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© Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

Vendas do Comércio Brasileiro Aceleram 0,5% em Junho e Fecham Semestre em Alta de 1,9%

O comércio brasileiro demonstrou resiliência e crescimento no primeiro semestre do ano, com um avanço notável nas vendas. Dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), através da Pesquisa Mensal de Comércio (PMC), revelam uma expansão de 0,5% em junho na comparação com o mês anterior. Este desempenho impulsionou o setor a fechar os primeiros seis meses do ano com uma alta acumulada de 1,9% frente ao mesmo período do ano passado, sinalizando uma recuperação progressiva em meio aos desafios econômicos.

Análise Detalhada do Desempenho Semestral e Anual

A trajetória de crescimento do varejo não se limita à variação mensal e semestral. Na análise anual, junho de 2026 registrou um aumento de 2,9% nas vendas em comparação com junho de 2025. Ampliando a perspectiva para os últimos doze meses, o setor acumulou uma variação positiva de 1,6%. Apesar desses números promissores, o segundo trimestre de 2026 apresentou um leve recuo de 0,4% em relação ao primeiro trimestre. Contudo, o patamar atual do comércio permanece robusto, situado apenas 0,8% abaixo do pico histórico atingido em março de 2026, conforme destacado pelo analista da pesquisa, Cristiano Santos, que ressaltou ser o segundo maior nível da série histórica iniciada em janeiro de 2000. Santos também ponderou que, ao alcançar pontos tão elevados, a sustentação de um ritmo de crescimento acelerado se torna naturalmente mais desafiadora.

Fatores Chave para o Impulso das Vendas em Junho

O desempenho positivo de junho foi impulsionado por uma combinação de fatores macroeconômicos favoráveis. Um dos principais elementos foi a desaceleração da inflação, que registrou uma taxa de 0,16% no mês, uma queda significativa em relação aos 0,58% observados em maio. Essa moderação nos preços tende a aumentar o poder de compra das famílias, estimulando o consumo. Adicionalmente, o mercado de trabalho contribuiu positivamente, com um aumento de 1,1% no número de pessoas empregadas entre maio e junho. Ao longo de 2026, a sequência de vendas mensais tem sido majoritariamente de alta, com exceção de abril, que registrou um decréscimo de 1,5%. Os demais meses apresentaram variações positivas, como janeiro (0,5%), fevereiro (0,8%), março (0,8%), maio (0,3%) e, finalmente, junho (0,5%).

Variações por Segmento: O Desempenho das Atividades

A análise setorial revela um cenário misto, onde metade dos oito grupos de atividades pesquisadas pelo IBGE registrou crescimento na transição de maio para junho. Dentre os segmentos que apresentaram alta, destacam-se os hiper e supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo, que cresceram 1,1%, além do setor de móveis e eletrodomésticos, com um avanço de 0,4%, e artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria, que subiram 0,2%. O grupo de 'outros artigos de uso pessoal e doméstico' demonstrou o maior crescimento, com uma alta de 2,4%. Por outro lado, algumas áreas enfrentaram recuos, como combustíveis e lubrificantes (-1,7%), tecidos, vestuário e calçados (-2,6%), livros, jornais, revista e papelaria, que teve a maior queda (-9,9%), e equipamentos e materiais para escritório, informática e comunicação (-1,3%).

Panorama do Comércio Varejista Ampliado

Para uma visão mais abrangente da atividade comercial, o conceito de comércio varejista ampliado inclui, além das vendas tradicionais, segmentos como veículos, motos, partes e peças, material de construção, e alguns produtos alimentícios, bebidas e fumo relacionados ao atacado. Este indicador, embora tenha recuado 1% de maio para junho, registrou um avanço de 1,9% no acumulado do primeiro semestre. No período de doze meses, o varejo ampliado apresentou uma variação positiva de 0,8%. Em junho, este setor encontrava-se 2,1% abaixo de seu maior patamar histórico, que foi alcançado em fevereiro de 2026, indicando um espaço para recuperação.

O Comércio no Contexto da Economia Nacional

Os resultados do comércio se inserem em um panorama econômico mais amplo, sendo a Pesquisa Mensal de Comércio o terceiro dos três levantamentos conjunturais divulgados mensalmente pelo IBGE. Recentemente, o instituto também informou que a produção industrial teve um recuo de 1,8% entre maio e junho, mas ainda assim acumula um avanço de 1,5% no primeiro semestre de 2026 em comparação com o mesmo período de 2025. O setor de serviços, por sua vez, manteve-se estável em junho, sem variação (0%), mas registrou um crescimento de 2% no primeiro semestre. Esses dados, em conjunto, oferecem uma visão complexa, mas com indícios de recuperação gradual em diferentes frentes da economia brasileira.

Em suma, o comércio varejista brasileiro demonstra uma trajetória de crescimento consistente no acumulado do primeiro semestre, impulsionado por fatores como a desaceleração da inflação e o aumento do emprego. Apesar de algumas flutuações mensais e setoriais, e do ligeiro arrefecimento do varejo ampliado em junho, o setor mantém um patamar elevado e contribui de forma significativa para o cenário econômico nacional, indicando uma recuperação gradual e consolidada no período analisado.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br