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Coragem, acolhimento e o marco de uma cidade sem feminicídios há um ano.

Por Selma Cézar
Primeira-dama de Santana de Parnaíba
Neste mês, o Brasil celebra um dos marcos jurídicos e humanitários mais importantes de sua história: os 20 anos da Lei Maria da Penha (Lei nº 11.340/2006). Duas décadas se passaram desde que o país transformou a dor de uma mulher em uma das legislações mais avançadas do mundo no combate à violência doméstica e familiar. É um momento de reflexão profunda, de reverência à luta de tantas mulheres e, sobretudo, de prestação de contas sobre o que temos feito para que essa lei não seja apenas uma promessa no papel, mas uma realidade que salva vidas diariamente.
Em Santana de Parnaíba, assumimos essa causa não como um protocolo burocrático, mas como uma missão de vida e uma diretriz absoluta de gestão pública. Por isso, ao olharmos para este vigésimo aniversário, compartilhamos um resultado que nos enche o coração de esperança e senso de dever cumprido: nossa cidade alcançou a marca de um ano sem registrar um único caso de feminicídio.
Esse dado não é fruto do acaso ou da sorte; é o resultado concreto de uma rede integrada e incansável que protege, ampara, empodera e não deixa a mulher desassistida.
Uma rede completa de proteção e acolhimento
A luta contra a violência não se vence com o silêncio, mas com portas abertas e acolhimento multidisciplinar. Em nossa cidade, estruturamos uma rede pública que oferece assistência jurídica, psicológica, social e policial.Para toda parnaibana que precise de apoio ou que conheça alguém em situação de vulnerabilidade, nossos equipamentos municipais e parceiros atuam de forma coordenada e permanente: CRAM (Centro de Referência e Atendimento à Mulher): Espaço estratégico e acolhedor de escuta qualificada, que oferece apoio psicossocial, orientação jurídica especializada e acompanhamento continuado para mulheres em situação de violência, ajudando-as a resgatar sua autonomia e segurança. Secretaria Municipal da Mulher e da Família (SMMF): O coração das políticas públicas voltadas ao desenvolvimento, fortalecimento emocional, qualificação profissional e autonomia da mulher.
Patrulha Guardiã Maria da Penha (GCM): Programa especializado da nossa Guarda Civil Municipal, que acompanha ativamente as mulheres com medidas protetivas de urgência, realizando visitas e garantindo que os agressores não se aproximem. Delegacia de Defesa da Mulher (DDM): Espaço especializado da Polícia Civil com atendimento humanizado para o registro de ocorrências, investigação e solicitação imediata de medidas protetivas. Centro de Referência Especializado de Assistência Social (CREAS): Apoio psicossocial especializado a indivíduos e famílias em situação de ameaça ou violação de direitos. Núcleo de Prevenção de Acidentes e Violências (NUPAV): Articulação direta com a área da saúde municipal para atendimento, notificação e cuidado integral.
Fundo Social de Solidariedade e CRAS: Acolhimento emergencial, capacitação e programas de independência financeira, essenciais para quebrar ciclos de dependência.
Rompendo o Silêncio: A Força da Autonomia
A violência contra a mulher não começa no golpe físico; ela se insinua no controle disfarçado de cuidado, na agressão verbal, na chantagem psicológica e no abuso patrimonial. Quebrar esse ciclo exige coragem, mas ninguém pode ser cobrada a ter coragem sozinha. O poder público tem a obrigação de estender a mão primeiro. Por isso tenho a honra de dizer: “Mulher, você não está só!”