O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, recebeu nesta quinta-feira, 28 de agosto, o presidente do Panamá, José Raúl Mulino, em visita oficial ao Brasil. Em declaração à imprensa no Palácio do Planalto, Lula enfatizou que a agenda marca o recomeço de uma relação entre os países, com o fortalecimento dos laços de cooperação e amizade entre duas nações democráticas, multiculturais e ricas em biodiversidade. Ele também mencionou que a última visita de um presidente panamenho ocorreu em 2008.
“A vinda do presidente Mulino ao Brasil é o recomeço de uma nova relação entre Brasil e Panamá. Hoje, estreitamos laços de cooperação e amizade entre dois países democráticos, multiculturais e detentores de rica biodiversidade. Estamos fortalecendo os vínculos entre a maior economia e o principal centro logístico da América Latina e do Caribe. Reafirmamos o compromisso com o multilateralismo, o desenvolvimento sustentável e a integração regional”, afirmou Lula.
Durante sua declaração, Mulino defendeu a integração entre as nações e o fortalecimento do multilateralismo.
“Não existe nem poderá existir jamais um país que não dependa dos outros. É necessário que exista integração, trabalhar fortemente no multilateralismo, sobretudo, na nossa América, que hoje atravessa problemas difíceis, políticos, econômicos, entre outras áreas.”
Com uma população estimada em 4,5 milhões de habitantes, o Panamá foi o primeiro país da América Central a vincular-se ao MERCOSUL, na condição de estado associado. O país tem importância que transcende seu entorno imediato, devido à localização estratégica e infraestrutura aeroportuária.
MEIO AMBIENTE – Lula argumentou que Brasil e Panamá, guardiões de biodiversidade única, devem ser remunerados pelos serviços ambientais que prestam ao planeta. Nesse sentido, encorajou o Panamá a integrar-se ao Fundo Florestas Tropicais para Sempre, que será lançado na COP30, em novembro, em Belém (PA).
“Brasileiros e panamenhos são responsáveis pela imensa biodiversidade e merecem ser remunerados pelos serviços ambientais que prestam ao planeta. Por isso, encorajei o presidente Mulino a se somar ao Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF), que lançaremos na COP30. Como tenho dito, esta será a COP da verdade, a COP da virada, nossa última chance de evitar uma ruptura irreversível no clima global.”, afirmou o presidente brasileiro.
“Nós temos em comum com vocês os pulmões da América. Vocês na Amazônia e nós na Floresta de Darién. Nós precisamos preservá-los sempre, porque é a riqueza ecológica de todos os tipos, a fauna, a água. Temos que preservar o que está ali. Estarei na Cúpula de Belém. Conte com isso, porque esse assunto é muito importante para nós e a COP deve ser fortalecida e todos nós vamos fazer um esforço para ir a Belém”, declarou Mulino.
CANAL DO PANAMÁ – Durante a visita, foi assinado um memorando de entendimento de cooperação entre o Ministério dos Portos e Aeroportos (MPor) e a Autoridade do Canal do Panamá. O acordo tem como objetivo fortalecer a cooperação por meio do intercâmbio de experiências, transferência de informações sobre o funcionamento do Canal do Panamá, estudos sobre o uso de novas rotas para o transporte marítimo brasileiro e avaliação de rotas marítimas e fluviais mais sustentáveis.
O presidente Lula ressaltou que o Panamá, há mais de 25 anos, administra o corredor marítimo com eficiência e respeito à neutralidade, garantindo trânsito seguro a navios de todas as origens. O Brasil foi o 15º maior usuário do Canal do Panamá em 2024, com grande margem para o aumento desse fluxo.
“O Brasil apoia integralmente a soberania do Panamá sobre o Canal, conquistada após décadas de luta. Por isso decidimos nos somar ao tratado relativo à neutralidade permanente e ao funcionamento do Canal do Panamá, já subscrito por mais de 140 países. O acordo firmado entre o Ministério de Portos e Aeroportos e a Autoridade do Canal vai otimizar as exportações brasileiras e modernizar a operação de nossos portos”, registrou o presidente Lula.
Mulino também ressaltou a importância histórica do Canal do Panamá, lembrando que sua soberania foi conquistada após um século de negociações intensas.
“Não há dúvida alguma que a questão do Canal do Panamá nos afeta muito, porque é uma luta de um século que foi conseguida através de uma negociação na qual ambas partes se esforçaram e conseguimos alcançar a plena soberania do Canal”, disse Mulino.
COOPERAÇÃO – Em sua declaração, o presidente brasileiro ainda reforçou a importância das conexões aéreas ligando o Brasil ao Panamá e registrou o apoio à entrada do Panamá no FONPLATA, banco voltado à integração regional. No campo da cooperação tecnológica e industrial, o presidente cumprimentou o Panamá pela aquisição de quatro aeronaves A-29 Super Tucano da Embraer, que reforçarão a vigilância aérea do país. Na área da saúde, a Fiocruz ampliará a capacidade panamenha de produção de vacinas.
“São aeronaves de alta tecnologia que fortalecerão as atividades de monitoramento e vigilância do Serviço Nacional Aeronaval do Panamá. Também a Fiocruz vai ampliar a capacidade panamenha de produção de vacinas e contribuir para o estabelecimento de um polo farmacêutico regional”, disse Lula.
AGRICULTURA E PECUÁRIA – Durante o encontro, também foi assinado um memorando de entendimento para o desenvolvimento agrícola e pecuário fortalecendo a segurança alimentar e ampliando a competitividade dos sistema produtivos. O acordo abrange áreas como capacitação técnica, sanidade animal e vegetal, produção sustentável e inovação.
PARCEIRO COMERCIAL – Em 2024, o comércio bilateral entre os dois países atingiu US$ 934,1 milhões, fazendo do Panamá o maior parceiro comercial brasileiro na América Central. De janeiro a julho de 2025, o comércio entre os dois países alcançou US$ 899,2 milhões. As exportações brasileiras somaram US$ 890,2 milhões, enquanto as importações foram de US$ 9 milhões, o que resultou em um superávit brasileiro de US$ 881,2 milhões.
O Panamá ocupa também o 38º lugar entre os destinos das exportações brasileiras, que concentram-se em óleos combustíveis de petróleo ou de minerais betuminosos, medicamentos, máquinas de processamento automático de dados, motores e máquinas não elétricos, veículos de passageiros, entre outros. O Brasil importa do país panamenho, sobretudo, resíduos de metais de base não ferrosos e de sucata, instrumentos e aparelhos de medição, verificação, análise e controle, máquinas e aparelhos elétricos, equipamentos de telecomunicações e matérias brutas de animais.
Fonte: GOV.BR
Foto: Ricardo Stuckert / PR
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