Há mais de um século, o rádio permeia o cotidiano brasileiro, atravessando épocas e se mantendo como um pilar de comunicação inabalável, mesmo diante dos avanços exponenciais da era digital e da inteligência artificial. Este meio, que celebra seu Dia Mundial em 13 de fevereiro, possui uma capacidade singular de conectar pessoas, chegando a locais remotos onde a energia elétrica e o sinal de celular ainda são inexistentes. Mais do que um simples aparelho, o rádio representa um companheiro fiel, uma fonte de informação confiável e, em muitos cenários, um verdadeiro instrumento de sobrevivência. Sua relevância transcende gerações, consolidando-se como uma ferramenta indispensável que molda a percepção e o acesso à informação de milhões de brasileiros, provando sua resiliência e adaptabilidade em um mundo em constante transformação.
O rádio como pilar da comunicação e resistência
O rádio, com sua vasta história de ondas transmitidas, demonstrou ser muito mais do que um efêmero meio de comunicação. Em um cenário dominado por telas e algoritmos, ele persiste como um elo vital, oferecendo companhia e informação de maneira singular.
Um companheiro para todas as horas
A paixão pelo rádio é um sentimento compartilhado por muitos, como Graciete Oliveira, moradora de Santa Luzia do Tide, no Maranhão. Para ela, a invenção é incomparável: “Pra mim até agora é a maior invenção. O rádio chega onde não tem energia, já pensou? Pra mim é uma invenção super avançada até hoje. Tá na frente do nosso tempo! Eu amo rádio, sou apaixonada pelo rádio.” Graciete destaca a confiança nas informações veiculadas, afirmando que “a notícia do rádio é a verdade, é apurada, não tem fake news”. Essa percepção de veracidade e a capacidade de alcançar os mais diversos cantos do país solidificam o rádio como um veículo essencial para famílias que, como a de Graciete, “não ficam sem rádio”.
Essa lealdade ecoa em outras regiões, como em Goiânia, Goiás, onde Antônio Lopes compartilha uma conexão de longa data com o aparelho. “Desde pequeno eu ouço rádio. Meus avós tinham rádio, meu pai também tinha rádio. Onde eu estiver tem rádio”, relata. Lopes sublinha a praticidade do rádio em comparação com outros meios, descrevendo-o como um “companheiro de todas as horas” que pode ser ouvido enquanto se trabalha ou realiza outras atividades, sem exigir atenção exclusiva. Ele reitera a “confiança” no rádio, apontando-o como um meio de comunicação constante e seguro.
Essencial em tempos de crise
Além de seu papel cotidiano, o rádio assume uma função crítica em momentos de adversidade, transformando-se em um item de sobrevivência e orientação. Em zonas de conflito global e em regiões atingidas por desastres ambientais, a capacidade do rádio de operar sem dependência de infraestruturas modernas o torna insubstituível. Essa realidade foi vivenciada intensamente no Rio Grande do Sul durante as enchentes de 2024.
Carlos Latuff, chargista e radioamador, testemunhou a importância vital do rádio nesses eventos catastróficos. Em Porto Alegre, onde reside, ele passou seis dias sem energia elétrica e encontrou no “rádio de pilha” sua única fonte de informação e conexão com o mundo exterior. Para Latuff, com a crescente frequência de “cataclismos se repetindo com mais frequência devido às mudanças climáticas”, o rádio “se consolida como item de sobrevivência”, provando que, mesmo na era digital, sua relevância como “veículo de comunicação relevante” permanece inabalável.
A voz da verdade em um mundo digital
A persistência do rádio vai além de sua funcionalidade em emergências ou seu papel como companheiro. Ele se estabelece como um vetor crucial de informações confiáveis e um agente democratizador do acesso, características que o tornam ainda mais valorizado em um cenário de proliferação de conteúdos digitais.
A confiança na informação radiofônica
A busca pela verdade e a rejeição a notícias falsas, mencionadas por ouvintes como Graciete Oliveira, são pilares que sustentam a credibilidade do rádio. Nas faculdades de jornalismo de todo o país, a disciplina de radiojornalismo continua a ser central, com obras de especialistas como Luiz Ferrareto, responsável pelo Núcleo de Estudos de Rádio da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, sendo leitura obrigatória.
O professor Ferrareto atribui a longevidade do rádio à sua habilidade ímpar de oferecer companhia enquanto as pessoas realizam outras atividades, aliada ao seu baixo custo. “Não tem nenhum outro meio que possa fazer isso da mesma forma, fornecendo conexão para as pessoas com o que acontece, com o entretenimento, com produtos e serviços que são anunciados, com cultura, com uma série de coisas que são importantes no dia a dia da população”, explica. Ele ressalta que, no contexto brasileiro, o rádio ganha ainda mais peso por ser “um meio de comunicação barato, mais acessível e que fornece uma companhia, ainda mais numa sociedade onde cada vez mais reinam o individualismo”. A sua capacidade de estabelecer uma conexão humana e comunitária, sem exigir dedicação exclusiva, o diferencia das mídias visuais e interativas.
Alcance e democratização do acesso
A Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (ABERT), que representa mais de 3 mil emissoras no Brasil, endossa a visão sobre a duradoura vitalidade do rádio. O presidente da entidade, Cristiano Lobato Flôres, enfatiza que a presença do rádio por “quase 104 anos” no país demonstra a relevância de um meio que “conecta as pessoas a todo momento, em qualquer lugar do Brasil”.
Flôres destaca a natureza democrática e acessível do rádio, que oferece “conteúdo cada vez mais diversificado e informações mais rápidas”, entregues por “vozes que levam emoção, entretenimento e notícias de interesse de todos”. Essa abrangência e a diversidade de programação garantem que o rádio continue a ser um espaço plural, capaz de atender a diferentes públicos e necessidades informativas, culturais e de entretenimento, reforçando seu papel como um verdadeiro motor de inclusão social e democrática.
A permanência de um legado
A resiliência do rádio não é apenas uma questão de percepção, mas é também confirmada por dados concretos que atestam sua vigorosa presença no cenário midiático atual. Mesmo com o avanço de plataformas digitais, o rádio demonstra uma notável capacidade de se reinventar e manter sua base de ouvintes.
Dados que comprovam a relevância
Um estudo do Kantar IBOPE, realizado em 2025, oferece uma visão clara da persistência do rádio. O levantamento revela que o consumo de conteúdos radiofônicos ainda ocorre predominantemente através das ondas AM e FM. Mais do que isso, o rádio mantém-se firmemente posicionado entre os meios de maior alcance, atingindo quase 80% das principais regiões metropolitanas do Brasil. Os ouvintes dedicam, em média, quase 4 horas diárias à escuta do rádio, um número que ressalta a profundidade de sua integração na rotina das pessoas. Esses dados não apenas confirmam a vitalidade do rádio, mas também sinalizam que, apesar das inovações tecnológicas, a experiência tradicional de sintonizar uma emissora permanece altamente valorizada pela população.
Inovação e adaptação constante
A longevidade do rádio não se deve apenas à tradição, mas também à sua notável capacidade de inovação e adaptação. Enquanto as ondas AM e FM continuam essenciais, o rádio expandiu sua presença para o universo digital, com emissoras transmitindo online, oferecendo podcasts e integrando-se a aplicativos de streaming. Essa hibridização permite que o rádio alcance novos públicos e se adapte aos hábitos de consumo de mídia contemporâneos, sem perder sua essência. Ele continua a ser um meio ágil, capaz de cobrir eventos ao vivo, fornecer informações em tempo real e promover a interação com o público, mantendo sua relevância e garantindo um futuro promissor para as próximas gerações.
Perguntas frequentes sobre o rádio
Por que o rádio ainda é tão relevante na era digital?
O rádio mantém sua relevância por ser acessível, de baixo custo e capaz de alcançar áreas remotas sem energia elétrica ou sinal de celular. Ele oferece companhia enquanto as pessoas realizam outras atividades e é uma fonte de informação confiável e apurada, combatendo a desinformação.
Como o rádio auxilia em situações de emergência e desastres?
Em contextos de conflitos ou desastres naturais, como as enchentes no Rio Grande do Sul, o rádio de pilha se torna um meio vital de comunicação. Ele opera independentemente de infraestruturas elétricas ou de telecomunicações danificadas, fornecendo informações essenciais para a sobrevivência e orientação de populações isoladas.
Qual o alcance do rádio no Brasil e quanto tempo os ouvintes dedicam a ele?
Segundo um estudo do Kantar IBOPE de 2025, o rádio alcança quase 80% das principais regiões metropolitanas do Brasil. Os ouvintes dedicam, em média, quase 4 horas diárias à escuta de programas de rádio, predominantemente nas ondas AM e FM, o que demonstra sua forte presença no dia a dia da população.
Não perca a oportunidade de explorar mais sobre a rica história do rádio e seu papel contínuo em nossas vidas. Sintonize sua emissora favorita ou descubra novos conteúdos online para se conectar com esse meio que resiste ao tempo!
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