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Trio de golpistas é preso em São Paulo por fraudes online e

ALESP

Uma operação policial interestadual culminou na prisão de um trio suspeito de aplicar golpes pela internet em Piracicaba, interior de São Paulo. Dois homens, de 21 e 28 anos, e uma mulher, de 27, foram detidos preventivamente na última quarta-feira (21) durante a ação “CyberCombat” da Polícia Civil do Mato Grosso, com apoio de autoridades locais. O grupo é acusado de crimes graves como fraude eletrônica, invasão de dispositivo eletrônico, falsidade ideológica e associação criminosa. A investigação revelou que os criminosos invadiam contas governamentais, como a plataforma gov.br, para subtrair dados pessoais de vítimas e realizar financiamentos de veículos sem autorização, causando um prejuízo estimado em dezenas de milhares de reais e afetando, ao menos, cinquenta pessoas. Um procurador de Justiça do Ministério Público do Mato Grosso foi uma das vítimas com dados acessados, evidenciando a ousadia dos golpistas e a amplitude da rede de fraudes eletrônicas.

A Operação CyberCombat e as Prisões

A ação policial que resultou na desarticulação do trio foi batizada de “CyberCombat” e é parte de um esforço contínuo para combater crimes cibernéticos que têm se proliferado por todo o território nacional. A iniciativa, liderada pela Polícia Civil do Mato Grosso, concentrou-se na cidade de Piracicaba, São Paulo, local onde os suspeitos estariam baseados e de onde operavam grande parte de seus esquemas fraudulentos.

A operação visa desmantelar redes criminosas especializadas em fraudes eletrônicas, invasão de dispositivos e falsidade ideológica, delitos que causam prejuízos financeiros e psicológicos significativos às vítimas. A colaboração entre as forças policiais de diferentes estados foi crucial para o sucesso da empreitada, demonstrando a necessidade de uma abordagem integrada no combate a crimes que transcendem fronteiras geográficas.

O Perfil dos Suspeitos e as Acusações

Os três indivíduos presos, dois homens com idades de 21 e 28 anos e uma mulher de 27, foram alvo de mandados de prisão preventiva. A modalidade de prisão preventiva indica que as autoridades consideram a necessidade de mantê-los sob custódia para garantir a ordem pública, a instrução criminal ou a aplicação da lei penal, dada a gravidade e o caráter organizado dos crimes imputados. Eles são formalmente acusados de associação criminosa, crime que se configura quando três ou mais pessoas se associam para o fim de cometer crimes.

Além disso, enfrentam acusações de invasão de dispositivo eletrônico, falsidade ideológica e, principalmente, fraude eletrônica. As investigações apontam que o grupo utilizava dados roubados para a prática de diversas modalidades de golpes financeiros, explorando a fragilidade digital e a confiança das vítimas. A apreensão de múltiplos dispositivos eletrônicos e documentos durante a operação reforça a materialidade dos crimes e a extensão do esquema.

O Esquema Fraudulento: Invasão de Contas e Financiamento de Veículos

O modus operandi dos criminosos era sofisticado e explorava vulnerabilidades em plataformas digitais do governo. A principal tática consistia na invasão de contas gov.br das vítimas, um portal que centraliza o acesso a diversos serviços públicos e documentos digitais. Uma vez com acesso a essas contas, os golpistas obtinham uma vasta gama de informações pessoais e, o que é mais grave, a capacidade de utilizar a assinatura digital das vítimas.

Com os dados em mãos e a assinatura digital fraudulada, o trio conseguia alterar cadastros, criar novos registros e, alarmantemente, realizar operações financeiras de grande vulto em nome das pessoas lesadas. O foco principal dessas fraudes era o financiamento de veículos em concessionárias, frequentemente localizadas no Mato Grosso, a centenas de quilômetros do local de atuação dos criminosos em São Paulo. Os veículos, adquiridos fraudulentamente, eram então revendidos, completando o ciclo do golpe e gerando lucro ilícito para os criminosos.

A Complexidade do Golpe e as Vítimas

A complexidade do golpe residia na utilização de dados sensíveis e na capacidade de mimetizar a identidade das vítimas digitalmente. Ao obter acesso às contas gov.br, os criminosos podiam assinar digitalmente documentos para o financiamento e a compra de automóveis, bem como para a transferência desses veículos, sem qualquer autorização dos verdadeiros proprietários dos dados. A ousadia ia além: a polícia revelou que, com a assinatura digital das vítimas, os suspeitos conseguiam até mesmo abrir contas bancárias em nome dos lesados, ampliando ainda mais o potencial de fraudes financeiras.

A investigação teve início após uma vítima ter sua conta gov.br invadida, o que levou à subtração de seus dados pessoais para o financiamento de veículos e a criação de contas sem permissão. Em apenas um dos celulares apreendidos durante a operação, as autoridades estimam que foram encontrados dados de, pelo menos, 50 vítimas de fraudes. Entre as vítimas estava um procurador de Justiça do Ministério Público do Mato Grosso, que teve seus dados acessados, embora não tenha caído no golpe. Este fato sublinha a abrangência e a impunidade com que os criminosos agiam, não poupando sequer figuras públicas. A Justiça de Lucas do Rio Verde (MT), distante 1.700 km de Piracicaba, autorizou as quebras de sigilos telefônicos dos suspeitos, evidenciando a dimensão interestadual da investigação e do esquema.

O Desdobramento da Investigação e as Apreensões

Durante a operação “CyberCombat”, as equipes policiais realizaram mandados de busca e apreensão em diversos imóveis nos bairros Jardim Alvorada e Nova América, em Piracicaba. O resultado foi a coleta de um vasto material que serve como evidência crucial para a investigação. Entre os itens apreendidos estão celulares, computadores, chips de telefonia e HDs, que agora passarão por perícia técnica para aprofundar a compreensão do esquema e identificar outras possíveis vítimas e co-autores.

A Polícia Civil também investiga a possibilidade de participação de funcionários públicos na facilitação do esquema de fraudes. Essa linha de investigação é de extrema seriedade, pois a participação de agentes estatais poderia indicar um nível ainda maior de sofisticação e dificuldade na detecção dos crimes, tornando o processo de recuperação de prejuízos para as vítimas ainda mais complexo. O Poder Judiciário, em resposta às solicitações da polícia, decretou as prisões preventivas e autorizou o cumprimento dos mandados de busca e apreensão, fornecendo o respaldo legal necessário para a continuidade das diligências.

O Envolvimento de Concessionárias

Um dos pontos mais intrigantes da investigação é o elo dos criminosos com o setor de revenda de veículos. As autoridades descobriram que alguns dos automóveis adquiridos por meio das fraudes eram revendidos em concessionárias, inserindo-os de volta ao mercado de forma aparentemente lícita. Um mandado de busca e apreensão foi especificamente cumprido em uma concessionária de revenda de veículos localizada no bairro Piracicamirim, em Piracicaba.

Segundo a polícia, essa concessionária teria ligação direta com os investigados presos, atuando como um canal para a “lavagem” dos bens obtidos ilicitamente. A existência de um estabelecimento comercial envolvido no esquema sugere um nível de organização e planejamento que vai além de um simples trio de golpistas, indicando uma possível rede mais ampla de colaboradores. As investigações continuam para determinar a extensão do envolvimento da concessionária e de seus proprietários ou funcionários no esquema fraudulento.

As Consequências e a Luta Contra Fraudes Eletrônicas

A prisão do trio em Piracicaba é um marco importante na luta contra as fraudes eletrônicas no Brasil. A operação CyberCombat demonstra a capacidade das forças de segurança de se articularem e utilizarem recursos tecnológicos para desmantelar esquemas criminosos cada vez mais complexos e transfronteiriços. As vítimas de tais golpes frequentemente enfrentam não apenas prejuízos financeiros significativos, mas também o estresse de ter sua identidade comprometida e seus dados pessoais explorados. A recuperação da confiança e a reversão dos danos podem ser processos longos e desgastantes.

Este caso serve como um alerta para a constante necessidade de vigilância e aprimoramento da segurança digital, tanto por parte dos cidadãos quanto das instituições. A facilidade com que informações são acessadas e manipuladas digitalmente exige uma proteção robusta e uma resposta ágil das autoridades para coibir a ação de criminosos que se valem da tecnologia para iludir e prejudicar. A colaboração interinstitucional e a especialização das polícias em crimes cibernéticos são essenciais para enfrentar esse desafio em evolução.

Perguntas Frequentes sobre Golpes Online

1. O que é uma conta gov.br e por que ela é alvo de golpistas?
A conta gov.br é uma identificação digital única para o cidadão acessar diversos serviços públicos federais, estaduais e municipais de forma segura e simplificada. Ela armazena dados pessoais e, em níveis mais altos de segurança, permite a assinatura eletrônica de documentos. Golpistas a atacam porque o acesso a ela concede informações sensíveis e a capacidade de realizar ações em nome da vítima, como financiamentos e aberturas de conta, devido à funcionalidade de assinatura digital.

2. Como posso proteger minha conta gov.br e meus dados pessoais?
Para proteger sua conta gov.br, ative a verificação em duas etapas (autenticação de dois fatores), utilize senhas fortes e únicas, e nunca as compartilhe. Mantenha seus dispositivos (celulares, computadores) atualizados com softwares de segurança. Desconfie de e-mails, mensagens ou ligações que solicitem dados pessoais ou credenciais de acesso, mesmo que pareçam ser de instituições oficiais. Sempre verifique a autenticidade dos remetentes.

3. O que devo fazer se suspeitar que fui vítima de um golpe ou tive minha conta invadida?
Se você suspeitar que foi vítima de um golpe ou que sua conta gov.br foi invadida, altere imediatamente suas senhas de todas as contas importantes (e-mail, bancos, redes sociais). Entre em contato com seu banco para monitorar suas transações e, se for o caso, bloquear cartões. Registre um boletim de ocorrência na Polícia Civil, fornecendo o máximo de detalhes possível sobre o incidente. Notifique também os órgãos envolvidos, como a plataforma gov.br.

4. Qual o papel da polícia em operações contra fraudes eletrônicas?
A polícia, através de suas divisões de combate a crimes cibernéticos, atua na investigação, identificação e prisão de criminosos envolvidos em fraudes eletrônicas. Isso inclui a coleta de evidências digitais, a quebra de sigilos , a cooperação interestadual e internacional, e a desarticulação de redes criminosas. O objetivo é proteger os cidadãos, coibir a prática desses delitos e levar os responsáveis à justiça.

Denuncie fraudes eletrônicas e proteja-se! Mantenha seus dados seguros e contribua para um ambiente digital mais protegido.

Fonte: https://g1.globo.com

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