© Marcello Casal jr/Agência Brasil

Contas públicas registram superávit de R$ 103,7 bilhões em janeiro

ANUNCIO COTIA/LATERAL

As contas públicas brasileiras iniciaram o ano com um saldo positivo expressivo. Em janeiro, o setor público consolidado – que abrange a União, estados, municípios e empresas estatais – alcançou um superávit primário de R$ 103,7 bilhões. Este resultado, que representa a diferença entre as receitas e as despesas antes do pagamento de juros da dívida, reflete uma entrada maior de recursos em comparação com os gastos. Embora positivo, o montante observado neste janeiro foi ligeiramente inferior aos R$ 104,1 bilhões registrados no mesmo período do ano anterior, indicando uma leve desaceleração no desempenho interanual. A análise detalhada desses números é crucial para compreender a saúde fiscal do país e as tendências econômicas em curso.

Superávit Primário e Cenário Fiscal
O superávit primário de R$ 103,7 bilhões alcançado em janeiro é um indicador vital da capacidade do país em gerar poupança para honrar seus compromissos, principalmente o serviço da dívida pública. Este saldo positivo, reportado para todas as esferas de governo – federal e regionais – demonstra um controle significativo sobre as finanças no início do ano. Contudo, a comparação com janeiro do ano anterior revela uma ligeira redução no superávit, que havia sido de R$ 104,1 bilhões em um período homólogo, o que sugere a necessidade de monitoramento constante das tendências de receita e despesa.

Apesar do bom desempenho mensal, a visão de longo prazo apresenta desafios. No acumulado dos últimos 12 meses encerrados em janeiro, o setor público consolidado registrou um déficit primário de R$ 55,4 bilhões, o que corresponde a 0,43% do Produto Interno Bruto (PIB). Este patamar é idêntico ao déficit primário registrado no fechamento do ano anterior, demonstrando uma persistência do desequilíbrio fiscal ao longo do ciclo anual, mesmo com meses de resultados positivos como o de janeiro. A sustentabilidade fiscal requer que esses déficits anuais sejam endereçados, preferencialmente por meio de reformas estruturais e uma gestão rigorosa das contas.

Desempenho por Esfera de Governo
A análise desagregada do superávit primário em janeiro revela nuances importantes na contribuição de cada esfera governamental. O Governo Central, compreendendo a União, suas autarquias e fundações, apresentou um superávit primário de R$ 87,3 bilhões. Este valor contrasta significativamente com o resultado negativo de R$ 83,2 bilhões observado em janeiro do ano anterior, marcando uma inversão substancial no balanço fiscal dessa esfera. É importante notar que metodologias de cálculo podem variar entre diferentes instituições, levando a pequenas diferenças nos números reportados para o Governo Central.

Os governos regionais, que incluem estados e municípios, também contribuíram positivamente para o desempenho geral, registrando um superávit de R$ 21,3 bilhões em janeiro. Embora este montante seja ligeiramente inferior aos R$ 22 bilhões do mesmo mês do ano anterior, ainda representa uma contribuição robusta para o saldo consolidado do setor público. Em sentido contrário, as empresas estatais federais, estaduais e municipais, com exceção da Petrobras e Eletrobras, apresentaram um déficit de R$ 4,9 bilhões em janeiro. Este resultado negativo é uma piora em relação ao déficit de R$ 1 bilhão registrado em janeiro do ano anterior, indicando um desafio persistente na gestão dessas entidades e um fator de pressão sobre as contas consolidadas.

Dinâmica dos Juros e Resultado Nominal
Além do resultado primário, a dinâmica dos juros da dívida pública exerce uma influência significativa sobre a saúde fiscal do país, impactando diretamente o resultado nominal. Em janeiro, os gastos com juros atingiram R$ 63,6 bilhões. Esse valor elevado é uma consequência direta da combinação da taxa básica de juros (Selic) ainda em patamares elevados e do expressivo estoque do endividamento público. A taxa Selic, que serve de referência para toda a economia, impacta o custo de refinanciamento da dívida, elevando as despesas com juros e, consequentemente, pressionando o resultado nominal.

O resultado nominal das contas públicas, que engloba tanto o superávit primário quanto o pagamento dos juros, fechou janeiro com um superávit de R$ 40,1 bilhões. Apesar de positivo, este montante representa uma queda notável em comparação com os R$ 63,7 bilhões apurados no mesmo mês do ano anterior. A redução do superávit nominal, mesmo com um primário positivo, é um reflexo direto do aumento dos gastos com juros. No acumulado dos 12 meses encerrados em janeiro, o cenário nominal é ainda mais desafiador: o setor público acumulou um déficit de R$ 1,1 trilhão, o equivalente a 8,49% do PIB. Este indicador é de suma importância para as agências de classificação de risco, que o utilizam para avaliar o endividamento de um país e, por sua vez, influencia a percepção de investidores internacionais sobre a solidez econômica brasileira.

A Dívida Pública em Detalhes
A dívida pública é um dos pilares da avaliação da sustentabilidade fiscal de qualquer nação. A dívida líquida do setor público, que representa o balanço entre o total de créditos e débitos dos governos federal, estaduais e municipais, atingiu R$ 8,3 trilhões em janeiro, correspondendo a 65% do PIB. Este percentual marcou uma redução de 0,3 ponto percentual do PIB em relação ao mês anterior. Essa diminuição foi impulsionada por diversos fatores, incluindo o superávit primário do mês, a variação do PIB nominal e ajustes na dívida externa líquida.

Contudo, esses efeitos positivos foram parcialmente compensados pelos juros nominais apropriados e pela apreciação cambial de 4,9% em janeiro. Para o Brasil, sendo um país credor em moeda estrangeira, uma valorização do real em relação ao dólar tende a aumentar a dívida líquida em termos de moeda nacional, pois reduz o valor dos créditos denominados em dólar quando convertidos para reais.

Paralelamente, a dívida bruta do governo geral (DBGG), que contabiliza apenas os passivos dos governos federal, estaduais e municipais, encerrou janeiro em R$ 10,1 trilhões, ou 78,7% do PIB. Esse percentual manteve-se estável em relação ao mês anterior. A DBGG é um indicador amplamente utilizado em comparações internacionais, fornecendo uma métrica padronizada para avaliar o nível de endividamento de um país em relação à sua capacidade econômica. A manutenção de um patamar estável é um sinal de que, apesar dos desafios, não houve deterioração imediata nesse aspecto crucial da saúde fiscal.

Perspectivas e Implicações Fiscais
O superávit primário registrado em janeiro, embora positivo e um bom início de ano, não elimina os desafios fiscais estruturais enfrentados pelo país. A leve queda em relação ao ano anterior e a persistência de déficits anuais no acumulado de 12 meses indicam que a trajetória para a consolidação fiscal ainda requer vigilância e medidas assertivas. A gestão do gasto público e a busca por eficiência na arrecadação continuam sendo prioridades para o equilíbrio de longo prazo das contas.

A dinâmica dos juros, que consome uma parcela significativa do orçamento, reforça a importância de políticas monetárias e fiscais coordenadas. A redução da taxa Selic, quando as condições macroeconômicas permitirem, e o controle do endividamento são essenciais para aliviar essa pressão. Além disso, o resultado nominal, crucial para a percepção de risco e atração de investimentos, precisa de uma trajetória de melhora sustentável para fortalecer a confiança dos mercados. A estabilidade da dívida bruta, mesmo que em patamares elevados, é um ponto a ser mantido, enquanto a dívida líquida mostra certa volatilidade devido a fatores cambiais e de juros. Em suma, os dados de janeiro oferecem um vislumbre positivo, mas sublinham a complexidade e a urgência de uma gestão fiscal prudente e estratégica para o futuro econômico do Brasil.

FAQ

O que é superávit primário?
É a diferença positiva entre as receitas e as despesas de um governo, desconsiderando o pagamento dos juros da dívida pública. Ele indica a capacidade de um país de gerar recursos suficientes para cobrir seus gastos operacionais.

Qual a diferença entre superávit primário e superávit nominal?
O superávit primário considera apenas receitas e despesas não financeiras. O superávit nominal, por sua vez, inclui também os gastos com juros da dívida pública. O resultado nominal é o mais abrangente para avaliar a situação financeira de um governo.

Como a dívida pública é afetada pela taxa de juros (Selic)?
Uma taxa Selic mais alta aumenta o custo do serviço da dívida pública, pois o governo precisa pagar mais juros sobre seus empréstimos. Isso pressiona as despesas e pode dificultar a geração de superávits.

O que significa o resultado negativo das empresas estatais?
Significa que, no período avaliado, as empresas estatais (excluindo Petrobras e Eletrobras) tiveram mais despesas do que receitas, contribuindo para reduzir o superávit geral das contas públicas.

Fique informado sobre os rumos da economia brasileira e as decisões que impactam seu futuro. Acompanhe as próximas análises e projeções fiscais.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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