© Mauro Neto/Secom

Policia do Amazonas detém agentes públicos por colaborar com facção

ANUNCIO COTIA/LATERAL

Uma operação deflagrada pela Polícia Civil do Amazonas resultou na prisão preventiva de pelo menos 13 indivíduos, incluindo agentes públicos detidos, sob suspeita de integrar um complexo esquema de tráfico de drogas comandado pelo Comando Vermelho (CV). A ação revelou uma intrincada rede de corrupção, que envolvia servidores dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, evidenciando a infiltração criminosa em estruturas estatais. Desde 2018, os suspeitos teriam movimentado cerca de R$ 70 milhões, utilizando empresas de fachada para lavar o dinheiro ilícito e conferir-lhe uma aparência de legalidade. A gravidade da situação ressalta a importância da integridade nos cargos públicos e a vigilância contínua contra a criminalidade organizada.

Operação Erga Omnes: desvendando a rede de corrupção e tráfico

A investigação, batizada de Operação Erga Omnes, desnudou um vasto esquema criminoso que operava com a colaboração de agentes públicos, comprometendo a confiança nas instituições. As prisões preventivas foram realizadas nesta sexta-feira (20), após um minucioso trabalho de inteligência que reuniu provas robustas contra os envolvidos. O delegado Marcelo Martins, titular do 24º Distrito Integrado de Polícia (DIP), destacou em coletiva de imprensa em Manaus que o trabalho policial foi pautado exclusivamente nas evidências contidas nos autos, que fundamentaram os pedidos de prisão dos suspeitos.

O esquema financeiro e a lavagem de dinheiro

Os investigadores revelaram que o grupo criminoso orquestrou uma sofisticada operação de lavagem de dinheiro, movimentando em torno de R$ 70 milhões desde 2018. Para legalizar os lucros advindos do tráfico de drogas, os criminosos recorriam a uma rede de empresas de fachada. Essas empresas eram utilizadas para simular atividades lícitas e, assim, integrar o dinheiro sujo ao sistema financeiro. Relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) foram cruciais para identificar transações financeiras de alto valor, muitas delas realizadas por servidores públicos com suspeita de envolvimento no esquema. A análise detalhada dessas movimentações demonstrou que as empresas não possuíam atividades financeiras compatíveis com seus supostos ramos de atuação, não compravam insumos ou negociavam com outras empresas legítimas; suas únicas transações eram com traficantes e os agentes públicos implicados.

Abrangência nacional e modus operandi

A atuação do grupo não se restringia ao Amazonas. As investigações indicaram que a organização criminosa possuía ramificações nos estados do Ceará, Maranhão, Minas Gerais, Pará, São Paulo e Piauí. Em diversas localidades, mandados judiciais de prisão e de busca e apreensão foram cumpridos com o apoio de forças de segurança estaduais, demonstrando a capilaridade da rede. O modus operandi envolvia a aquisição de drogas em Tabatinga, no Amazonas, e a transação dos valores ilícitos por meio de empresas fantasmas estabelecidas no Amazonas e no Pará. Em seguida, a distribuição dos entorpecentes era feita para todo o território nacional, utilizando empresas de logística constituídas pelo próprio grupo, que simulavam transporte de cargas lícitas. A Polícia Civil também apontou que, para dificultar a identificação de seus membros, o grupo chegou a usar igrejas evangélicas. Um dos líderes da organização, por exemplo, apresentava-se como evangélico e atuava em uma igreja localizada no bairro Zumbi dos Palmares, na zona leste de Manaus.

Servidores públicos sob investigação: implicações e reações institucionais

A participação de ocupantes de cargos públicos no esquema adiciona uma camada de complexidade e gravidade à Operação Erga Omnes. Os servidores são investigados por formação de organização criminosa, corrupção ativa e passiva, violação de sigilo funcional, tráfico de drogas e lavagem de dinheiro. A Polícia Civil enfatizou que a colaboração desses agentes ocorria de diversas formas, desde suporte logístico até a facilitação de acesso à administração pública ou o fornecimento de informações sigilosas. Essa atuação facilitava o trânsito da organização criminosa por diferentes instituições públicas, conferindo-lhes uma proteção e eficiência operacionais que seriam impossíveis sem essa cumplicidade.

Perfis dos detidos e suas funções estratégicas

Entre os alvos da operação, destacam-se Anabela Cardoso Freitas, investigadora da Polícia Civil cedida à Casa Civil municipal, onde atuava como assessora técnica. Segundo informações, ela já teria ocupado a chefia do gabinete do prefeito, embora o atual gestor não seja alvo da investigação. Outro nome divulgado é Izaldir Moreno Barros, auxiliar judiciário do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJ-AM). A participação de figuras com acesso a informações privilegiadas e trânsito em órgãos estratégicos evidencia o grau de infiltração da facção criminosa nas esferas do poder público, utilizando a estrutura estatal para seus próprios fins ilícitos. A polícia ressaltou que as provas coletadas foram decisivas para demonstrar como esses indivíduos, em suas posições, contribuíam ativamente para o funcionamento e a proteção do esquema de tráfico.

Posicionamento das instituições e o impacto na administração pública

Diante das prisões e investigações, as instituições envolvidas emitiram notas oficiais. A Prefeitura de Manaus informou que não é alvo da operação e reiterou seu compromisso “absoluto com a legalidade, a transparência e o respeito às instituições”. A administração municipal assegurou que qualquer servidor público “eventualmente investigado responderá individualmente por seus atos, nos termos da lei, sem prejuízo do funcionamento regular da máquina pública”. O Tribunal de Justiça do Amazonas (TJ-AM), por sua vez, comunicou que está adotando as medidas cabíveis no âmbito administrativo, reafirmando que “preza pela legalidade, pela transparência e pela integridade do Poder Judiciário, não compactuando com quaisquer condutas incompatíveis com os deveres funcionais”. Esses posicionamentos buscam preservar a imagem e a credibilidade das instituições, enquanto reforçam a responsabilidade individual dos agentes envolvidos, cujos atos, uma vez comprovados, terão profundas implicações para a confiança pública.

Desdobramentos da operação e o combate à corrupção sistêmica

A Operação Erga Omnes representa um marco no combate à corrupção e ao crime organizado no Amazonas e em outros estados. A desarticulação de uma rede que envolve agentes públicos em diversos níveis e poderes é fundamental para a integridade das instituições democráticas e para a segurança da sociedade. As investigações prosseguem, visando aprofundar a compreensão sobre as ramificações do esquema e identificar outros possíveis colaboradores. A ação conjunta das forças de segurança demonstra a determinação em combater a criminalidade organizada e em garantir que todos, independentemente de seus cargos, respondam por seus atos perante a lei. O compromisso com a transparência e a legalidade deve ser uma constante, especialmente quando se trata de proteger o Estado de influências criminosas que corroem sua estrutura e propósito.

Perguntas frequentes (FAQ)

1. O que é a Operação Erga Omnes?
A Operação Erga Omnes é uma ação da Polícia Civil do Amazonas que visa desarticular um esquema de tráfico de drogas e lavagem de dinheiro do Comando Vermelho (CV), que contava com a colaboração de agentes públicos dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário.

2. Quantos agentes públicos foram detidos?
Pelo menos 13 pessoas foram presas preventivamente, incluindo agentes públicos, em decorrência da operação.

3. Qual era o papel dos agentes públicos no esquema?
Os agentes públicos forneciam suporte logístico, facilitavam o acesso à administração pública e entregavam informações sigilosas, facilitando o trânsito da organização criminosa por diferentes instituições.

4. Qual o montante de dinheiro movimentado pelo esquema?
Desde 2018, os suspeitos movimentaram cerca de R$ 70 milhões, utilizando empresas de fachada para lavar o dinheiro ilícito.

5. Em quais estados a organização criminosa atuava?
Além do Amazonas, o grupo possuía ramificações e operava nos estados do Ceará, Maranhão, Minas Gerais, Pará, São Paulo e Piauí.

Mantenha-se informado sobre os desdobramentos desta investigação e outras notícias de segurança pública em todo o país.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

Deixe uma resposta

Seu endereço de e-mail não será publicado.Os campos obrigatórios são marcados *

*

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.