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INCA Alerta: Indústria Tabagista Luta Contra Proibição de Aditivos que Seduzem Jovens

O Instituto Nacional de Câncer (INCA) realizou um evento no Rio de Janeiro, às vésperas do Dia Mundial sem Tabaco, celebrado em 31 de maio, para lançar um alerta contundente sobre as manobras da indústria tabagista. O objetivo é frear a aplicação de uma resolução da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) que visa coibir o uso de aditivos de sabor e aroma em produtos derivados do tabaco, substâncias que tornam o fumo mais atraente, especialmente para o público jovem.

A Resolução Pioneira da Anvisa e o Cerco aos Aditivos

A norma da Anvisa, promulgada em 2012, posicionou o Brasil como o primeiro país do mundo a proibir aditivos como mentol e açúcares na composição de cigarros e outros produtos de tabaco. A legislação foi elaborada com a finalidade de eliminar elementos que mascaram o sabor amargo característico do tabaco, reconhecidamente um fator que facilita a iniciação ao tabagismo, com foco especial na proteção de adolescentes e crianças. A iniciativa representa um marco na saúde pública, buscando desestimular o consumo desde as primeiras experiências.

Desmascarando Argumentos da Indústria Tabagista

Apesar dos argumentos da indústria do setor sobre a suposta inviabilidade de produção nacional de cigarros sem esses aditivos, um estudo recente do INCA, fundamentado em dados da própria Anvisa, descredibiliza essa alegação. O pesquisador do INCA, André Szklo, detalha que metade das marcas de cigarro já registradas na Anvisa, à época da pesquisa, não continham os aditivos que a resolução proíbe. Isso demonstra que a tecnologia e a capacidade de produção de produtos sem saborizantes já existem e são amplamente utilizadas.

Szklo enfatiza que a resistência da indústria não se baseia em limitações tecnológicas ou de produção, mas sim em uma "inviabilidade mercadológica". A verdadeira preocupação é a perda de uma ferramenta de marketing crucial para recrutar novos consumidores, especialmente adolescentes e crianças, para a dependência da nicotina, impactando diretamente o futuro do mercado tabagista.

Táticas de Mercado e a Proteção da Saúde Pública

Um levantamento adicional do INCA revela que empresas de tabaco têm sistematicamente recorrido a ações judiciais para manter no mercado produtos com aditivos, garantindo a continuidade da oferta de versões mais apelativas. Esse comportamento é particularmente evidente na estratégia de preservar produtos com sabores que visam atrair jovens consumidores.

A pesquisa também apontou um crescimento expressivo no registro de produtos com sabores nos últimos anos, destacando-se aqueles destinados ao uso em narguilés. Essa tendência sublinha uma adaptação da indústria para contornar as regulamentações e continuar a seduzir novos usuários, evidenciando a necessidade de vigilância constante para proteger a saúde pública. O INCA reitera a importância da norma como medida essencial para combater a dependência da nicotina e, consequentemente, reduzir o risco de doenças crônicas como câncer, problemas cardiovasculares e respiratórios.

O Alto Custo do Tabagismo e a Mobilização Global

A gravidade do tabagismo no Brasil é alarmante: dados do INCA revelam que, diariamente, 477 pessoas perdem a vida em decorrência de doenças relacionadas ao cigarro. Os impactos econômicos são igualmente devastadores, com custos anuais que chegam a R$ 153,5 bilhões para o sistema de saúde e a economia nacional, somando despesas médicas e perda de produtividade.

Nesse contexto, o Dia Mundial sem Tabaco, instituído pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em 1987, adota este ano o tema "Desmascarando o apelo – combatendo a dependência de nicotina e tabaco". A campanha busca amplificar o debate sobre as táticas de marketing da indústria para capturar novos e cada vez mais jovens consumidores, reforçando a luta global contra o tabagismo e suas consequências.

Diante desse cenário desafiador, o INCA e demais órgãos de saúde pública continuam a defender e fortalecer as políticas de controle do tabaco. Para aqueles que desejam abandonar o vício, o Sistema Único de Saúde (SUS) oferece tratamento gratuito e acessível, representando um importante recurso na jornada para uma vida sem tabaco.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br