Apesar de serem oficialmente proibidas e representarem sérios riscos à segurança, as bolhas infláveis continuam a ser oferecidas como opção de lazer nas praias de Ubatuba, no Litoral Norte de São Paulo. Um recente flagrante, registrado no último sábado (21), mostrou crianças brincando no interior desses equipamentos na movimentada Praia das Toninhas, reacendendo o debate sobre a eficácia da fiscalização e os perigos inerentes a essa prática que coloca banhistas em risco.
Desafio à Regulamentação e Fiscalização Municipal
A utilização e o aluguel de bolhas infláveis no mar são considerados irregulares pela prefeitura de Ubatuba. Em janeiro deste ano, a administração municipal havia informado publicamente sobre a intensificação das fiscalizações para coibir a prática e garantir a segurança nas praias. Contudo, o vídeo do último sábado (21) evidencia que as medidas adotadas não foram suficientes para erradicar o uso desses brinquedos, mostrando um desafio contínuo para as autoridades.
Em busca de um posicionamento oficial sobre o flagrante mais recente, a equipe do g1 procurou a prefeitura de Ubatuba para comentar o registro. No entanto, a administração municipal não forneceu resposta até o momento da publicação desta matéria, o que sugere uma dificuldade na comunicação ou na apresentação de novas estratégias para lidar com a persistência do problema.
Histórico de Incidentes e Perigos Comprovados
A continuidade do uso das bolhas infláveis é ainda mais preocupante diante do histórico de incidentes graves. Em dezembro de 2023, um episódio alarmante mobilizou equipes de resgate quando uma criança de aproximadamente oito anos, que estava dentro de uma dessas bolhas, precisou ser socorrida após ficar à deriva em alto mar. O menino, encontrado em desespero e se debatendo por tripulantes de uma lancha que retornava à Praia do Lázaro, exemplifica o grave potencial de acidentes e o risco real de arrastar usuários para longe da costa.
De acordo com o Grupamento de Bombeiros Marítimos (GBMar), o principal perigo reside na facilidade com que esses equipamentos são levados pelo vento e pelas correntes marítimas. Essa combinação pode fazer com que a pessoa dentro da bolha se afaste rapidamente da faixa de areia, com o risco de colidir com outras embarcações ou, em situações mais graves, ser arrastada para o alto-mar, tornando o resgate complexo e perigoso para as equipes de salvamento.
Alerta das Autoridades: Falsa Sensação de Segurança
O primeiro-tenente Guilherme Vegse, do GBMar, reforça que as bolhas infláveis passaram a ser exploradas comercialmente nas praias sem qualquer regulamentação ou garantia de segurança. Ele alerta que tais brinquedos transmitem uma falsa sensação de segurança aos usuários, o que pode levar a descuidos com consequências severas. "O que acontece é que, num descuido, as pessoas acabam navegando para longe dentro dessas bolhas. Isso é muito perigoso, porque pode colidir com uma embarcação ou até ir parar em alto-mar", afirmou o tenente, sublinhando a imprevisibilidade e o risco inerente.
Diante desses perigos comprovados, o GBMar recomenda enfaticamente que banhistas e responsáveis evitem o uso desses brinquedos. A instituição reforça a importância de seguir sempre as orientações dos guarda-vidas e de respeitar a sinalização nas praias, priorizando atividades de lazer que estejam em conformidade com as normas de segurança e que não exponham os frequentadores a riscos desnecessários.
A persistência no uso das bolhas infláveis em Ubatuba, apesar das proibições e dos riscos documentados, acende um alerta urgente sobre a necessidade de maior rigor na fiscalização e de campanhas de conscientização mais eficazes. A segurança dos frequentadores das praias, especialmente crianças, deve ser a prioridade máxima, garantindo que o lazer em um dos cartões-postais do litoral paulista não se transforme em uma situação de emergência e perigo.
Fonte: https://g1.globo.com
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