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Colômbia Sediará Conferência Internacional Crucial para Reduzir a Dependência de Combustíveis Fósseis

A cidade de Santa Marta, na Colômbia, é o palco da 1ª Conferência Internacional sobre Transição para Longe dos Combustíveis Fósseis, um encontro significativo que reúne representantes de aproximadamente 60 países, governos locais, povos indígenas, comunidades tradicionais, cientistas e diplomatas. O evento, promovido pelos governos da Colômbia e da Holanda, visa consolidar um "Mapa do Caminho" global para a transição energética, com o objetivo primordial de diminuir a dependência mundial de fontes energéticas fósseis.

Fórum Democrático para Acelerar a Descarbonização

Diferentemente de um órgão de negociação formal ou de uma substituição para a Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas (UNFCCC), a conferência em Santa Marta foi concebida como um espaço horizontal e democrático para aprofundar debates cruciais. A programação está estruturada em três eixos temáticos principais: a superação da dependência econômica de combustíveis fósseis, a transformação da oferta e da demanda de energia, e a promoção da cooperação internacional e da diplomacia climática.

Além dos diálogos setoriais, o encontro prevê o lançamento de um Painel Científico para Transição Energética e a formação de uma coalizão de países engajados em processos concretos de transformação. Essa coalizão buscará o intercâmbio de experiências e a implementação de iniciativas financeiras, fiscais e regulatórias em nível nacional. A Cúpula de Líderes, momento culminante dos debates, está agendada para os dias 28 e 29 de abril, encerrando a Plenária Geral da conferência.

O Mapa do Caminho: Uma Proposta Brasileira em Construção

Central para os objetivos da conferência, o "Mapa do Caminho para uma Transição Energética" é uma proposta de iniciativa brasileira que ganhou força no cenário global. Embora sua formalização esteja alinhada à 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), em Belém (PA), prevista para novembro de 2025, o processo de construção deste roteiro está em pleno desenvolvimento. Inicialmente apoiada por cerca de 80 países que reconheceram a necessidade de uma estratégia global para a descarbonização, a proposta busca agora consolidar suas diretrizes.

A presidência brasileira da COP, em um esforço colaborativo, lançou uma chamada pública internacional para contribuições, que se encerrou em 10 de abril, e agora analisa os subsídios recebidos. Decorridos alguns meses desde o início dessa etapa de construção, países como Austrália, Canadá, México, Noruega e União Europeia reafirmaram seu interesse no debate. Contudo, nações com grande peso na economia global de combustíveis fósseis, como Estados Unidos, China e Índia, optaram por não participar ativamente da iniciativa neste estágio.

A Voz da Sociedade Civil e o Papel Estratégico do Brasil

A mobilização social no Brasil em torno da proposta do Mapa do Caminho tem sido expressiva, com diversas organizações, desde povos indígenas até amplas redes institucionais, apresentando contribuições relevantes. Ricardo Fujii, especialista em Conservação do WWF-Brasil, destaca a oportunidade estratégica da delegação brasileira na Conferência de Santa Marta para fomentar consensos e transformar iniciativas globais em ações efetivas.

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Fujii ressalta que, em um cenário de instabilidade internacional, a liderança brasileira pode articular esforços formais e informais, fortalecendo a cooperação climática e oferecendo respostas concretas à sociedade. Mariana Andrade, coordenadora de Oceanos do Greenpeace Brasil, enfatiza a relevância simbólica de sediar a primeira conferência internacional sobre transição energética justa em um país amazônico, especialmente em um momento de alertas sobre a exploração de petróleo na Foz do Amazonas. Ela reforça a urgência para que os países presentes se comprometam a barrar a expansão da indústria fóssil na Amazônia, antes que os danos ambientais e sociais se tornem irreversíveis.

Perspectivas para um Futuro Descarbonizado

A Conferência de Santa Marta representa um passo importante na busca por soluções coletivas e estratégias robustas para afastar a economia global dos combustíveis fósseis. Ao promover um espaço de diálogo horizontal e reunir diversas vozes, desde governos e cientistas até comunidades tradicionais e organizações sociais, o encontro colombiano busca não apenas delinear um caminho, mas também catalisar a ação internacional. O engajamento contínuo e a concretização das propostas, como o Mapa do Caminho, serão cruciais para pavimentar a rota rumo a um futuro energético mais sustentável e equitativo para todos.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br