Agentesde IA
© Pixabay

Golpe do Sósia: A Sofisticada Fraude que Explora a Biometria Facial

Uma nova e engenhosa estratégia de fraude de identidade, batizada de “golpe do sósia”, tem desafiado os sistemas de segurança digital. Identificada pela equipe de inteligência analítica da Serasa Experian e detalhada no Mapa da Fraude do primeiro semestre de 2026, essa tática inverte a lógica tradicional dos crimes digitais, utilizando tecnologia avançada de comparação facial para encontrar indivíduos com características físicas semelhantes às dos próprios criminosos, visando burlar validações biométricas em processos como abertura de contas ou cadastros.

A Nova Lógica da Fraude de Identidade

Ao contrário das modalidades clássicas, onde o fraudador busca assumir a identidade de uma pessoa específica, o “golpe do sósia” opera de forma inversa. Criminosos empregam ferramentas de comparação facial, conhecidas como motores de comparação, para escanear vastas bases de dados — incluindo informações obtidas ilegalmente — com o objetivo de localizar rostos que apresentem um alto grau de semelhança com o deles. Uma vez identificadas potenciais vítimas, eles selecionam aquela que consideram mais propensa a passar por uma validação biométrica, tentando então utilizar seus dados para concretizar a fraude. Este método, portanto, parte do rosto do próprio criminoso, busca um sósia e, por fim, tenta explorar essa identidade.

Vulnerabilidades e a Imperativa da Segurança Multifacetada

Leandro Bartolassi, diretor de Autenticação e Prevenção à Fraude da Serasa Experian, enfatiza que essa nova modalidade ilustra a capacidade dos criminosos de adaptar e explorar tecnologias desenvolvidas inicialmente para aumentar a segurança. Diante dessa realidade, a Serasa Experian adverte veementemente contra a utilização do reconhecimento facial como a única camada de autenticação. A recomendação é clara: a segurança efetiva reside na combinação estratégica de múltiplos mecanismos de validação. Essa abordagem integrada permite identificar inconsistências que uma análise puramente facial seria incapaz de detectar.

Entre os mecanismos de segurança complementares sugeridos para fortalecer as defesas estão a validação de documentos, a prova de vida, a conferência de dados cadastrais, a análise do dispositivo utilizado na transação, a identificação de padrões de comportamento e a avaliação de outros sinais de risco, criando uma barreira mais robusta contra as investidas dos fraudadores.

O Cenário da Fraude no Brasil: Dados e Prejuízos Evitados

Os números do Mapa da Fraude revelam um cenário preocupante, mas também a eficácia das soluções antifraude. No primeiro semestre de 2026, as ferramentas da Serasa Experian identificaram e barraram impressionantes 2,86 milhões de tentativas de fraude de identidade. Este volume representa um crescimento significativo de 32,9% em comparação com o mesmo período do ano anterior, equivalendo a uma ocorrência de alto risco detectada a cada 5,5 segundos. As tentativas bloqueadas representariam um prejuízo estimado em R$ 3,77 bilhões, um valor que foi evitado graças à atuação proativa das soluções de segurança.

Estratégias para Cidadãos e Empresas no Combate à Fraude

Proteção Pessoal na Era Digital

A Serasa Experian oferece orientações cruciais para que os consumidores minimizem sua exposição a riscos. É fundamental evitar o compartilhamento de fotos de documentos ou selfies segurando documentos em redes sociais e aplicativos de mensagem. A inserção de dados pessoais e biométricos deve ocorrer apenas em sites e aplicativos oficiais. Proteger o celular e os aplicativos com senhas robustas e autenticação em dois fatores é uma medida essencial, assim como desconfiar de qualquer pedido inesperado de reconhecimento facial via links, e-mails, mensagens ou QR Codes. Jamais permita que desconhecidos fotografem seu rosto ou documentos. Monitorar regularmente o CPF e buscar os canais oficiais das empresas diante de movimentações suspeitas são práticas de segurança indispensáveis.

Fortalecendo as Defesas Corporativas

Para as empresas, a recomendação é clara: adotar uma estratégia de prevenção em camadas. Isso significa garantir que uma única imagem ou informação não seja suficiente para concluir um cadastro ou transação. A integração de diversos mecanismos de segurança é primordial, como a combinação de biometria facial com prova de vida, validação e análise documental robusta, cruzamento de dados cadastrais, análise do dispositivo e da jornada digital do usuário, monitoramento contínuo de tentativas repetidas e identificação de padrões suspeitos. Além disso, a atualização constante de regras e modelos antifraude é vital. A análise conjunta desses elementos permite detectar situações onde a similaridade facial pode ser alta, mas outros indicadores da operação sinalizam uma potencial tentativa de fraude, fortalecendo a segurança de todo o ecossistema digital.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br