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© Tânia Rêgo; Agencia Brasil

IBGE Revela Persistentes Desigualdades Sociais para Pessoas com Deficiência no Brasil

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) lançou a segunda edição de seu aprofundado estudo sobre pessoas com deficiência (PCDs) e as desigualdades sociais que as afetam no Brasil. Baseado principalmente nos dados do Censo Demográfico de 2022, o levantamento pinta um retrato desafiador, destacando disparidades significativas em áreas cruciais como o mercado de trabalho, acesso à educação e condições de moradia. A pesquisa reitera a urgência de políticas públicas que enderecem as barreiras sistêmicas enfrentadas por essa parcela da população.

Radiografia da População com Deficiência no Brasil

Em 2022, o Censo do IBGE identificou que 14,4 milhões de brasileiros com dois anos ou mais conviviam com algum tipo de deficiência, representando 7,3% da população total. A deficiência visual foi a mais prevalente, seguida por limitações na locomoção, dificuldades no manuseio de objetos, comprometimentos nas funções mentais e restrições auditivas. Um dado particularmente relevante é que 3,9 milhões dessas pessoas vivenciavam a associação de duas ou mais deficiências, evidenciando a complexidade das necessidades dessa parcela da população.

Mercado de Trabalho: Uma Jornada Desigual

O estudo do IBGE aponta uma disparidade marcante na inserção profissional. Pessoas com deficiência com 14 anos ou mais apresentaram uma taxa de ocupação significativamente menor (29%) em comparação com seus pares sem deficiência (quase 56%). A análise detalhada por tipo de deficiência revela que indivíduos com dificuldades associadas a funções mentais enfrentavam o menor índice de ocupação (apenas 12,9%), enquanto aqueles com deficiência visual registravam uma taxa um pouco superior (35,9%).

A desigualdade se acentua ao considerar o recorte de gênero. Mulheres com deficiência tinham os níveis de ocupação mais baixos, atingindo apenas 24,4%, um índice inferior tanto ao de homens com deficiência (35,4%) quanto ao de mulheres sem deficiência (47%). Essa lacuna salarial, que se manifesta em uma média de rendimento de R$ 2.053 para pessoas com deficiência – o equivalente a 70% do rendimento médio das pessoas sem deficiência (R$ 2.890) – é exacerbada pela concentração de PCDs em setores de baixa remuneração, como serviço doméstico, agropecuária e alojamento e alimentação.

Barreiras no Acesso à Educação e Conectividade Digital

O caminho para a educação também se mostra repleto de obstáculos. Em 2022, uma parcela alarmante de 12,2% dos jovens com deficiência, na faixa etária de 15 a 29 anos, não possuía habilidades de leitura ou escrita. Paralelamente, a era digital ainda não é plenamente inclusiva: a taxa de uso da internet entre pessoas com deficiência era de 78,9%, enquanto para a população sem deficiência esse índice alcançava 90,2%, revelando uma considerável exclusão digital.

Acessibilidade e Condições de Moradia: Um Obstáculo Diário

A infraestrutura urbana e residencial brasileira ainda está distante de ser acessível. O levantamento indica que 67,4% das pessoas com deficiência residiam em moradias cujo entorno apresentava calçadas com obstáculos, e um ínfimo percentual de 12,9% vivia em domicílios com rampas de acesso para cadeirantes nas proximidades. Essa deficiência de acessibilidade básica impacta diretamente a autonomia e a segurança.

Adicionalmente, o Censo 2022 registrou que 1,2 milhão de pessoas com deficiência residiam em favelas e comunidades urbanas, ambientes frequentemente marcados pela precariedade estrutural. Nessas localidades, a proporção de pessoas com deficiência (7,6%) superava a média nacional (7,3%), sublinhando a interseção entre deficiência e vulnerabilidade socioeconômica e a urgência de intervenções urbanísticas e sociais que promovam inclusão e dignidade.

Conclusão: A Necessidade Urgente de Inclusão Plena

Os dados do IBGE não apenas quantificam a presença de pessoas com deficiência no Brasil, mas também expõem as profundas desigualdades que permeiam suas vidas em múltiplos aspectos. Do mercado de trabalho à escola, do acesso à internet às condições de moradia, as barreiras são sistêmicas e persistentes. Este estudo serve como um chamado contundente para a elaboração e implementação de políticas públicas que não apenas garantam direitos, mas que efetivamente construam um país mais acessível, equitativo e inclusivo para todos os seus cidadãos.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br