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© Edilson Rodrigues/Agência Senado

Setembro Roxo: Conscientização e Avanços no Combate à Fibrose Cística, a ‘Doença do Beijo Salgado’

Conhecida popularmente como a "doença do beijo salgado", a fibrose cística (FC) é uma condição genética rara e incurável que afeta milhares de pessoas. Caracterizada pela alta concentração de sal na pele e no suor, a FC recebe atenção especial durante o mês de setembro, quando o "Setembro Roxo" emerge como uma campanha vital de alerta e conscientização. Este período é crucial para informar a população sobre essa enfermidade complexa, cujos sintomas, se não diagnosticados e tratados precocemente, podem gerar sérias complicações.

A Fibrose Cística: Uma Doença Genética Complexa

A origem da fibrose cística reside em alterações genéticas que comprometem a produção de uma proteína fundamental para o transporte de cloro e sódio através das membranas celulares. Esse defeito genético, também conhecido como mucoviscidose, resulta na produção de secreções mais espessas e pegajosas em diversos órgãos do corpo, prejudicando seu funcionamento natural. Essa disfunção celular é a raiz dos múltiplos sintomas que caracterizam a doença.

Sintomas e Manifestações Clínicas

As secreções anormais impactam principalmente os pulmões e o pâncreas, levando a um quadro clínico variado. A pneumologista Renata Wrobel, do Instituto Fernandes Figueira (Fiocruz), detalha as principais manifestações: “As secreções ficam todas mais espessas, seja no pulmão, seja no pâncreas. Então, são pacientes que têm muitos sintomas pulmonares, tosses, pneumonia, podem ter infecções respiratórias recorrentes.” No sistema digestório, a insuficiência pancreática é comum, impedindo a adequada absorção de gorduras e vitaminas, o que, se não tratado, pode culminar em desnutrição. Além da tosse crônica e infecções pulmonares, dificuldades de ganho de peso e diarreia são sintomas frequentemente observados.

O Caminho para o Diagnóstico Precoce

O diagnóstico da fibrose cística em recém-nascidos é um marco crucial para a intervenção precoce. Ele se inicia com o Teste do Pezinho, realizado entre o terceiro e o quinto dia de vida. Um resultado positivo exige confirmação pelo Teste do Suor, considerado o padrão-ouro para a identificação da doença. Este último exame é eficaz em qualquer fase da vida, sendo essencial para fechar o diagnóstico e permitir o início imediato do tratamento, como no caso de Pedro Braga, que aos cinco meses de vida, após múltiplas internações, recebeu o diagnóstico correto e pôde iniciar os cuidados adequados.

A Importância do Tratamento e o Impacto na Qualidade de Vida

A intervenção terapêutica precoce é vital para mudar o prognóstico da fibrose cística. Jeane Braga, mãe de Pedro, hoje com 12 anos, ressalta a importância da divulgação de informações para evitar o diagnóstico tardio. Ela relata que a falta de conhecimento sobre a doença e o atraso no diagnóstico resultaram em perdas nutricionais e comprometimentos pulmonares e pancreáticos que são irreversíveis. Com o tratamento adequado, Pedro leva uma vida considerada normal, participando de atividades como a natação e mantendo-se livre de internações, demonstrando o impacto positivo de uma gestão eficaz da doença. O tratamento da FC é multidisciplinar, envolvendo diversas especialidades, e é integralmente oferecido pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Avanços Terapêuticos e o Acesso pelo SUS

A esperança para pacientes com fibrose cística foi significativamente ampliada com a incorporação de novos medicamentos no SUS. Desde 2023, os moduladores de CFTR (sigla em inglês para regulador de condutância transmembrana da fibrose cística) estão disponíveis para pacientes acima dos seis anos de idade que possuem uma das mutações mais comuns associadas à doença. Segundo dados do Ministério da Saúde, mais de 2,4 mil pacientes já se beneficiam dessa terapia inovadora. Os resultados desses moduladores são impressionantes, com uma redução de quase 85% nas internações e de até 90% nos transplantes pulmonares, representando um avanço notável na qualidade de vida e na sobrevida dos pacientes.

O Setembro Roxo, portanto, não é apenas um mês para lembrar da fibrose cística, mas também para celebrar os avanços da medicina e reforçar a necessidade de diagnóstico precoce. A informação salva vidas e garante que mais crianças, como Pedro, possam viver uma infância e uma vida adulta mais plenas, com menos complicações e mais esperança, graças aos cuidados e tratamentos que a ciência e o SUS podem oferecer.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br