O meio-campista Willian Arão, atualmente no Santos FC, iniciou um processo judicial nos Estados Unidos contra o ex-goleiro da Seleção Brasileira, Doniéber Alexander Marangon, conhecido como Doni. O motivo da ação é um investimento de US$ 200 mil, equivalente a mais de R$ 1 milhão, que Arão teria feito em um projeto imobiliário na Flórida, gerido pela D32 Wholesale, empresa da qual Doni é sócio. O jogador alega que as promessas de retorno e segurança do investimento não foram cumpridas, resultando em prejuízo financeiro. A controvérsia se soma a outras acusações enfrentadas pela empresa nos EUA, que incluem a falta de entrega de projetos e o não reembolso de valores a investidores. Willian Arão busca uma indenização de US$ 600 mil, além de custas processuais.
Detalhes do investimento e a ação judicial
A disputa legal entre Willian Arão e Doni se concentra em um investimento substancial feito pelo jogador em um empreendimento imobiliário nos Estados Unidos. A situação evidencia os riscos envolvidos em aportes financeiros, especialmente quando há promessas de retorno elevadas e garantias de segurança que, supostamente, não se concretizaram.
As promessas e o contrato
Segundo a defesa de Willian Arão, o ex-goleiro Doni teria exercido uma influência considerável antes da assinatura do contrato e da transferência dos fundos. Documentos judiciais apontam que Doni fez “uma série de declarações expressas e inequívocas” ao jogador sobre a natureza, a segurança e o perfil de retorno do investimento. Essas garantias teriam sido oferecidas tanto em conversas presenciais quanto por meio de mensagens de WhatsApp, onde Doni, inclusive, teria enviado um áudio assegurando que Arão seria reembolsado integralmente com o retorno prometido, independentemente do sucesso ou da conclusão do projeto imobiliário.
O contrato em questão foi assinado em novembro de 2022, com Arão investindo US$ 200 mil em troca de uma participação no projeto imobiliário. Contudo, as expectativas não foram atendidas, levando o jogador a buscar reparação legal. A alegação central da ação é que as promessas de Doni foram decisivas para a decisão de Arão, e a subsequente falha em cumpri-las configura uma quebra de contrato e de confiança.
O processo legal
A ação judicial de Willian Arão foi protocolada em 16 de setembro de 2025 no Tribunal do Condado de Orange, na Flórida. O jogador solicita uma indenização de US$ 600 mil, valor que supera os R$ 3 milhões, além do pagamento de honorários advocatícios e custas processuais. O processo não se limita apenas a Doni; a empresa D32 Wholesale e outros quatro sócios também são citados como réus.
Representantes de Arão informaram que a questão foi tratada em diversas oportunidades, mas não foi possível alcançar uma solução amigável fora dos tribunais, o que tornou a ação judicial inevitável. O jogador manifestou que aguarda a “regular tramitação do processo e a devida resolução do caso pelas vias legais”. Tentativas de obter informações sobre uma audiência realizada em 29 de janeiro de 2026, junto ao Tribunal do Condado de Orange, não obtiveram resposta até o momento. Este desdobramento sublinha a seriedade das acusações e a complexidade da disputa em andamento.
O perfil da D32 Wholesale e outras acusações
A D32 Wholesale, empresa no centro das acusações de Willian Arão, é uma incorporadora que opera no mercado imobiliário dos Estados Unidos. Seu modelo de negócio e as práticas de captação de recursos têm sido alvo de investigações e outras reclamações judiciais.
Modelo de negócio da D32
A D32 Wholesale tem como sócios Doniéber Alexander Marangon, o ex-goleiro Doni, e o também brasileiro Werner Macedo. A companhia atua no setor imobiliário da Flórida, com um modelo de negócio que previa a captação de recursos no Brasil e no exterior. A promessa aos investidores era de rendimentos de até 15% ao ano, com a construção de casas em condomínios de médio e alto padrão no estado.
Registros de um contrato analisado pela imprensa para a construção de uma casa por quase US$ 200 mil em Dunnellon, Flórida, detalham o funcionamento das operações da D32. Assinado em setembro de 2021, o documento estabelecia um prazo de dois anos para a entrega do imóvel. O contrato previa a contratação de um empreiteiro licenciado, o pagamento de todas as licenças e alvarás necessários, e a entrega do imóvel com eletrodomésticos em aço inoxidável. O pagamento era dividido em etapas: US$ 5 mil de entrada, US$ 34,6 mil após a emissão do alvará de construção e US$ 163,4 mil após a entrega da escritura. Garantias para o vendedor incluíam o direito de fazer alterações no projeto para cumprir códigos de construção, enquanto o comprador tinha a segurança de que a data de conclusão da obra não poderia ser prorrogada (exceto por força maior) e uma garantia estrutural de dez anos. Em caso de rescisão sem justa causa, o vendedor deveria devolver todos os valores pagos, acrescidos de juros.
Reclamações e defesa da empresa
As reclamações contra a D32 Wholesale não se restringem ao caso de Willian Arão. Investigações jornalísticas e relatos de moradores na Flórida, em 2025, revelaram imóveis abandonados em Palm Bay, gerando transtornos urbanos e insatisfação local. Compradores também alegaram prejuízos financeiros significativos devido à falta de entrega dos imóveis e à ausência de devolução dos valores investidos. Um dos relatos à imprensa local descrevia a dificuldade em reaver um depósito: “Solicitei oficialmente o reembolso e continuo recebendo o mesmo e-mail, pedindo para eu falar com a construtora, que eles entrariam em contato comigo. Até agora, a construtora não me contatou. Só quero meu depósito de volta e seguir em frente”, afirmou um homem na época.
Em comunicado oficial, Doni negou as acusações e afirmou que a empresa passa por um processo de reestruturação societária e administrativa, decorrente da integração com duas empresas do setor da construção no Brasil e nos Estados Unidos. Essa reestruturação, segundo ele, envolve a revisão e renegociação de contratos sob nova gestão, o que teria gerado “divergências comerciais pontuais”. Doni classificou a divulgação de informações como “imprecisas e de viés sensacionalista” e assegurou que a atuação jurídica da empresa tem sido diligente e transparente. Ele também afirmou que não existe pedido de prisão e que, em audiência recente, o magistrado confirmou que toda a documentação solicitada havia sido entregue, validando o cumprimento integral das obrigações judiciais. Doni reforçou que a empresa mantém apoio de um Fundo de Capital e de uma Construtora sediados na Flórida, com um projeto que prevê mais de 2.500 unidades, das quais 250 já teriam sido entregues.
O futuro da disputa e o impacto nos investidores
A ação movida por Willian Arão contra o ex-goleiro Doni e sua empresa D32 Wholesale é um dos múltiplos desafios legais que a incorporadora enfrenta nos Estados Unidos. A complexidade do caso reside não apenas na vultosa quantia investida pelo jogador, mas também nas alegações de promessas não cumpridas e na suposta má gestão que afetou outros investidores. Enquanto a defesa de Arão busca a reparação dos danos e a indenização, Doni e a D32 Wholesale sustentam que as dificuldades atuais são parte de um processo de reestruturação empresarial e que as obrigações legais estão sendo cumpridas. O desfecho desta e de outras ações impactará diretamente a reputação dos envolvidos e o futuro dos empreendimentos imobiliários da D32 na Flórida, além de servir como um alerta importante para todos os que consideram investir em mercados estrangeiros. A resolução dos processos judiciais será crucial para determinar as responsabilidades e os próximos passos para as partes envolvidas.
Perguntas frequentes
1. Quem são os principais envolvidos na disputa judicial?
Os principais envolvidos são o meio-campista Willian Arão, que move a ação, e o ex-goleiro da Seleção Brasileira, Doni (Doniéber Alexander Marangon), sócio da D32 Wholesale. A empresa e outros quatro sócios também são réus no processo.
2. Qual a natureza do investimento e as promessas feitas?
Willian Arão investiu US$ 200 mil em um projeto imobiliário nos Estados Unidos, gerenciado pela D32 Wholesale. Segundo a defesa do jogador, Doni teria prometido retornos garantidos e segurança ao investimento, independentemente do sucesso ou conclusão do empreendimento.
3. Qual é a posição da empresa D32 Wholesale diante das acusações?
Em comunicado oficial, Doni negou as acusações, afirmando que a empresa passa por um processo de reestruturação societária e administrativa. Ele alega que as divergências comerciais são pontuais e que a D32 Wholesale está cooperando plenamente com as autoridades, cumprindo todas as obrigações judiciais.
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Fonte: https://g1.globo.com
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