© Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

Governo projeta votação do fim da escala 6×1 no primeiro semestre

ALESP

A proposta que visa reestruturar a jornada de trabalho no Brasil, pondo fim à escala 6×1, está no centro das discussões e pode ser votada ainda no primeiro semestre deste ano. Essa é a expectativa expressa pelo ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos, em recente declaração pública. A iniciativa governamental busca estabelecer um novo paradigma para milhões de trabalhadores, com o objetivo de fixar a jornada em cinco dias de trabalho por dois de descanso, totalizando 40 horas semanais, sem qualquer redução salarial. As negociações em torno dessa Proposta de Emenda à Constituição (PEC) têm avançado de forma consistente no Congresso Nacional, sinalizando um possível desfecho para uma reivindicação histórica de diversas categorias profissionais. A medida, se aprovada, promete impactos significativos na qualidade de vida e na produtividade dos trabalhadores brasileiros.

A pauta da jornada de trabalho: do 6×1 ao 5×2

A jornada de trabalho 6×1, que prevê seis dias de atividade e apenas um de descanso, é um formato amplamente adotado em diversos setores da economia brasileira, especialmente no varejo, serviços e em indústrias que operam com turnos contínuos. Contudo, essa modalidade tem sido alvo de crescentes críticas por seus impactos na vida pessoal e na saúde dos trabalhadores. A proposta governamental surge como uma alternativa, buscando substituir o modelo atual pelo esquema 5×2, que garante dois dias consecutivos de descanso semanal remunerado, além de limitar a carga horária a 40 horas por semana. Este novo formato já é uma realidade em muitos países desenvolvidos e é defendido como um passo essencial para modernizar as relações de trabalho no Brasil.

Os argumentos pela revisão da escala 6×1

A defesa da alteração da jornada de trabalho transcende a simples mudança de um número para outro. Conforme Boulos, a transição para a escala 5×2 trará melhores condições de vida para os trabalhadores, proporcionando-lhes mais tempo para o convívio familiar, para o cuidado com a saúde física e mental, para a realização de cursos de profissionalização e para o lazer. O ministro ressalta que “é uma coisa é você trabalhar para poder viver… Outra coisa é você viver para trabalhar”, enfatizando a importância de um equilíbrio entre a vida profissional e pessoal. Ele argumenta que o tempo livre é crucial não apenas para o bem-estar individual, mas também para o aumento da produtividade. Trabalhadores mais descansados e com mais oportunidades de qualificação tendem a ser mais eficientes, criativos e engajados, gerando um ciclo virtuoso para a economia. A ausência de tempo para o desenvolvimento pessoal e para o lazer pode levar ao esgotamento, estresse e queda na qualidade do trabalho, aspectos que a proposta busca mitigar.

Resistência e desafios legislativos

Apesar dos benefícios potenciais para os trabalhadores, a proposta de fim da escala 6×1 enfrenta “forte resistência” por parte de determinados setores econômicos. O ministro Boulos descreve a reação de alguns lobbies empresariais como “impressionante”, com temores de que a mudança possa acarretar o “fim do mundo” para suas operações. As principais preocupações levantadas por esses grupos incluem o aumento dos custos operacionais devido à necessidade de contratar mais funcionários para cobrir as jornadas, a dificuldade de adaptação dos modelos de negócio e a possível perda de competitividade. Setores como o de segurança, saúde, transporte, comércio e hotelaria, que frequentemente empregam regimes de turnos e demandam cobertura contínua, são apontados como os mais sensíveis à mudança.

A tramitação de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) no Congresso Nacional é um processo complexo, que exige quóruns qualificados e amplos debates. O avanço nas discussões indica um esforço do governo em articular apoios e superar os entraves. A expectativa de votação ainda no primeiro semestre reflete a prioridade que o governo tem dado a essa pauta, buscando consolidar uma resposta às demandas dos trabalhadores e modernizar as leis laborais do país. O desafio será conciliar os interesses dos trabalhadores com as preocupações legítimas do setor produtivo, buscando um modelo que seja sustentável para ambos os lados.

Regulamentação do trabalho por aplicativos: direitos e inclusão

Outra pauta crucial que tem recebido atenção do governo é a regulamentação do trabalho por aplicativos. Com o crescimento exponencial da economia gig, que abrange motoristas, entregadores e outros prestadores de serviço via plataformas digitais, a necessidade de estabelecer direitos e garantias para esses profissionais tornou-se premente. Um grupo de trabalho, composto por representantes do governo, das empresas de aplicativos e dos próprios trabalhadores, foi instituído para debater o tema e entregar um relatório conclusivo até o final deste mês.

Detalhes do grupo de trabalho e pontos cruciais

O grupo de trabalho tem se debruçado sobre questões fundamentais que afetam diretamente a vida dos trabalhadores de aplicativos. Entre os pontos cruciais em discussão, destacam-se a garantia de uma remuneração mínima que assegure a dignidade dos profissionais, a inclusão em sistemas de garantia previdenciária, permitindo o acesso a benefícios como aposentadoria e auxílio-doença, e a criação de pontos de apoio para os trabalhadores. Estes pontos de apoio poderiam oferecer infraestrutura básica, segurança e um local de descanso, que muitas vezes falta na rotina extenuante desses profissionais. Além disso, a pauta da transparência dos algoritmos é vista como essencial. A opacidade sobre como as tarefas são distribuídas, como as tarifas são calculadas e como as avaliações impactam o trabalho dos motoristas e entregadores tem sido uma fonte constante de insatisfação e injustiça, e a proposta busca trazer clareza a esse processo. A regulamentação visa, portanto, equilibrar a flexibilidade do trabalho por aplicativo com a proteção dos direitos laborais.

Inclusão social: a pauta dos ex-condenados

Um dos aspectos mais inovadores e socialmente relevantes da proposta de regulamentação do trabalho por aplicativos é a intenção de derrubar o dispositivo que exclui pessoas que já foram condenadas e cumpriram suas penas. O ministro Boulos defende vigorosamente essa medida, argumentando que é fundamental oferecer uma oportunidade para que esses indivíduos possam reconstruir suas vidas. Ele alerta que, sem essa chance, o risco de reincidência criminal aumenta consideravelmente. O trabalho por aplicativo, dada a sua flexibilidade e a baixa barreira de entrada, pode representar uma porta de entrada valiosa para o mercado de trabalho formal para muitos ex-condenados, permitindo-lhes gerar renda, reintegrar-se à sociedade e evitar o retorno ao crime. Essa iniciativa sublinha um compromisso com a justiça social e a reinserção de grupos vulneráveis.

Orçamento do povo: mais participação na gestão pública

Adicionalmente, o governo se prepara para lançar em fevereiro o “Orçamento do Povo”, uma plataforma de participação cidadã que permitirá à população votar em quais projetos devem ter prioridade na alocação de recursos orçamentários. Essa iniciativa visa aproximar o cidadão das decisões sobre os gastos públicos e aumentar a transparência na gestão dos recursos.

Por meio dessa plataforma, a população poderá expressar suas preferências sobre investimentos em áreas como saúde, educação, infraestrutura e segurança. Por exemplo, os munícipes poderão decidir se o orçamento local deve priorizar a compra de ambulâncias ou o investimento em transporte escolar, entre outras escolhas. A meta do governo, de acordo com Boulos, é alcançar entre 300 e 400 municípios já no primeiro ano de funcionamento da plataforma. O “Orçamento do Povo” representa um passo significativo em direção à democracia participativa, permitindo que as necessidades e prioridades da comunidade sejam diretamente consideradas na formulação do orçamento, promovendo maior alinhamento entre as políticas públicas e as demandas sociais.

Conclusão

As iniciativas do governo, que incluem a proposta de reverter a escala de trabalho 6×1, a regulamentação abrangente do trabalho por aplicativos e o lançamento da plataforma “Orçamento do Povo”, sinalizam um compromisso multifacetado com a melhoria das condições sociais e laborais no Brasil. Da garantia de um descanso mais justo e de direitos para trabalhadores da economia digital à promoção da participação cidadã na gestão pública, essas pautas refletem uma visão de desenvolvimento que busca equilibrar crescimento econômico com justiça social. O sucesso dessas propostas dependerá da capacidade de articulação política, da superação de resistências e do engajamento de toda a sociedade. A expectativa é que, com o avanço dessas discussões e a implementação das medidas, o país possa caminhar em direção a um futuro com relações de trabalho mais equitativas e uma gestão pública mais transparente e alinhada aos anseios da população.

Perguntas frequentes (FAQ)

O que é a proposta para acabar com a escala 6×1?
A proposta visa substituir a jornada de trabalho de seis dias de atividade por um de descanso (6×1) pelo modelo de cinco dias de trabalho por dois de descanso (5×2), com uma carga horária máxima de 40 horas semanais, sem redução de salário. O objetivo é melhorar a qualidade de vida e a produtividade dos trabalhadores.

Quais são os principais pontos da regulamentação do trabalho por aplicativos?
A regulamentação discute temas como remuneração mínima para os trabalhadores, garantia previdenciária, criação de pontos de apoio ou descanso e a transparência dos algoritmos utilizados pelas plataformas.

Como funcionará o “Orçamento do Povo”?
O “Orçamento do Povo” será uma plataforma digital onde a população poderá votar e escolher quais projetos e áreas devem receber prioridade na alocação do orçamento público em seus municípios, aumentando a participação cidadã nas decisões governamentais.

Por que o governo quer incluir ex-condenados no trabalho por aplicativos?
O governo defende que a inclusão de ex-condenados no trabalho por aplicativos oferece uma oportunidade essencial para que essas pessoas reconstruam suas vidas e se reintegrem à sociedade. A medida visa reduzir a reincidência criminal e promover a inclusão social.

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Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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