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© Fernando Frazão/Agência Brasil

Operação Dominus: Polícia desmantela complexo esquema do Comando Vermelho na venda de gás no RJ

Uma vasta operação deflagrada pela Polícia Civil do Rio de Janeiro, em conjunto com o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO) do Ministério Público, mirou um intrincado esquema criminoso que controlava a distribuição de gás de cozinha em diversas comunidades da capital fluminense. Denominada Dominus, a ação policial, que mobilizou agentes desde as primeiras horas da manhã, visava desarticular a influência do Comando Vermelho (CV) sobre um serviço essencial à população, culminando na prisão de quatro indivíduos e na expedição de múltiplos mandados de prisão e busca e apreensão.

A Teia de Intimidação e o Monopólio Comercial

As investigações revelaram que a facção criminosa se valia de seu domínio territorial, historicamente estabelecido pelo tráfico de drogas, para estender seu poder a outros setores econômicos, notadamente o de comercialização de gás liquefeito de petróleo (GLP). Por meio de táticas de intimidação, o Comando Vermelho impunha rigorosas regras comerciais aos estabelecimentos locais, forçando-os a adquirir GLP exclusivamente de distribuidoras e empresas controladas direta ou indiretamente pela própria organização criminosa, eliminando qualquer concorrência e livre escolha.

Além da imposição de fornecedores, os comerciantes eram submetidos a um sistema de extorsão contínua. Segundo a apuração policial, valores periódicos, popularmente conhecidos como 'meta do gás', eram exigidos para que os negócios pudessem operar sem retaliações. A recusa em aderir às exigências do grupo resultava em severas ameaças, garantindo a submissão dos comerciantes e transformando uma necessidade básica da população em uma fonte de lucro ilícito para o crime organizado.

Descapitalização do Crime e a Lavagem de Ativos

A Operação Dominus não se restringiu à repressão da extorsão e do controle comercial. Um dos pilares da ação foi a desarticulação financeira do esquema, com a solicitação do bloqueio de mais de <b>R$ 350 milhões</b> em ativos financeiros e o sequestro de bens vinculados aos indivíduos investigados. Essas medidas visam cortar o fluxo de capital que sustentava a estrutura criminosa, considerada pela polícia como altamente organizada, com funções bem definidas e comunicação constante entre seus membros para coordenar as cobranças e o controle da distribuição.

Aprofundando a investigação, os agentes também se debruçaram sobre complexas operações de ocultação de recursos e patrimônio. A apuração identificou a utilização de empresas e 'laranjas' para dissimular a origem ilícita dos bens e do dinheiro arrecadado. O minucioso cruzamento de dados financeiros, cadastrais e telemáticos foi crucial, revelando movimentações monetárias incompatíveis com a renda declarada dos envolvidos e evidenciando os elos entre as empresas fachada e os interesses patrimoniais dos alvos da operação, consolidando a tese de lavagem de dinheiro.

A Operação Dominus representa um significativo golpe contra a capacidade do Comando Vermelho de diversificar suas fontes de receita para além do tráfico de entorpecentes, coibindo a extorsão sobre serviços essenciais e o impacto direto na vida da população. A Polícia Civil e o Ministério Público seguem empenhados na análise das provas e na continuação das investigações, buscando identificar todos os envolvidos e desmantelar por completo as redes de financiamento e lavagem de dinheiro que alimentam o poder das facções criminosas no Rio de Janeiro.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br