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Dólar cai para R$ 5,16 após Trump indicar possível fim da guerra

Em um dia marcado por intensas reviravoltas no mercado financeiro global, o dólar registrou uma queda acentuada nesta segunda-feira (9), praticamente compensando toda a valorização acumulada desde o início da guerra no Oriente Médio. Essa significativa movimentação da divisa estadunidense, que encerrou o dia vendida a R$ 5,165, com um recuo de 1,52%, foi um reflexo direto das declarações do ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sugerindo que o conflito armado estaria próximo do fim. Paralelamente, a bolsa de valores brasileira, Ibovespa, experimentou uma alta expressiva de quase 1%, aproximando-se da marca dos 181 mil pontos, enquanto os preços do petróleo, que chegaram a tocar US$ 120 o barril durante a madrugada, recuaram drasticamente após as falas de Trump.

Reversão no mercado global

A segunda-feira foi um palco de grande volatilidade para o dólar comercial. A moeda estadunidense iniciou o pregão em R$ 5,28, mas logo entrou em um movimento de desaceleração. Investidores, aproveitando a valorização recente, começaram a vender dólares para embolsar lucros, o que naturalmente pressionou a cotação para baixo. À medida que as tensões internacionais pareciam arrefecer, a divisa já operava em torno de R$ 5,20. O ponto de inflexão decisivo ocorreu após as declarações de Donald Trump, que intensificaram o movimento de queda. O dólar encerrou o dia negociado a R$ 5,165, com uma desvalorização de R$ 0,079 em relação ao fechamento anterior, marcando o menor nível desde 27 de fevereiro, véspera do início dos bombardeios ao Irã. No acumulado do ano de 2026, a divisa já registra uma queda de 5,89% em relação ao real, evidenciando uma correção importante no cenário cambial.

O desempenho da bolsa e do euro

Enquanto o dólar recuava, o mercado de ações brasileiro viveu um dia de forte recuperação. O índice Ibovespa, principal indicador da B3, fechou aos 180.915 pontos, com uma alta robusta de 0,86%. O desempenho da bolsa foi notavelmente impulsionado no período da tarde. Até as 16h, o Ibovespa operava com uma leve alta de 0,2%, mas disparou logo após Donald Trump afirmar, em entrevista à rede de televisão CBS, acreditar que a guerra contra o Irã “está praticamente concluída” e que os Estados Unidos estão “muito à frente” do prazo de quatro a cinco semanas de conflito estimado inicialmente. A perspectiva de uma desescalada militar em uma região estratégica para o comércio global de petróleo renovou o otimismo dos investidores, que buscaram ativos de risco. O euro comercial também acompanhou a tendência de queda, fechando o dia a R$ 5,99, abaixo da marca de R$ 6 pela primeira vez desde 21 de fevereiro do ano passado, refletindo a redução da aversão global ao risco.

Impacto nas commodities e geopolítica

O mercado de petróleo foi um dos setores mais sensíveis aos acontecimentos do dia. Durante a madrugada, o petróleo do tipo Brent, referência internacional, chegou a se aproximar dos US$ 120 por barril, impulsionado pelas crescentes preocupações com a oferta em meio ao conflito no Oriente Médio. Até momentos antes da declaração de Trump, a cotação do Brent subia cerca de 7%, negociado em torno de US$ 97 o barril. No entanto, poucos minutos após o ex-presidente anunciar sua crença no fim iminente da guerra, os preços desabaram para US$ 88. A fala de Trump sinalizou uma mudança na percepção de risco, levando à forte redução dos prêmios de risco que estavam embutidos nos preços do petróleo.

Fatores mitigadores e a estratégia internacional

Além da reviravolta causada pelas declarações de Donald Trump, outros fatores externos contribuíram para conter a alta do petróleo tipo Brent, que chegou a registrar US$ 119,50 durante a madrugada. Em um esforço coordenado para estabilizar o mercado e garantir a segurança energética global, os países do G7 – o grupo das sete democracias mais industrializadas do planeta – anunciaram uma série de medidas de ajuda para o setor petroleiro. Essas ações visam assegurar o fluxo de produção e distribuição, minimizando os impactos de interrupções e garantindo a oferta. Adicionalmente, também nesta segunda-feira, o presidente da França, Emmanuel Macron, fez um anúncio crucial: o país poderia enviar fragatas para defender navios que passassem pelo Estreito de Ormuz. Este estreito, uma rota marítima vital para o transporte de petróleo e gás, tem sido foco de tensão devido a um bloqueio imposto pelo Irã. A potencial presença militar francesa serviria como um dissuasor, aumentando a segurança da navegação e aliviando as preocupações com o abastecimento, o que, por sua vez, ajudou a reduzir a pressão sobre os preços do petróleo no mercado internacional.

Panorama do mercado e desdobramentos

A súbita reversão nos mercados financeiros globais, impulsionada pela percepção de uma desescalada no conflito do Oriente Médio, sublinha a profunda sensibilidade dos ativos a eventos geopolíticos. A queda do dólar e a alta da bolsa refletem um alívio generalizado entre os investidores, que tendem a buscar ativos mais seguros em tempos de incerteza e a migrar para opções de maior risco quando o cenário se acalma. Contudo, é fundamental reconhecer que o mercado permanece volátil. As declarações de figuras políticas, embora influentes, podem ser voláteis, e a realidade no terreno pode ser complexa. A manutenção da estabilidade dependerá da confirmação de uma efetiva desescalada e da ausência de novos focos de tensão. Os próximos dias serão cruciais para observar como o mercado absorve essas informações e se a tendência de baixa do dólar e de alta da bolsa se consolida, ou se novas incertezas trarão de volta a aversão ao risco.

Perguntas frequentes

O que causou a queda do dólar e a alta da bolsa?
A queda do dólar e a alta da bolsa foram predominantemente impulsionadas pelas declarações do ex-presidente Donald Trump, que indicou a proximidade do fim da guerra no Oriente Médio. Essa perspectiva de desescalada reduziu a aversão ao risco dos investidores, que passaram a vender dólares para realizar lucros e buscaram ativos mais arriscados, como ações.

Qual foi o impacto das declarações de Donald Trump no mercado de petróleo?
As declarações de Trump tiveram um impacto imediato e drástico no mercado de petróleo. O barril de Brent, que subia cerca de 7% e estava em torno de US$ 97 antes de sua fala, despencou para US$ 88 minutos depois. A expectativa de um fim do conflito reduziu os prêmios de risco associados à oferta global de petróleo, levando a uma queda acentuada nos preços.

Como a ajuda do G7 e a ação da França influenciaram os preços do petróleo?
A ajuda anunciada pelos países do G7 ao setor petroleiro, juntamente com a disposição da França em enviar fragatas para defender navios no Estreito de Ormuz, foram fatores cruciais para mitigar a alta do petróleo. Essas ações conjuntas sinalizaram um compromisso em garantir a segurança do abastecimento e das rotas comerciais, diminuindo a preocupação com interrupções e, consequentemente, aliviando a pressão sobre os preços.

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Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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