O avanço dos crimes digitais tem colocado a indústria brasileira e as pequenas e médias empresas no topo da lista de alvos preferenciais de cibercriminosos. Os dados foram revelados durante o Exercício Guardião 8.0, o maior treinamento de cibersegurança do Hemisfério Sul, realizado no DigiTech Firjan SENAI, no Rio de Janeiro, e simultaneamente em outros seis estados.
Organizado pelo Exército Brasileiro, em parceria com a Firjan SENAI, o evento reúne cerca de 20 empresas e instituições estratégicas para a sociedade, incluindo setores de energia, transporte e indústria pesada.
Segundo o estudo “Panorama de Ciberameaças no Brasil: tendências e perspectivas para o próximo ano”, 18,7% das ocorrências de média e baixa gravidade foram registradas em indústrias, superando o setor público (18,5%). Já nos casos de alta severidade, como sequestro e extração de dados, o poder público lidera com 18,5%, seguido pela indústria (16,6%).
O especialista Cristian Souza, doutorando em Ciências da Computação pela USP, alerta que o sequestro de dados se tornou um mercado lucrativo e descentralizado. “Os criminosos não miram mais apenas grandes corporações. Se conseguirem invadir centenas de sistemas e apenas alguns pagarem pelo resgate, o ataque já é rentável”, explicou.
Para Alexandre Reis, diretor-executivo operacional do Sistema Firjan e do SESI SENAI, o cenário reforça a necessidade de qualificação profissional. “A segurança digital é hoje um fator estratégico para a competitividade da indústria. O DigiTech está preparado para formar profissionais e empresários atentos a essa nova realidade”, afirmou.
Inteligência Artificial e novas ameaças
O Rio de Janeiro ocupa a terceira posição nacional em número de incidentes cibernéticos registrados pela Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD), atrás apenas de São Paulo e do Distrito Federal. Nos últimos cinco anos, houve um aumento de 95% nos ataques.
Representantes da Polícia Federal e de órgãos de prevenção alertaram que a Inteligência Artificial tem potencializado os crimes digitais, automatizando varreduras de sistemas e aprimorando golpes de phishing, em que criminosos se passam por pessoas ou instituições legítimas.
A executiva Luciana Durbano, COO da EcoTrust, empresa parceira do DigiTech Firjan SENAI, relatou que até companhias especializadas em cibersegurança sofrem ataques diários. “É uma questão de sobrevivência. Recebemos tentativas de invasão vindas de todo o mundo, e isso mostra o quanto o problema é real e urgente”, afirmou.
Treinamento estratégico
O Exercício Guardião 8.0 simula ataques cibernéticos coordenados pelo Exército, a partir de Brasília, contra equipes de defesa de empresas e instituições nas capitais participantes. No Rio, o treinamento envolve setores como MetrôRio, Light, Detran-RJ e indústrias de óleo e gás e siderurgia.
A iniciativa busca fortalecer a resiliência digital das organizações e preparar profissionais para responder a incidentes com agilidade e eficiência, consolidando o Brasil como referência em cibersegurança corporativa na América Latina.
Foto: Rossana Fraga (Firjan)
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