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Agência Brasil

Site que Oferecia Criptomoedas por Apoio Político Apaga Conteúdo e Gera Investigação Eleitoral

Uma plataforma online que prometia recompensas em criptomoedas em troca de publicações de apoio à campanha do deputado Flávio Bolsonaro (PL) retirou todo o seu conteúdo político do ar. A iniciativa, que combinava suporte eleitoral com um projeto social em Uganda, rapidamente gerou controvérsia e acendeu o alerta das autoridades eleitorais, culminando em pedidos de investigação e posicionamentos dos envolvidos.

A Origem da Controvérsia: Cripto, Política e Apoio a Jovens Ugandanos

O site, que não teve sua autoria revelada inicialmente, apresentava-se como um "movimento que une apoio ao voto 22" – número da legenda de Bolsonaro – e uma proposta de assistência à organização "Hyperkids África" para a construção de uma casa em Kampala, Uganda. O grupo Hyperkids é conhecido por suas performances de dança e possui uma vasta popularidade nas redes sociais, com quase 13 milhões de seguidores.

A polêmica se intensificou quando o próprio perfil do Hyperkids publicou um vídeo promovendo o esquema de criptomoedas e mencionando figuras políticas como Flávio Bolsonaro, o deputado Nikolas Ferreira e o influenciador Pablo Marçal. Este vídeo se tornou um dos pontos centrais da discussão sobre a legalidade da ação.

Repercussão Negativa e Medidas Tomadas

A veiculação do conteúdo político atrelado a recompensas financeiras na internet rapidamente provocou uma onda de críticas e questionamentos. Diante da repercussão negativa, o vídeo publicado pelo Hyperkids foi prontamente retirado do ar. Segundo reportagem da BBC, o grupo ugandense teria se comprometido a devolver os tokens recebidos pela publicação, buscando reverter a situação.

Em um comunicado em sua própria página, o site responsável pela oferta das criptomoedas declarou nunca ter tido a intenção de infringir qualquer legislação. A plataforma informou a remoção de toda a comunicação relacionada à política e afirmou que, até o dia 25 de outubro, focaria exclusivamente no apoio ao grupo das crianças de Uganda, afastando-se do debate eleitoral.

Desdobramentos Legais e o Posicionamento das Campanhas

A Lei das Eleições proíbe expressamente qualquer tipo de propaganda eleitoral paga na internet, com exceção do impulsionamento de conteúdo, o que colocou a iniciativa sob escrutínio. A campanha de Flávio Bolsonaro, por sua vez, divulgou que desconhece a autoria do site da criptomoeda e anunciou que tomará as medidas judiciais cabíveis contra a publicação, defendendo-se de qualquer associação com a origem da plataforma.

Em paralelo, a Coligação Brasil Pronto pra Mais, que apoia a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva, solicitou formalmente à Procuradoria-Geral Eleitoral a identificação dos responsáveis pelo site e a instauração de uma investigação para apurar a ocorrência de possíveis crimes eleitorais. A movimentação sublinha a gravidade do incidente no contexto das campanhas digitais.

O episódio evidencia os desafios e as complexidades da regulamentação eleitoral no ambiente digital, especialmente com o advento de novas tecnologias como as criptomoedas. As investigações em curso determinarão as responsabilidades e as consequências legais para os envolvidos, enquanto o debate sobre a ética na propaganda online ganha ainda mais relevância.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br