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Guarda Civil de Cotia desmonta rinha de canários

Uma operação da Guarda Civil Municipal (GCM) de Cotia desarticulou um esquema de rinha de canários na manhã de quinta-feira, dia 29, no bairro das Pita. A ação, deflagrada após uma denúncia anônima, revelou uma prática de crueldade contra animais que envolvia apostas em dinheiro. Agentes da GCM de Cotia agiram prontamente para pôr fim a essa atividade ilícita, que submete aves a condições extremas de maus-tratos. A descoberta de uma rinha de pássaros reitera a constante vigilância necessária contra crimes ambientais, destacando a importância da colaboração da comunidade para a proteção da fauna e a aplicação da legislação vigente.

A operação da Guarda Civil em Cotia

A denúncia anônima e a resposta imediata

A intervenção da Guarda Civil Municipal (GCM) de Cotia foi desencadeada por uma valiosa denúncia anônima, recebida nas primeiras horas da manhã de quinta-feira. Informações precisas apontavam para a existência de um local no bairro das Pita onde se praticava a rinha de pássaros, um crime ambiental que, muitas vezes, opera sob o véu da discrição. A GCM, ciente da urgência e da gravidade dos maus-tratos infligidos aos animais nessas circunstâncias, mobilizou imediatamente uma equipe para verificar a veracidade da denúncia. A agilidade na resposta é um fator crucial em casos de crimes ambientais, pois minimiza o sofrimento das vítimas e impede a continuidade da prática ilegal. A coordenação entre os agentes e o uso estratégico das informações fornecidas pela comunidade permitiram que a equipe se dirigisse com precisão ao endereço indicado, otimizando o tempo e a eficácia da ação.

O cenário encontrado: crueldade e apostas

Ao chegar ao local, um galpão discreto e aparentemente inofensivo no bairro das Pita, os guardas civis foram confrontados com a dura realidade de um ambiente de crueldade animal. Dentro do galpão, foram flagrados canários em plena disputa, confinados em pequenas gaiolas preparadas para o combate. As aves, naturalmente dóceis e adaptadas à vida em seu habitat, eram forçadas a lutar entre si, muitas vezes até a exaustão ou à morte, para a diversão e o lucro dos apostadores. O cenário incluía a presença de diversas pessoas que acompanhavam as brigas com interesse, realizando apostas em dinheiro nos resultados das disputas. A atmosfera era de tensão e expectativa, evidenciando a desumanidade dos envolvidos que, em busca de ganho financeiro ou entretenimento deturpado, ignoravam completamente o sofrimento infligido aos frágeis animais. As gaiolas, muitas vezes inadequadas e com vestígios de embates anteriores, testemunhavam a rotina de violência a que os pássaros eram submetidos. Os animais apresentavam sinais de estresse e, em alguns casos, ferimentos decorrentes das lutas. A presença da GCM foi decisiva para interromper essa prática cruel e resgatar as aves que ainda estavam em condições de recuperação.

O impacto legal e ético das rinhas de pássaros

Enquadramento na Lei de Crimes Ambientais

A prática de rinha de pássaros, como a desmantelada em Cotia, configura um grave crime ambiental, rigidamente tipificado na legislação brasileira. A Lei Federal nº 9.605/98, conhecida como Lei de Crimes Ambientais, é o principal instrumento legal que pune condutas lesivas ao meio ambiente e aos animais. Especificamente, a atividade enquadra-se em diversos artigos desta lei. O artigo 29, por exemplo, criminaliza “matar, perseguir, caçar, apanhar, utilizar espécimes da fauna silvestre, nativos ou em rota migratória, sem a devida permissão, licença ou autorização da autoridade competente, ou em desacordo com a obtida”. Embora os canários domésticos não sejam estritamente “fauna silvestre” no sentido estrito, a lei se estende a qualquer animal submetido a maus-tratos. Além disso, e de forma mais direta, o artigo 32 da mesma lei é explícito ao prever pena de detenção e multa para quem “praticar ato de abuso, maus-tratos, ferir ou mutilar animais silvestres, domésticos ou domesticados, nativos ou exóticos”. As rinhas são a epítome do abuso e dos maus-tratos, com os animais sendo fisicamente agredidos, estressados e expostos a condições extremas que vão contra sua natureza e bem-estar. As penalidades podem ser agravadas se a prática resultar na morte ou em lesões graves dos animais. Os responsáveis pela organização e participação em rinhas podem enfrentar consequências legais severas, que incluem multas substanciais e penas de privação de liberdade, buscando coibir veementemente tais atos de barbárie.

As graves consequências para os animais envolvidos

Para os canários e outras aves envolvidas em rinhas, as consequências são devastadoras e profundas. Longe de seu ambiente natural e de suas interações sociais e comportamentais típicas, esses pássaros são submetidos a um ciclo de terror e dor. Fisicamente, as aves sofrem ferimentos graves, como lacerações, fraturas, cegueira e hemorragias, muitas vezes resultando em deficiências permanentes ou morte. O estresse constante de serem forçadas a lutar contra outros de sua espécie, somado à privação de liberdade e ao manejo inadequado, gera um trauma psicológico intenso. Aves são seres sensíveis, e o medo e a agressão impostos afetam profundamente seu sistema nervoso e comportamento. Mesmo as aves que sobrevivem a uma rinha carregam cicatrizes físicas e emocionais, muitas vezes tornando-as ariscas, agressivas ou apáticas. O bem-estar animal é completamente desconsiderado, sendo substituído por uma lógica de exploração e sofrimento em nome do entretenimento sádico e do lucro ilícito. A vida desses animais é reduzida a um instrumento de aposta, desprovida de dignidade e respeito. A intervenção da GCM não apenas interrompe a prática, mas também representa uma chance de resgate e reabilitação para as aves vitimadas, embora muitas nunca se recuperem totalmente do trauma vivido.

A importância da fiscalização e da participação cidadã

A ação da Guarda Civil de Cotia é um lembrete contundente da importância da fiscalização contínua e da indispensável participação da sociedade na defesa dos animais e do meio ambiente. Casos como a rinha de canários evidenciam a existência de redes de crimes ambientais que só podem ser desmanteladas com a colaboração de todos. A vigilância das autoridades é essencial, mas a informação vinda da comunidade é, muitas vezes, o ponto de partida para investigações bem-sucedidas. Ao denunciar atividades suspeitas, os cidadãos se tornam parceiros ativos na proteção da fauna, garantindo que os responsáveis por maus-tratos sejam devidamente responsabilizados perante a lei. A educação ambiental também desempenha um papel fundamental, ao conscientizar sobre a gravidade desses crimes e fomentar o respeito por todas as formas de vida.

FAQ

O que é considerado rinha de pássaros?
Rinha de pássaros é uma prática ilegal na qual aves, geralmente de uma mesma espécie, são forçadas a lutar entre si dentro de um espaço confinado, enquanto pessoas assistem e apostam dinheiro no resultado da briga. Essa atividade é considerada um crime de maus-tratos e abuso animal.

Quais as penalidades para quem pratica rinha de animais?
De acordo com a Lei Federal nº 9.605/98 (Lei de Crimes Ambientais), praticar rinha de animais pode resultar em pena de detenção de três meses a um ano, além de multa. A pena pode ser aumentada de um sexto a um terço se ocorrer a morte do animal.

Como posso denunciar um caso de rinha ou maus-tratos a animais?
Você pode denunciar casos de rinha ou maus-tratos a animais de forma anônima à Guarda Civil Municipal (GCM) de sua cidade, à Polícia Militar, ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA) ou às Secretarias de Meio Ambiente locais. Em Cotia, a GCM atende pelo telefone 153.

Se você presenciar ou suspeitar de crimes ambientais e maus-tratos contra animais, não hesite em denunciar. Sua ação é crucial para proteger a fauna e garantir o cumprimento da lei.

Fonte: https://jornaldigitaldaregiaooeste.com.br

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