente sua esperança: “O que eu espero é que o juiz não deixe ela fazer mais vítimas”. Esse apelo ressoa com a experiência de outras pacientes e sublinha a urgência de uma resolução. A expectativa é que as investigações não apenas responsabilizem quem de direito, mas também sirvam para alertar a população sobre os riscos de procedimentos estéticos realizados sem a devida qualificação e em locais irregulares, promovendo um ambiente mais seguro para a saúde e bem-estar dos consumidores.
Perguntas frequentes (FAQ)
1. Qual a importância do laudo do IML neste caso?
O laudo do Instituto Médico Legal (IML) é crucial porque oferece uma prova técnica e oficial das lesões sofridas pela paciente. Ele atesta a existência, a natureza e a gravidade dos danos físicos, fornecendo uma base pericial sólida para as investigações policiais e os processos judiciais, corroborando o relato da vítima e auxiliando na determinação da responsabilidade.
2. Quais as principais irregularidades encontradas na clínica da dentista?
A Vigilância Sanitária identificou diversas infrações graves, incluindo o funcionamento sem licença sanitária tanto para as atividades de estética quanto para a policlínica odontológica. Além disso, foram constatadas falhas no cumprimento das normas de controle de infecção, o que coloca em risco a saúde e a segurança dos pacientes que frequentavam o estabelecimento.
3. O que é oxigenoterapia hiperbárica e por que Leslie precisou dela?
A oxigenoterapia hiperbárica (OHB) é um tratamento médico que consiste na inalação de oxigênio 100% puro em uma câmara pressurizada, com pressão superior à atmosférica. Leslie Calandra Silveira Gomes precisou desse tratamento devido às graves complicações pós-cirúrgicas, como sangramento intenso, inchaço e infecção. A OHB aumenta a oxigenação dos tecidos, combate bactérias, reduz inflamações e acelera a cicatrização de feridas complexas, sendo vital para sua recuperação.
Se você ou alguém que conhece foi vítima de procedimentos estéticos com complicações ou suspeita de irregularidades, procure orientação legal e denuncie às autoridades competentes. A segurança do paciente é uma prioridade.
Fonte: https://g1.globo.com
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