© Joédson Alves/Agência Brasil

Consumo de vídeos curtos afeta desenvolvimento infantil e bem-estar, aponta Estudo

ANUNCIO COTIA/LATERAL

Pesquisas recentes acendem um alerta sobre o impacto dos vídeos curtos, amplamente disseminados em redes sociais e consumidos por meio do “scrolling” em dispositivos móveis, no desenvolvimento infantil. Especialistas indicam que a visualização compulsiva desses conteúdos pode prejudicar gravemente aspectos cognitivos, gerar ansiedade social e fomentar a insegurança em crianças. A natureza viciante e o ritmo acelerado desses formatos digitais representam um desafio significativo para o crescimento saudável das novas gerações, que cada vez mais cedo têm acesso a telas. A comunidade científica alerta que a satisfação de necessidades psicológicas básicas, que deveria ocorrer offline, é substituída por uma gratificação instantânea e superficial nas plataformas digitais. Este cenário exige uma compreensão aprofundada dos mecanismos por trás dessa influência e a busca por estratégias eficazes para proteger o bem-estar dos jovens.

A ameaça silenciosa dos vídeos curtos na cognição

Impacto na concentração e envolvimento escolar
Estudos na área da psicologia educacional revelam que o consumo compulsivo de vídeos curtos tem um impacto negativo direto no desenvolvimento cognitivo das crianças. Entre os principais efeitos observados estão a dificuldade de concentração, o aumento da ansiedade social e uma sensação de insegurança. Pesquisadores apontam que a concepção desses vídeos, com sua alternância rápida de informações e estímulos visuais, pode ser particularmente prejudicial para mentes em formação, que ainda estão desenvolvendo suas capacidades de foco e processamento de informações complexas.

Há uma correlação direta identificada: quanto mais os estudantes consomem esses vídeos, menor se torna o seu envolvimento com as atividades escolares. Embora as necessidades psicológicas fundamentais das crianças, como a busca por pertencimento, reconhecimento e autonomia, devam ser satisfeitas em interações sociais e atividades fora do ambiente digital, as plataformas de vídeos curtos, com seus algoritmos personalizados e funcionalidades de interação, oferecem uma satisfação paralela e sutil dessas mesmas necessidades. Essa gratificação instantânea, mas superficial, pode levar a um uso excessivo e ao desenvolvimento de dependência. A natureza estimulante e de ritmo acelerado dos vídeos curtos torna-os altamente divertidos e envolventes para os jovens, tornando-os difíceis de abandonar.

Superestimulação e a complexidade da dependência digital

Fatores de risco e comportamento compulsivo
A superestimulação é outro fator crucial apontado pelos especialistas. A exposição contínua a vídeos curtos, com sua carga intensa e rápida de informações, sobrecarrega o cérebro infantil, prejudicando ainda mais um desenvolvimento cognitivo saudável. A facilidade de acesso a esses conteúdos é um fator preponderante para o seu consumo massivo; eles estão “à mão”, são gratuitos e podem ser acessados “a qualquer hora, em qualquer lugar”, gerando uma disponibilidade quase ilimitada que favorece a formação de hábitos compulsivos.

Comportamentos de dependência frequentemente têm origem em um “propósito funcional”. Especialistas explicam que uma das razões primárias para a dependência digital, que resulta em comportamentos compulsivos, é a fuga de realidades desagradáveis, pressões sociais ou situações em que as pessoas desejam evitar confrontos. Além do design intrínseco das plataformas, da utilização de algoritmos sofisticados e da própria natureza dos vídeos rápidos, outros fatores podem desencadear essa relação de dependência. Entre eles, são citados o estresse diário, o ambiente social e familiar em que a criança está inserida, e até mesmo uma predisposição genética podem contribuir para a vulnerabilidade a esses comportamentos. É vital aumentar a conscientização, sobretudo quando o uso começa a impactar negativamente a vida cotidiana, levando ao sacrifício de tempo em família, negligência do sono ou navegação em momentos inadequados, como durante as aulas.

Intervenções e o cenário global da mídia digital
Para mitigar os efeitos adversos da exposição a vídeos curtos, pesquisadores enfatizam a importância de satisfazer as necessidades emocionais das crianças fora do ambiente digital. Estratégias eficazes incluem cultivar o uso digital consciente e desenvolver competências de autorregulação, em vez de se limitar à proibição total do aparelho celular. A intervenção deve ser construtiva, focando na educação e no fortalecimento das habilidades sociais e emocionais dos jovens.

O fenômeno do consumo de vídeos curtos é global e de proporções massivas. Em um dos maiores mercados digitais do mundo, o número de usuários ativos de vídeos curtos atingiu, até o final de 2024, a marca de quase 1,1 bilhão de indivíduos, com 98,4% deles sendo usuários ativos desse formato. A dimensão da indústria de serviços audiovisuais na internet superou valores expressivos, impulsionada pelo consumo de vídeos curtos e transmissões ao vivo (live streaming). Microsséries também testemunharam um crescimento explosivo de usuários, e a inteligência artificial generativa tem remodelado profundamente o ecossistema de conteúdo, criando experiências cada vez mais personalizadas e potencialmente mais viciantes. Esses dados reforçam a urgência de abordagens conscientes e regulamentadas para o uso de mídias digitais pelas crianças.

Perguntas frequentes sobre vídeos curtos e crianças

Quais são os principais impactos negativos dos vídeos curtos no desenvolvimento infantil?
Os principais impactos incluem falta de concentração, ansiedade social, insegurança, superestimulação cerebral e uma correlação direta com o menor envolvimento em atividades escolares.

Por que as crianças desenvolvem dependência de vídeos curtos?
A dependência é impulsionada pela natureza estimulante e de ritmo acelerado dos vídeos, sua acessibilidade gratuita e ilimitada, e a capacidade das plataformas de satisfazerem sutilmente necessidades psicológicas que deveriam ser atendidas offline, além de servir como escape para realidades desagradáveis.

Como os pais podem ajudar a mitigar esses efeitos?
É fundamental satisfazer as necessidades emocionais das crianças no mundo real, cultivar o uso digital consciente e desenvolver competências de autorregulação. Em vez de apenas retirar o aparelho, é importante educar e monitorar o tempo de tela de forma equilibrada.

Para garantir um desenvolvimento saudável na era digital, é essencial que pais e educadores se informem sobre os riscos e promovam um uso consciente e equilibrado das tecnologias. Consulte especialistas e recursos confiáveis para orientações personalizadas e eficazes.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

Deixe uma resposta

Seu endereço de e-mail não será publicado.Os campos obrigatórios são marcados *

*

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.