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CPMI do INSS antecipa depoimento de Daniel Vorcaro para segunda-feira

ANUNCIO COTIA/LATERAL

A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) movimentou seu calendário nesta semana, antecipando o aguardado depoimento do empresário Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master. Inicialmente previsto para o dia 26, a oitiva foi remarcada para a próxima segunda-feira, 23 de outubro, às 16h, nas dependências do Senado Federal. Essa mudança sinaliza a prioridade que a comissão confere às investigações sobre supostas irregularidades em contratos de empréstimos consignados envolvendo a instituição financeira. A CPMI busca esclarecer as razões pelas quais o INSS suspendeu milhares de contratos do Banco Master por falta de comprovação de anuência dos aposentados, colocando em xeque a integridade das operações e a proteção dos segurados.

Antecipação do depoimento e o foco da CPMI

A decisão de antecipar o depoimento de Daniel Vorcaro foi comunicada na quinta-feira, 19 de outubro, pelo presidente da CPMI do INSS, senador Carlos Viana (Podemos-MG). Segundo Viana, a alteração na agenda visa garantir a celeridade e a prioridade dos trabalhos da comissão. Em suas palavras, o colegiado manterá uma postura de “firmeza, responsabilidade e celeridade, colocando a verdade acima de qualquer disputa política e a justiça acima de qualquer interesse circunstancial”. A antecipação do depoimento de uma figura central como Vorcaro sublinha a urgência e a seriedade com que a CPMI está tratando as acusações que pesam sobre os contratos de crédito consignado. A expectativa é que o empresário possa oferecer explicações detalhadas sobre as práticas do Banco Master e as medidas adotadas em relação às exigências do INSS.

O cerne das investigações: contratos de empréstimo consignado

O principal objeto das investigações que levaram à convocação de Daniel Vorcaro são os contratos de empréstimos consignados do Banco Master que teriam sido suspensos pelo INSS. A suspensão ocorreu devido à falta de comprovação da anuência, ou seja, do consentimento explícito e verificável dos aposentados e pensionistas na contratação desses créditos. Empréstimos consignados, por sua natureza, descontam parcelas diretamente da folha de pagamento ou do benefício previdenciário do contratante, o que exige um rigoroso processo de autorização para evitar fraudes e endividamento indevido de beneficiários, muitas vezes vulneráveis. A CPMI busca entender se houve falhas nos procedimentos do Banco Master que permitiram a formalização de contratos sem a devida validação, expondo milhares de segurados a riscos financeiros significativos. As irregularidades apontadas pelo INSS levantam sérias questões sobre a governança e os controles internos da instituição financeira envolvida.

O testemunho anterior do presidente do INSS

A antecipação do depoimento de Daniel Vorcaro acontece em um cenário já delineado por informações cruciais apresentadas em sessões anteriores da CPMI. No último dia 5 de outubro, a comissão ouviu o presidente do INSS, Gilberto Waller Júnior, que detalhou os motivos pelos quais a autarquia decidiu não renovar o contrato de cooperação técnica com o Banco Master para a operacionalização de empréstimos consignados. A exposição de Waller Júnior foi determinante para entender a gravidade das inconsistências encontradas.

A não renovação do contrato e as irregularidades apontadas

Gilberto Waller Júnior explicou que a decisão do INSS de não renovar o acordo com o Banco Master, efetivada em 18 de setembro, foi motivada por um volume alarmante de reclamações de segurados e pela constatação de sérias falhas na documentação dos contratos. Das 324 mil propostas de crédito consignado vinculadas a aposentados e pensionistas, impressionantes 251 mil não possuíam os documentos exigidos para sua validação. “Verificando a quantidade de reclamação dos nossos segurados, entendemos por bem não renovar o acordo de cooperação técnica em 18 de setembro, muito antes de liquidação de Master”, afirmou o presidente do INSS, ressaltando a proatividade da autarquia.

O presidente do INSS relatou ainda que, ao solicitar aos representantes do Banco Master a apresentação dos contratos de empréstimos consignados que não haviam sido protocolados no sistema, diversas deficiências foram identificadas. Segundo ele, esses contratos “não tinham os elementos mínimos pra gente fazer o controle: não tinha o valor emprestado, taxa de juro, custo efetivo”. Mais grave ainda, Waller Júnior destacou que as assinaturas eletrônicas dos segurados não vinham acompanhadas do QR Code, um código de barras bidimensional essencial para certificar a autenticidade e a origem da assinatura digital, garantindo que ela de fato pertence à pessoa que a realizou. A ausência desse elemento de segurança comprometia a validade e a irrefutabilidade da anuência, fator crítico para a proteção dos beneficiários.

Contexto mais amplo e desdobramentos

As questões envolvendo o Banco Master e os empréstimos consignados não se limitam apenas à CPMI do INSS. Outros desdobramentos recentes indicam um cenário complexo e multifacetado para a instituição financeira e seus executivos. Estes eventos ampliam o escopo das preocupações regulatórias e judiciais, colocando o caso em uma perspectiva mais abrangente.

Investigações da Polícia Federal e o FGC

Recentemente, a Polícia Federal (PF) solicitou ao ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), a declaração de suspeição do ministro Dias Toffoli em um inquérito que envolve o Banco Master. Embora os detalhes específicos desse inquérito da PF não tenham sido plenamente divulgados, a solicitação de suspeição de um ministro do STF sugere a existência de uma investigação de alta relevância, potencialmente ligada a crimes financeiros ou outras irregularidades que podem ter ramificações significativas.

Paralelamente, o Fundo Garantidor de Créditos (FGC), instituição privada sem fins lucrativos que administra mecanismos de proteção a titulares de créditos contra instituições financeiras, também esteve ativo em relação a entidades financeiras. O FGC aprovou um plano emergencial para cobrir um rombo no Banco Master, sem, contudo, detalhar a natureza ou o montante exato desse “rombo”. Além disso, o FGC antecipou até R$ 1 mil em garantias a clientes do Will Bank, uma medida que pode ou não ter ligação direta com a situação do Banco Master, mas que ilustra a atuação do fundo na proteção de investidores e correntistas em momentos de instabilidade. A menção dessas ações do FGC, em conjunto com a investigação da PF, sinaliza que o Banco Master está sob o escrutínio de diferentes frentes de controle e fiscalização, cada uma avaliando aspectos distintos de sua operação e conformidade.

Conclusão

A antecipação do depoimento de Daniel Vorcaro na CPMI do INSS sublinha a urgência e a seriedade das investigações sobre irregularidades nos empréstimos consignados do Banco Master. A comissão busca esclarecer a fundo as falhas na comprovação da anuência de aposentados e pensionistas, conforme detalhado pelo presidente do INSS, Gilberto Waller Júnior. As acusações de ausência de documentos essenciais e a falta de mecanismos de segurança para assinaturas eletrônicas levantam preocupações significativas sobre a proteção dos segurados. Com a adição de investigações da Polícia Federal e a atuação do FGC em contextos relacionados, o cenário se mostra complexo e de grande impacto potencial para o setor financeiro e para a confiança pública nas operações de crédito consignado. O depoimento de Vorcaro será crucial para desvendar as responsabilidades e apontar caminhos para a correção das práticas.

Perguntas frequentes (FAQ)

1. Qual o principal motivo da convocação de Daniel Vorcaro pela CPMI do INSS?
Daniel Vorcaro foi convocado para prestar esclarecimentos sobre contratos de empréstimos consignados do Banco Master que foram suspensos pelo INSS por falta de comprovação da anuência dos aposentados, ou seja, do consentimento explícito dos segurados.

2. Por que o INSS decidiu não renovar o contrato com o Banco Master para empréstimos consignados?
O INSS não renovou o contrato devido ao grande número de reclamações de segurados e à constatação de que 251 mil dos 324 mil contratos do Banco Master não possuíam a documentação exigida, incluindo a ausência de QR Codes para validação de assinaturas eletrônicas e informações essenciais sobre o empréstimo.

3. Quais outras instituições estão investigando ou atuando em relação ao Banco Master?
Além da CPMI do INSS, a Polícia Federal (PF) solicitou a suspeição de um ministro do STF em um inquérito envolvendo o Banco Master, e o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) aprovou um plano emergencial para cobrir um rombo na instituição, indicando um cenário de amplo escrutínio.

Mantenha-se informado sobre os desdobramentos desta investigação crucial para a segurança dos benefícios previdenciários e a integridade do sistema financeiro.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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