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Mestre Ciça e a Viradouro: o triunfo campeão reverenciado

ANUNCIO COTIA/LATERAL

O encerramento do carnaval carioca, tradicionalmente marcado pelo Desfile das Campeãs, é um espetáculo de grandiosidade e emoção que transcende a competição, celebrando a paixão e a cultura do samba. Naquele ano memorável, o Sambódromo da Marquês de Sapucaí foi palco de uma noite inesquecível, onde o brilho das seis escolas de samba mais bem colocadas no Grupo Especial reacendeu a magia da folia. Entre os destaques, a Unidos do Viradouro, campeã com pontuação máxima em todos os quesitos, protagonizou um momento histórico: uma homenagem em vida ao seu icônico Mestre Ciça, o maestro da bateria “Furacão Vermelho e Branco”. Este tributo, encenado no próprio enredo da escola, consolidou não apenas uma vitória no carnaval, mas a consagração de uma lenda viva do samba.

O esplendor do desfile das campeãs no Rio

A apoteose do carnaval carioca

A noite do Desfile das Campeãs no Rio de Janeiro é um dos pontos altos do pós-carnaval, onde a cidade se despede da folia com um espetáculo de pompa e circunstância. Milhares de cariocas e turistas lotam o Sambódromo para reviver a emoção dos desfiles que marcaram o Grupo Especial. Naquela edição, a celebração teve início pontualmente às 21h, com a apresentação das seis escolas que mais se destacaram no julgamento oficial. A ordem de entrada no Sambódromo seguiu a classificação: a tradicional Mangueira, sexta colocada, abriu os trabalhos, seguida pela Imperatriz Leopoldinense (quinta), Salgueiro (quarta), Vila Isabel (terceira) e Beija-Flor (vice-campeã). O ápice da noite, no entanto, foi reservado para a grande campeã, a Unidos do Viradouro, que desfilou por último, carregando a euforia de uma vitória incontestável. A escola de Niterói alcançou a pontuação máxima de 10 em todos os quesitos, totalizando 270 pontos, um feito que ecoou como um dos grandes triunfos na história recente do carnaval. A atmosfera era de pura alegria e reconhecimento, uma exaltação da arte, da dedicação e do talento que moldam o maior espetáculo da terra. Cada escola trouxe de volta à avenida a energia e a beleza de seus enredos, proporcionando uma experiência imersiva e vibrante que selou o fim de mais um ciclo carnavalesco com chave de ouro.

Mestre Ciça: o coração pulsante da Viradouro

Uma vida dedicada ao samba e à “furacão vermelho e branco”

A grande inovação e o diferencial da Unidos do Viradouro naquele ano vieram com a escolha de seu enredo: “Prá cima, Ciça”, uma homenagem em vida a Moacyr da Silva Pinto, o Mestre Ciça, comandante da bateria “Furacão Vermelho e Branco”. Nascido em julho de 1953, Mestre Ciça celebrou 70 anos de vida e, impressionantemente, 55 deles dedicados integralmente ao carnaval. Sua trajetória é um verdadeiro mapa da história do samba, começando como passista e ritmista em diversas escolas, acumulando uma experiência que o elevou ao patamar de “Mestre dos Mestres”, como é respeitosamente reconhecido por seus pares de outros barracões.

À frente da “Furacão Vermelho e Branco”, a bateria da Viradouro, Ciça não apenas rege um conjunto de instrumentos, mas comanda o que muitos consideram a parte mais vital e vibrante de uma escola de samba. Ele é a alma que dita o andamento, que imprime o ritmo ao enunciado do samba-enredo, garantindo que a narrativa musical seja compreendida e sentida por todos. Sua maestria transcende a técnica; é a sabedoria acumulada em décadas de vivência, um conhecimento ancestral transmitido de geração em geração, que permite à bateria ser o coração pulsante que move todo o cortejo. A homenagem ao Mestre Ciça não foi apenas um reconhecimento de seu currículo extenso e de suas vitórias, mas uma celebração da essência de um artista que dedicou sua existência à manutenção e evolução da tradição do samba, solidificando seu legado enquanto ainda podia desfrutar do carinho e da admiração de sua comunidade e do público.

A ciência e o legado do mestre de bateria

O papel do mestre de bateria vai muito além de um simples regente. O sociólogo Rodrigo Reduzino, pesquisador do carnaval carioca, destaca a importância fundamental desse setor e de seu líder. Segundo Reduzino, a bateria não é apenas um órgão vital no desfile, mas “o coração e parte integrante de um corpo, de um sistema como um todo”. Mestres como Ciça regem os passos do cortejo, orquestrando cada movimento e som do corpo que é a escola de samba. Para isso, eles possuem dons e um aprendizado especial, que Reduzino descreve como uma “ciência e saber”. Não se trata de um conhecimento acadêmico, mas de um “saber intelectual ancestral de lidar com esse conjunto, a ponto de direcionar o melhor ritmo e andamento para esse corpo”.

Incorporar ao apito e à batuta discernimento, ciência, sabedoria e conhecimento é um processo que “não acontece de um dia para noite”, ressalta o pesquisador. O samba, como bem cantava Noel Rosa em “Feitio de Oração”, não se “aprende no colégio”. As instruções e entendimentos que moldam um mestre são “passados na oralidade, na vivência, na experiência junto aos seus cotidianamente”. É a continuidade dessa ancestralidade que “imprime a marca da bateria”, finaliza Rodrigo Reduzino. Mestre Ciça personifica essa herança, sendo um elo vivo entre as gerações do samba, um guardião de uma tradição oral rica e complexa, e um exemplo de como a paixão e a dedicação transformam o ritmo em arte e a liderança em legado. Sua figura na Viradouro representa a memória e o futuro da bateria, um verdadeiro patrimônio cultural do carnaval brasileiro.

A consagração de uma lenda viva

A vitória da Unidos do Viradouro no carnaval, com a inquestionável pontuação máxima e a emocionante homenagem ao Mestre Ciça, marcou um capítulo inesquecível na história da folia carioca. Foi mais do que um título; foi o reconhecimento de uma trajetória de dedicação, paixão e sabedoria que transcende as décadas. Mestre Ciça, um verdadeiro “Mestre dos Mestres”, personificou a alma do samba, demonstrando que a arte e a tradição são vivas e pulsantes nas mãos daqueles que dedicam suas vidas a elas. A “Furacão Vermelho e Branco”, sob seu comando, não apenas ditou o ritmo, mas emocionou, conquistou e consagrou um legado. Este desfile campeão reverenciou não só um indivíduo, mas o conhecimento ancestral e a força da comunidade que faz o carnaval acontecer, reforçando o valor cultural e humano por trás de cada batida de tambor.

Perguntas frequentes (FAQ)

1. Quem é Mestre Ciça?
Mestre Ciça, cujo nome completo é Moacyr da Silva Pinto, é uma figura lendária do carnaval carioca, com mais de 55 anos dedicados ao samba. Ele é reconhecido como “Mestre dos Mestres” e foi o comandante da bateria “Furacão Vermelho e Branco” da Unidos do Viradouro.

2. Qual escola de samba foi campeã e homenageou Mestre Ciça?
A Unidos do Viradouro foi a escola de samba campeã naquele ano, alcançando pontuação máxima em todos os quesitos. Seu enredo, “Prá cima, Ciça”, foi uma homenagem em vida a Mestre Ciça.

3. Qual a importância da bateria em um desfile de escola de samba?
Segundo especialistas como o sociólogo Rodrigo Reduzino, a bateria é o coração pulsante da escola de samba. Ela dita o andamento, imprime ritmo ao samba-enredo e é fundamental para a coesão e a narrativa do desfile.

4. O que significa o reconhecimento “Mestre dos Mestres”?
“Mestre dos Mestres” é um título de grande respeito e honra no universo do samba, atribuído a mestres de bateria que, como Ciça, acumularam vasta experiência e conhecimento ao longo de décadas, influenciando e formando gerações de ritmistas e líderes.

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Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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