A Polícia Federal (PF) e o Ministério Público de São Paulo (MP-SP) prenderam Antonio Carlos Ubaldo Júnior, advogado e ex-funcionário da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), sob acusação de envolvimento em um extenso esquema de corrupção dentro da Polícia Civil de São Paulo. A prisão ocorreu na quinta-feira, 5 de outubro, como parte da Operação Bazaar, que visa desarticular uma organização criminosa que prometia e efetuava pagamentos de propina a policiais civis. Ubaldo Júnior, que atuou como assistente parlamentar II no gabinete do deputado estadual Rodrigo Moraes (PL) entre abril de 2023 e junho de 2024, é o quarto ex-colaborador do parlamentar a ser citado em escândalos de corrupção recentes, levantando questões sobre o padrão de vínculos com indivíduos sob investigação.
A Operação Bazaar e a prisão de Antonio Carlos Ubaldo Júnior
A Operação Bazaar, conduzida pela Polícia Federal e o MP-SP, culminou na prisão de Antonio Carlos Ubaldo Júnior, advogado que teria um papel central na intermediação de pagamentos ilícitos. A investigação aponta que Ubaldo Júnior era responsável por facilitar o repasse de propina a agentes da Polícia Civil paulista. O objetivo desses pagamentos era evitar ou prejudicar investigações contra alvos de inquéritos conduzidos pelo Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) e pelo Departamento de Polícia de Proteção à Cidadania (DPPC).
A organização criminosa é descrita pelas autoridades como um grupo que, de forma sistemática, realizava promessas e efetivava pagamentos de vantagens indevidas a policiais civis de delegacias especializadas e distritais. Esses policiais, em contrapartida, se incumbiam de manipular investigações relacionadas às empresas do grupo criminososo. No total, nove pessoas foram presas durante a operação, incluindo quatro policiais civis, além de Ubaldo Júnior. A defesa do acusado não foi localizada para comentar as acusações.
A conexão com o gabinete parlamentar
Antonio Carlos Ubaldo Júnior não é apenas um advogado envolvido no esquema de corrupção policial; ele também possui um histórico de atuação em cargos públicos. Ele ocupou a posição de assistente parlamentar II no gabinete do deputado estadual Rodrigo Moraes (PL), na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), desde abril de 2023 até junho de 2024. Essa conexão com um gabinete parlamentar adiciona uma camada de complexidade ao caso, especialmente considerando que Ubaldo Júnior é o quarto ex-integrante da equipe de Rodrigo Moraes a ser mencionado em escândalos de corrupção que vieram à tona recentemente.
Padrão de conexões: Outros ex-assessores envolvidos em escândalos
A prisão de Antonio Carlos Ubaldo Júnior não é um caso isolado quando se trata de ex-funcionários do gabinete de Rodrigo Moraes. Outros três nomes que já passaram pela equipe do deputado foram citados em diferentes investigações de corrupção, sinalizando um padrão preocupante de conexões entre o gabinete e indivíduos envolvidos em práticas ilícitas.
O caso de São Bernardo do Campo e Paulo Iran Paulino Costa
Um desses casos envolve Paulo Iran Paulino Costa, apontado pela Polícia Federal como o “operador da propina” na cidade de São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo. Durante a Operação Estafeta, a PF descobriu em posse de Paulo Iran mais de R$ 14 milhões em dinheiro vivo, que seriam distribuídos entre os membros de uma organização criminosa. Esse esquema é suspeito de contar com a participação do prefeito de São Bernardo do Campo, Marcelo Lima (Podemos), que foi afastado do cargo no mês anterior.
Paulo Iran Paulino Costa trabalhou no gabinete de Rodrigo Moraes na Alesp por quase três anos, com um período de vínculo entre setembro de 2022 e agosto de 2025. O portal da transparência da Alesp indicava que seu salário na época era de R$ 6.154,51.
Irregularidades na SPTuris com Nathalia Carolina e Rodolfo Marinho
Outros dois ex-funcionários do gabinete de Rodrigo Moraes citados em escândalos são a empresária Nathalia Carolina da Silva Souza e Rodolfo Marinho da Silva, ex-secretário-adjunto de Turismo da cidade de São Paulo. Ambos foram colegas no gabinete do deputado do PL em 2017. Após deixarem a função parlamentar, fundaram uma consultoria política, a Legiscom Publicidade e Consultoria LTDA, que prestou serviços para campanhas eleitorais do vereador da capital Gilberto Nascimento Jr (PL) e de seu pai, o deputado federal Gilberto Nascimento, nos anos de 2020 e 2022.
Após esse período, Rodolfo Marinho foi indicado pela bancada do PL para o cargo de secretário de Turismo da cidade de São Paulo. Poucos dias após sua posse, Nathalia abriu a empresa MM Quarter Produções e Eventos. A partir da nomeação de Marinho na Prefeitura de São Paulo, a MM Quarter começou a firmar contratos milionários com a gestão municipal, totalizando mais de R$ 239 milhões, exclusivamente na secretaria que controla a São Paulo Turismo (SPTuris). A Controladoria Geral do Município (CGM) descobriu uma procuração na qual Nathalia concedia plenos poderes de administração da MM Quarter a Rodolfo Marinho, enquanto ele ainda atuava como secretário municipal de Turismo na administração do prefeito Ricardo Nunes (MDB). Diante do escândalo, o prefeito Ricardo Nunes demitiu Rodolfo Marinho e o presidente da SPTuris, Gustavo Pires, e ordenou um aprofundamento das investigações na pasta pela CGM. O controlador-geral, Daniel Falcão, afirmou haver indícios de que Rodolfo era sócio oculto de Nathalia na MM Quarter.
O posicionamento do deputado Rodrigo Moraes
Diante das acusações e prisões envolvendo seus ex-colaboradores, o gabinete do deputado estadual Rodrigo Moraes (PL) emitiu uma nota oficial. O comunicado esclarece que nenhum dos servidores mencionados nas investigações integra atualmente a equipe parlamentar do deputado.
Em relação ao caso específico de Antonio Carlos Ubaldo Júnior e a Operação Bazaar, a nota afirma que o ex-servidor atuou por um período limitado no gabinete, exercendo funções externas de natureza administrativa, e que não mantém vínculo com a equipe parlamentar há cerca de dois anos.
O gabinete ressalta que não possui qualquer relação com eventuais investigações que envolvam pessoas que, em algum momento passado, tenham prestado serviços ao gabinete, “sobretudo quando não possuem mais vínculo funcional com a estrutura parlamentar”. Quanto aos demais nomes citados, como Paulo Iran, Nathalia Carolina e Rodolfo Marinho, Moraes reitera que se tratam igualmente de ex-colaboradores de períodos distintos, sem qualquer vínculo atual com o gabinete.
A nota enfatiza que “a escolha de colaboradores segue os critérios legais e administrativos aplicáveis à atividade parlamentar, sendo que eventual responsabilização por condutas pessoais deve ocorrer individualmente, no âmbito das investigações conduzidas pelas autoridades competentes”. O deputado Rodrigo Moraes reafirma seu compromisso com a legalidade, a transparência e o combate a qualquer prática irregular na administração pública, permanecendo à disposição para eventuais esclarecimentos.
Perfil do deputado Rodrigo Moraes
Rodrigo Moraes é um deputado estadual com uma trajetória política consolidada na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), onde cumpre seu quarto mandato consecutivo. Nascido em Itu, interior de São Paulo, é advogado de formação.
Moraes é filho do deputado federal Missionário José Olímpio (PL), figura ligada à Igreja Mundial do Poder de Deus, liderada pelo Apóstolo Valdemiro Santiago. Assim como o pai, Rodrigo Moraes é cristão evangélico da mesma denominação religiosa. Sua carreira política teve início em 2010, quando foi eleito pela primeira vez, sendo reeleito nos pleitos de 2014, 2018 e 2022. Há expectativas de que ele tente um quinto mandato na Alesp na eleição de outubro.
O perfil oficial do deputado no site da Alesp destaca sua atuação em estreita colaboração com o ex-presidente Jair Messias Bolsonaro e, atualmente, com o governador do Estado de São Paulo, Tarcísio de Freitas. Sua filiação ao Partido Liberal (PL) é apontada como uma plataforma para promover ideias e políticas alinhadas aos princípios e agendas do partido. A atuação de Rodrigo Moraes na Alesp é caracterizada pela defesa de valores conservadores e pela promoção de medidas voltadas ao desenvolvimento econômico, à segurança pública e ao fortalecimento das instituições democráticas.
Perguntas frequentes
Quem é Antonio Carlos Ubaldo Júnior e qual a acusação contra ele?
Antonio Carlos Ubaldo Júnior é um advogado e ex-assistente parlamentar do deputado estadual Rodrigo Moraes (PL) na Alesp. Ele foi preso na Operação Bazaar sob a acusação de participar de um esquema de corrupção dentro da Polícia Civil de São Paulo, atuando como intermediário no pagamento de propina para evitar investigações policiais.
Quais outros ex-funcionários do gabinete de Rodrigo Moraes foram citados em escândalos?
Além de Ubaldo Júnior, Paulo Iran Paulino Costa foi citado como “operador da propina” em São Bernardo do Campo, e a empresária Nathalia Carolina da Silva Souza e o ex-secretário-adjunto de Turismo Rodolfo Marinho da Silva foram envolvidos em um escândalo de contratos milionários com a SPTuris.
Qual a posição do deputado Rodrigo Moraes sobre as acusações envolvendo seus ex-colaboradores?
O deputado Rodrigo Moraes, por meio de seu gabinete, esclareceu que nenhum dos indivíduos mencionados integra atualmente sua equipe parlamentar. Ele afirma que seu gabinete não tem relação com as investigações, que a escolha de colaboradores segue critérios legais e que a responsabilização por condutas pessoais deve ocorrer individualmente, reafirmando seu compromisso com a legalidade e a transparência.
Para mais detalhes sobre as investigações de corrupção na Polícia Civil de São Paulo e seus desdobramentos, acompanhe as atualizações em nosso portal de notícias.
Fonte: https://g1.globo.com
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