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Alagamento em Campinas: carros submersos e o desespero dos moradores.

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A tarde de terça-feira, 17 de outubro, transformou-se em cenário de caos em Campinas, São Paulo, quando uma intensa tempestade provocou um alagamento em Campinas de grandes proporções. A região do antigo kartódromo do Taquaral foi uma das mais afetadas, registrando 21 veículos completamente submersos, conforme dados da Defesa Civil. O volume inesperado e a rapidez com que as águas subiram surpreenderam moradores e visitantes que estavam no Parque Taquaral, deixando um rastro de destruição material e momentos de pânico. Além dos carros arrastados, a força da natureza derrubou diversas árvores pela cidade, aumentando os prejuízos e o trabalho das equipes de emergência. A comunidade agora lida com as consequências de um evento climático que expôs a vulnerabilidade urbana.

Impacto da tempestade: veículos submersos e desalojados
O temporal que atingiu Campinas deixou um cenário desolador no antigo kartódromo do Taquaral. Em poucos minutos, a via que serve de acesso e estacionamento ao Parque Taquaral transformou-se em um rio caudaloso, engolindo carros e arrastando-os por dezenas de metros. A Defesa Civil confirmou a submersão de 21 veículos, evidenciando a intensidade e a velocidade com que a água acumulou na região. Motoristas e famílias que passavam o dia no parque viram seus passeios de lazer se transformarem em uma luta pela segurança e pela proteção de seus bens. O evento trouxe à tona não apenas os desafios da infraestrutura urbana frente a chuvas extremas, mas também o drama pessoal de cada cidadão afetado, que se viu impotente diante da fúria da água. A mobilização de equipes de resgate foi crucial para garantir a segurança dos que ficaram ilhados.

Relatos dramáticos de sobreviventes no Taquaral
O pedreiro José Vitorino vivenciou um dos momentos mais angustiantes daquela tarde. Ele estava no Parque Taquaral com a esposa e os filhos para um piquenique quando a chuva desabou. Em um instante, o carro da família foi arrastado da entrada do parque até uma das ciclofaixas, uma distância considerável. “Eu estava com meus filhos no parquinho brincando, a gente ia fazer um piquenique, e aí a chuva veio de repente”, relatou Vitorino, descrevendo a súbita mudança climática. Buscando abrigo nos banheiros do local, a família aguardou o socorro do Corpo de Bombeiros, que os resgatou pelo muro e precisou arrombar um portão para liberar outras pessoas presas pela água. O promotor de vendas Anderson Barbosa também descreveu a ascensão vertiginosa da água. Em menos de 15 minutos, a enchente já alcançava seus tornozelos. Com crianças chorando e carros “começando a boiar”, o pânico se instalou, forçando as famílias a lidarem com a impotência diante da força da natureza. O pintor Leandro Ferreira, outro morador de Campinas, encontrou seu carro já parcialmente submerso ao retornar ao estacionamento, um choque para qualquer proprietário. A cena era alarmante: “Os carros estavam todos metade de água já. No meu carro, chegou aqui no retrovisor”, explicou. A rapidez e a elevação da água, que alcançou níveis tão altos em tão pouco tempo, ilustram a gravidade do alagamento e a imprevisibilidade do evento, deixando marcas não apenas materiais, mas também emocionais nos envolvidos. A recuperação dos veículos submersos exigiu o trabalho de guinchos após a água baixar, um processo custoso e demorado para os proprietários, que agora enfrentam a incerteza dos reparos e seguros.

Consequências urbanas: quedas de árvores e prejuízos materiais
Além dos veículos submersos, a tempestade causou outros estragos significativos em Campinas. A Defesa Civil registrou a queda de 27 árvores e dois galhos em diferentes pontos da cidade, evidenciando a violência dos ventos que acompanharam a chuva. Embora, felizmente, ninguém tenha ficado ferido nesses incidentes, os danos materiais foram consideráveis, afetando residências, vias públicas e veículos estacionados. O episódio sublinha a vulnerabilidade da infraestrutura urbana diante de fenômenos climáticos extremos, que parecem se tornar cada vez mais frequentes e intensos. A remoção de árvores caídas e a desobstrução de vias exigiram uma resposta rápida das equipes de emergência, mobilizando recursos e pessoal para restaurar a normalidade e garantir a segurança da população. Os prejuízos vão além do custo imediato de reparos, impactando a rotina de trabalho e lazer dos campineiros, que se viram diante de estradas bloqueadas e acessos interrompidos. A prefeitura e os serviços públicos trabalharam arduamente para mitigar os transtornos causados pela intempérie.

Alertas ignorados e o desafio da recuperação
A área do antigo kartódromo do Taquaral, onde ocorreu o alagamento massivo, possui placas de sinalização que alertam para o risco de enchentes. No entanto, muitos motoristas, como Leandro Ferreira, afirmam não ter percebido a sinalização antes de estacionar. “Não vi. Desde que eu encostei o carro aqui, a gente achou vaga, porque é um parque cheio, né? A gente viu a vaga aqui, estacionou e fomos embora. Depois de tudo acontecido, os caras falaram, mas tem uma placa ali, aí que eu vi duas placas”, afirmou o pintor. Essa falta de percepção dos avisos, seja por desatenção, pela urgência em encontrar uma vaga em um local movimentado ou pela própria disposição e visibilidade das placas, levanta questões sobre a eficácia da sinalização existente e a necessidade de campanhas de conscientização mais robustas e eficientes para alertar a população em momentos críticos. Após o evento, a complexa tarefa de recuperar os veículos submersos mobilizou serviços de guincho, adicionando custos e transtornos aos proprietários, que agora precisam lidar com os reparos e as burocracias de seguros, muitos dos quais podem não cobrir desastres naturais.

Ainda sobre os danos materiais, o veículo de Vinicius Jangeli foi destruído por uma árvore que caiu na rua Francisco Manuel da Silva, no Jardim Santa Genebra, durante o mesmo temporal. Ele e a namorada estavam assistindo a um filme quando o vendaval começou. “A gente escutou um barulho bem forte e quando a gente olhou para fora, a gente viu que a árvore tinha caído”, contou Jangeli, descrevendo o momento assustador. Embora o desenvolvedor de software tenha informado que seu seguro não cobre desastres naturais, ele expressou alívio pelo fato de não haver ninguém dentro do carro no momento da queda, um detalhe que poderia ter transformado o incidente em uma tragédia ainda maior. Casos como o de Vinicius e dos motoristas no Taquaral ressaltam a importância de medidas preventivas, como a poda adequada de árvores em áreas urbanas, e da revisão das políticas de seguro para desastres naturais, um cenário cada vez mais comum nas cidades brasileiras. A recuperação, tanto material quanto psicológica, é um processo árduo que se estende por semanas ou meses para os afetados, demandando resiliência e apoio comunitário e governamental para a reconstrução.

Perspectivas e o futuro da prevenção em Campinas
Os recentes alagamentos e quedas de árvores em Campinas servem como um alerta severo para a necessidade de investimentos contínuos em infraestrutura urbana e em sistemas de alerta eficazes. A experiência traumática de moradores como José Vitorino, Anderson Barbosa e Leandro Ferreira, somada aos prejuízos materiais de Vinicius Jangeli, destaca a urgência de repensar a resiliência da cidade frente a eventos climáticos extremos. É fundamental que as autoridades locais intensifiquem as ações de desassoreamento de rios e córregos, melhorem o sistema de drenagem pluvial e promovam a manutenção da arborização urbana de forma preventiva, com foco em espécies mais resistentes e podas regulares. Além disso, a conscientização da população sobre os riscos em áreas de alagamento e sobre a importância de respeitar as sinalizações é crucial para mitigar danos futuros, possivelmente por meio de alertas mais diretos e acessíveis, como mensagens de texto ou aplicativos. A resposta rápida dos bombeiros e da Defesa Civil demonstrou a capacidade de atuação em emergências, mas a prevenção continua sendo a melhor estratégia para proteger vidas e patrimônios. Campinas, como muitas metrópoles brasileiras, enfrenta o desafio de se adaptar às mudanças climáticas, exigindo um esforço conjunto entre governo e comunidade para construir um futuro mais seguro e resiliente, onde eventos como o recente se tornem cada vez menos devastadores.

Perguntas frequentes

1. Quantos carros foram submersos no alagamento do Taquaral?
De acordo com a Defesa Civil, 21 carros foram completamente submersos na região do antigo kartódromo do Taquaral em Campinas após a forte chuva que atingiu a cidade.

2. Havia sinalização de risco de alagamento na área?
Sim, a área possui placas de sinalização que alertam sobre o risco de enchentes. No entanto, alguns motoristas afetados relataram não ter notado a sinalização antes de estacionar seus veículos.

3. Além dos carros, quais outros danos a tempestade causou em Campinas?
A Defesa Civil também registrou a queda de 27 árvores e dois galhos em diversos pontos da cidade, causando danos materiais em veículos e infraestrutura, embora, felizmente, ninguém tenha ficado ferido nesses incidentes.

Para mais informações sobre as condições climáticas e medidas de segurança em Campinas, consulte os comunicados oficiais da prefeitura e da Defesa Civil.

Fonte: https://g1.globo.com

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