O cenário da educação básica brasileira em 2025 apresenta dados reveladores, conforme os resultados da primeira etapa do Censo Escolar divulgados. A pesquisa aponta para uma redução geral no número de matrículas, totalizando 46,01 milhões de estudantes, o que representa uma queda de 2,29% em relação ao ano anterior. Contudo, essa diminuição é acompanhada de avanços significativos na permanência e no progresso dos alunos. O ensino fundamental, que abrange crianças de 6 a 14 anos, alcançou uma taxa de frequência quase universal de 99,5%. Além disso, houve uma notável redução no atraso escolar em todas as etapas da educação, sinalizando maior eficiência do sistema e a eficácia de novas políticas públicas.
Panorama da educação básica: matrículas e universalização
Cenário geral das matrículas
O Censo Escolar 2025 registrou um total de 46,01 milhões de estudantes matriculados na educação básica, um número 2,29% inferior aos 47,08 milhões de 2024. Essa redução, que representa cerca de 1 milhão de matrículas a menos, demanda uma análise cuidadosa para compreender suas causas e implicações. Embora uma queda possa, à primeira vista, parecer negativa, especialistas indicam que parte dessa diminuição está ligada a uma maior eficiência do sistema educacional, especialmente na redução do número de alunos em situação de distorção idade-série. Isso significa que mais estudantes estão concluindo suas etapas de ensino no tempo esperado, diminuindo a demanda por matrículas repetidas ou em idades avançadas para a série.
O ensino fundamental, que compreende os anos do 1º ao 9º, continua sendo a etapa com o maior volume de estudantes, somando 25,8 milhões de matrículas. Este segmento representa 56,07% do total registrado em 2025. Para a população de 6 a 14 anos, a matrícula no ensino fundamental é obrigatória, um fator crucial para a alta adesão observada.
Universalização do ensino fundamental
Um dos destaques mais positivos do Censo Escolar 2025 é a quase universalização do acesso ao ensino fundamental. Dados compilados a partir da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revelam que 99,5% da população brasileira na faixa etária de 6 a 14 anos está frequentando a escola. Esse percentual demonstra o sucesso das políticas de acesso e a consolidação do ensino fundamental como uma etapa plenamente alcançada em termos de inclusão. Segundo Fábio Pereira Bravin, coordenador de Estatísticas Educacionais da Diretoria de Estatísticas do Inep, o ensino fundamental está universalizado, e o número de matrículas nessa etapa permanece estável, o que reforça a solidez do sistema para essa faixa etária.
Ensino médio: desafios e avanços na permanência
Redução de matrículas e eficiência escolar
O ensino médio também apresentou uma queda no total de matrículas. Em 2025, foram registrados 7,36 milhões de estudantes nessa etapa, sendo 6,33 milhões em escolas públicas e 1,03 milhão em instituições privadas. Este número representa uma diminuição em relação aos 7,77 milhões de matrículas em 2021, totalizando uma redução de aproximadamente 400 mil alunos em quatro anos. Apenas entre 2024 e 2025, a queda foi de 140,9 mil matrículas.
A explicação para essa redução, conforme análise, reside em grande parte na melhoria da eficiência escolar. Houve uma significativa diminuição no número de alunos com atraso na relação idade-série. Em 2021, 25,3% dos estudantes do ensino médio estavam em situação de atraso; em 2025, esse índice caiu para 16%, uma queda de quase 10 pontos percentuais. Isso significa que mais estudantes estão progredindo no sistema de ensino de forma mais fluida, concluindo a educação básica sem interrupções ou repetências prolongadas. Além disso, foi observado um aumento no percentual de jovens de 15 a 17 anos que frequentam a escola, que subiu de 89% em 2019 para 93,2% em 2025, indicando uma redução no abandono escolar precoce.
O impacto do programa Pé-de-Meia
Um dos fatores apontados para a redução da evasão escolar no ensino médio é o programa Pé-de-Meia, uma iniciativa lançada em 2023. Este programa oferece um incentivo financeiro-educacional, funcionando como uma poupança para estudantes da rede pública inscritos no Cadastro Único para Programas Sociais do governo federal (CadÚnico). A proposta é promover a permanência e a conclusão escolar, garantindo que o aluno não abandone os estudos e seja estimulado a cursar e progredir a cada ano do ensino médio, pois os incentivos estão atrelados ao desempenho e à frequência.
O combate ao atraso escolar: um indicador de progresso
Queda da distorção idade-série em todas as etapas
A taxa de distorção idade-série, que mede a proporção de alunos que estão em séries inadequadas para sua idade, registrou quedas expressivas em todas as etapas da educação básica na rede pública. Esse é um indicador crucial da qualidade do fluxo escolar e do sucesso na progressão dos estudantes.
No ensino fundamental, a taxa de atraso escolar caiu 4,3 pontos percentuais entre 2021 e 2025. No ensino médio, a melhora foi ainda mais acentuada, com uma redução de 10,3 pontos percentuais no mesmo período. Se em 2021 um em cada quatro alunos do ensino médio (25,3%) estava atrasado nos estudos, em 2025 esse índice diminuiu para 16%.
A análise mais detalhada por etapa do ensino médio revela que no 3º ano, a queda da distorção idade-série foi de impressionantes 61%, passando de 27,2% em 2021 para 13,99% em 2025. Nos anos finais do ensino fundamental (6º ao 9º ano), o índice recuou de 21% para 14,4%. Já nos anos iniciais (1º ao 5º ano), o percentual de alunos atrasados caiu de 7,7% para 6,6%.
Desigualdade racial e o papel dos dados
Apesar dos avanços gerais, o Censo Escolar continua a evidenciar profundas desigualdades raciais no sistema educacional. Em todas as etapas de ensino, o atraso escolar é consistentemente maior entre alunos que se declaram pretos ou pardos em comparação com aqueles que se declaram brancos. Essa disparidade é perceptível desde o início da jornada escolar e se aprofunda à medida que o estudante avança nos ciclos educacionais.
Em 2025, nos anos finais do ensino fundamental, enquanto 9,2% dos alunos brancos estavam fora da idade adequada para a série, o índice entre alunos negros (pretos e pardos) era de 17,7%. No ensino médio, a situação é ainda mais crítica para a juventude negra, com uma taxa de distorção idade-série de 19,3%, em contraste com 10,9% entre os alunos brancos.
A coleta de dados sobre cor/raça tem sido um componente obrigatório do Censo Escolar desde 2005, seguindo as categorias do IBGE (branca, preta, parda, amarela e não declarada). Em 2018, o Conselho Nacional de Educação (CNE) reforçou a importância e a obrigatoriedade dessa informação, que é autodeclaratória pelas famílias. Nos últimos dois anos, houve uma melhora significativa na qualidade desses dados, com a ausência do registro de “raça/cor” caindo de 25,5% em 2023 para 13,6% em 2025. Essa melhoria é fundamental para identificar gargalos, compreender a raiz das desigualdades e formular políticas públicas mais eficazes e direcionadas.
A abrangência e a relevância do Censo escolar
Além dos números de alunos
O Censo Escolar vai muito além da contagem de estudantes. Trata-se de um levantamento abrangente que coleta dados cruciais sobre escolas, professores, gestores e turmas, cobrindo todas as modalidades da educação básica. Isso inclui o ensino regular, a Educação de Jovens e Adultos (EJA), a Educação Profissional e Tecnológica (EPT), e a educação especial inclusiva, dedicada a estudantes com deficiência, autistas e aqueles com altas habilidades ou superdotação. Essa amplitude permite uma visão holística do sistema educacional brasileiro, fornecendo informações detalhadas sobre a infraestrutura, recursos humanos e diversidade do alunado.
Base para políticas públicas e alocação de recursos
Os dados gerados pelo Censo Escolar não são meramente estatísticos; eles constituem a base para a formulação, o monitoramento e a avaliação de políticas públicas essenciais para o desenvolvimento da educação no país. As informações coletadas são utilizadas para guiar a destinação de recursos públicos para programas vitais, como a compra da merenda escolar, o transporte de estudantes, a aquisição de livros didáticos e a distribuição de equipamentos para as escolas. Assim, o Censo Escolar se consolida como uma ferramenta indispensável para a gestão educacional, assegurando que os investimentos sejam feitos de forma estratégica e eficiente, buscando aprimorar continuamente a qualidade e a equidade da educação básica no Brasil.
Perguntas frequentes
Qual a principal conclusão do Censo Escolar 2025?
A principal conclusão é que, apesar de uma leve redução nas matrículas totais da educação básica, houve avanços significativos na permanência escolar e na redução do atraso idade-série, especialmente no ensino fundamental, que atingiu uma taxa de frequência quase universal.
O que explica a queda nas matrículas da educação básica?
A queda nas matrículas é parcialmente explicada por uma maior eficiência do sistema educacional, ou seja, menos alunos com atraso idade-série e mais estudantes concluindo suas etapas de ensino no tempo correto. Isso significa que a diminuição não necessariamente reflete um problema de acesso, mas um fluxo mais regular dos alunos.
Como o programa Pé-de-Meia contribui para o ensino médio?
O programa Pé-de-Meia oferece incentivos financeiros-educacionais a estudantes da rede pública inscritos no CadÚnico. Seu objetivo é reduzir a evasão escolar no ensino médio, estimulando a permanência e a conclusão dos estudos através de uma poupança vinculada à frequência e ao desempenho dos alunos.
Por que a coleta de dados de cor/raça é importante para a educação?
A coleta de dados de cor/raça é crucial para identificar e analisar as desigualdades raciais existentes no sistema educacional, como a disparidade nas taxas de atraso escolar. Essas informações são fundamentais para a formulação de políticas públicas direcionadas e eficazes, que visem combater a iniquidade e promover a equidade de oportunidades para todos os estudantes.
Acompanhe as próximas divulgações para entender os rumos da educação brasileira e participe ativamente da construção de um futuro com mais oportunidades para todos.
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