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Rastreamento do câncer de colo do útero é transformado por novo guia

ANUNCIO COTIA/LATERAL

A prevenção do câncer de colo do útero, uma das doenças que mais afetam mulheres globalmente, está passando por uma significativa atualização em suas estratégias de rastreamento. Um guia prático detalhado foi recentemente lançado para orientar profissionais de saúde nessa transição crucial. A principal mudança consiste na substituição gradual do tradicional exame Papanicolau pelo teste molecular de DNA-HPV, uma abordagem mais moderna e eficaz para a detecção precoce do Papilomavírus Humano (HPV), o principal agente etiológico da doença. Esta iniciativa representa um marco importante no mês de conscientização e prevenção do câncer de colo do útero, conhecido como Janeiro Verde, reforçando o compromisso com a saúde feminina e a busca por métodos diagnósticos cada vez mais precisos e seguros. A evolução visa otimizar as estratégias de prevenção secundária, permitindo intervenções mais rápidas e impactando positivamente a vida de milhares de mulheres.

A revolução no rastreamento: do Papanicolau ao DNA-HPV

A introdução do teste molecular de DNA-HPV como método primário de rastreamento do câncer de colo do útero marca uma nova era na saúde preventiva. Por décadas, o exame Papanicolau, ou citologia cervical, tem sido a ferramenta padrão, analisando as alterações celulares no colo do útero que podem indicar a presença de lesões pré-cancerígenas ou cancerígenas. Contudo, a ciência avança, e com ela, a busca por métodos ainda mais sensíveis e específicos. O teste de DNA-HPV representa esse salto qualitativo, focando na detecção direta do vírus HPV, responsável pela grande maioria dos casos de câncer de colo do útero.

Mais sensibilidade e precisão com o teste molecular

A superioridade do teste molecular de DNA-HPV reside, fundamentalmente, em sua maior sensibilidade. Enquanto o Papanicolau identifica as células anormais que podem ser decorrentes da infecção pelo HPV, o teste de DNA-HPV detecta a presença real do material genético do vírus de alto risco no organismo. Esta capacidade de identificação direta da infecção viral de forma mais precoce permite que as estratégias de prevenção sejam ainda mais eficazes, possibilitando o monitoramento e a intervenção antes que as lesões celulares significativas se desenvolvam.

Especialistas na área enfatizam a segurança do novo exame. Caso o resultado do teste de DNA-HPV seja negativo, a probabilidade de a pessoa desenvolver lesões precursoras de câncer ou o próprio câncer de colo do útero em um intervalo de cinco anos é de aproximadamente 99%. Essa alta taxa de segurança não apenas tranquiliza as pacientes, mas também permite a extensão do intervalo entre os exames, otimizando recursos e reduzindo a frequência de visitas ao serviço de saúde. Em alguns países, essa segurança comprovada já levou à adoção de intervalos ainda maiores, de até dez anos, para a repetição do teste em casos negativos.

O procedimento de coleta do material para o teste de DNA-HPV é praticamente idêntico ao do Papanicolau. Envolve a coleta de células do colo do útero com uma pequena escova ou espátula. A principal diferença ocorre após a coleta: o material é acondicionado em um tubete com líquido preservador e, então, encaminhado para um laboratório especializado, onde a análise molecular é realizada por equipamentos automatizados. Essa padronização e automação contribuem para a precisão e a eficiência do método, garantindo resultados consistentes e confiáveis.

Diretrizes atualizadas e o impacto para a população feminina

A transição para o rastreamento baseado no teste de DNA-HPV traz implicações diretas para a população feminina e para o sistema de saúde como um todo. As novas diretrizes visam otimizar a triagem, tornando-a mais eficiente na identificação de mulheres em risco, ao mesmo tempo em que proporciona maior conforto e segurança às pacientes.

Público-alvo e a nova periodicidade dos exames

O público-alvo para o rastreamento do câncer de colo do útero no Brasil permanece inalterado com a adoção do teste de DNA-HPV. Mulheres na faixa etária de 25 a 64 anos de idade continuam sendo o grupo prioritário para a realização dos exames preventivos. Essa faixa etária é considerada a de maior risco para o desenvolvimento das lesões que podem progredir para o câncer, e o rastreamento nesse período é crucial para a detecção precoce e o tratamento oportuno.

A grande mudança, no entanto, reside na periodicidade dos testes. Enquanto o rastreamento por citologia (Papanicolau) exigia que o exame fosse repetido a cada três anos após dois resultados negativos consecutivos realizados com intervalo de um ano, o novo teste de DNA-HPV permite um intervalo significativamente maior. Com um resultado negativo para o DNA-HPV, o próximo exame de rastreamento é recomendado apenas após cinco anos. Essa extensão do período entre os exames representa um benefício substancial, diminuindo a ansiedade das pacientes, reduzindo a necessidade de visitas frequentes e otimizando os recursos do sistema de saúde. A menor frequência de testes, sem comprometer a segurança, pode inclusive aumentar a adesão ao programa de rastreamento.

A importância crucial da vacinação contra o HPV

Paralelamente ao rastreamento, a vacinação contra o HPV continua sendo um pilar fundamental na estratégia de prevenção do câncer de colo do útero. A vacina é uma ferramenta de prevenção primária, agindo antes mesmo da infecção, protegendo contra os tipos de HPV mais comumente associados ao desenvolvimento da doença. No Brasil, a vacinação contra o HPV é oferecida gratuitamente através do Sistema Único de Saúde (SUS) para meninas e meninos em idades específicas, geralmente entre 9 e 14 anos, visando a proteção antes do início da vida sexual.

Além da população-alvo jovem, a vacina também está disponível no SUS para grupos prioritários, que incluem:
Pessoas vivendo com HIV/Aids
Indivíduos transplantados (de órgãos sólidos, medula óssea)
Pacientes oncológicos em tratamento
Vítimas de abuso sexual

Esses grupos são considerados de maior vulnerabilidade devido a sistemas imunológicos comprometidos ou a situações de maior risco de exposição, o que justifica a priorização do acesso à vacina. É crucial ressaltar que a vacinação não elimina a necessidade de rastreamento, uma vez que a vacina não cobre todos os tipos de HPV e algumas pessoas podem já ter sido expostas ao vírus antes da vacinação. Portanto, a combinação da vacinação (prevenção primária) com o rastreamento (prevenção secundária) oferece a proteção mais completa contra o câncer de colo do útero.

O avanço contínuo na luta contra a doença

A atualização das diretrizes de rastreamento, com a transição para o teste molecular de DNA-HPV e a constante promoção da vacinação, representa um avanço significativo na luta contra o câncer de colo do útero. Essas medidas, embasadas em evidências científicas robustas, visam aprimorar a capacidade de detecção precoce e, consequentemente, a eficácia dos tratamentos, impactando diretamente na redução da incidência e da mortalidade por esta doença. A integração de tecnologias mais sensíveis e a manutenção de programas de vacinação abrangentes são essenciais para um futuro onde o câncer de colo do útero seja uma ameaça cada vez menor à saúde feminina. A educação e a conscientização sobre a importância de ambas as estratégias continuam sendo pilares para o sucesso dessas iniciativas de saúde pública.

Perguntas frequentes sobre o novo rastreamento

1. O que muda com o novo rastreamento do câncer de colo do útero?
A principal mudança é a substituição gradual do exame Papanicolau pelo teste molecular de DNA-HPV como método primário de rastreamento. O teste de DNA-HPV é mais sensível, detecta a infecção pelo vírus HPV de alto risco de forma mais precoce e permite intervalos maiores entre os exames.

2. Quem deve fazer o teste molecular de DNA-HPV?
O público-alvo para o rastreamento continua sendo mulheres na faixa etária de 25 a 64 anos de idade. Profissionais de saúde serão orientados a fazer a transição para o novo método, que deve ser oferecido a este grupo.

3. Qual a periodicidade do novo exame de DNA-HPV?
Após um resultado negativo do teste de DNA-HPV, o próximo exame de rastreamento é recomendado apenas após cinco anos. Isso difere do Papanicolau, que exigia exames a cada três anos após dois resultados negativos anuais.

4. A vacina contra o HPV ainda é importante, mesmo com o novo teste?
Sim, a vacinação contra o HPV continua sendo crucial. Ela é uma medida de prevenção primária que protege contra a infecção pelos tipos de HPV mais relacionados ao câncer de colo do útero. O rastreamento e a vacinação são complementares e oferecem a proteção mais completa. A vacina está disponível gratuitamente no SUS para idades específicas e grupos prioritários.

Para mais informações detalhadas e para consultar o guia prático completo sobre a prevenção do câncer de colo do útero, procure o site oficial da sua autoridade de saúde ou agende uma consulta com seu médico.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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