A descoberta de uma bebê abandonada em Guariba, no interior de São Paulo, na última terça-feira (24), causou comoção e acendeu um alerta sobre a vulnerabilidade infantil. O cenário inicial era de perplexidade: um morador local, ao investigar o que pensou serem filhotes de gato em um saco plástico descartado em uma lixeira, deparou-se com uma recém-nascida ainda com parte do cordão umbilical. O choque da revelação rapidamente mobilizou a comunidade e as autoridades, que agiram para resgatar a criança e iniciar as investigações. Em menos de 24 horas, a Polícia Civil de Guariba identificou a mãe, uma adolescente de 16 anos, que confessou ter escondido a gravidez dos familiares e dado à luz em casa antes de abandonar a menina. A bebê, por sua vez, foi prontamente socorrida e encontra-se em estado de saúde estável na Santa Casa de Guariba, recebendo todos os cuidados necessários.
A descoberta chocante em Guariba
A tarde da última terça-feira (24) em Guariba, no bairro Cohab I, na Rua Matão, foi marcada por um episódio que abalou a tranquilidade da comunidade. O aposentado Antonio Venturin fazia suas atividades rotineiras quando notou algo incomum em uma lixeira pública. Um saco plástico, que parecia conter pequenos animais, chamou sua atenção. A princípio, ele imaginou que alguém tivesse abandonado filhotes de gato ou outros bichos de pequeno porte, uma situação triste, mas, infelizmente, não inédita.
Ao se aproximar e mexer no saco, a realidade se revelou muito mais grave e desoladora. “Tinha um plástico, e ele mexeu. Aqui tem uns animaizinhos pequenos, falei: ‘será que puseram uns animaizinhos na lixeira? Vou tirar'”, relatou Antonio, descrevendo os momentos iniciais de sua descoberta. Contudo, ao erguer o volume, a surpresa se transformou em espanto e desespero: “Conforme eu ergui, que eu vi, falei: ‘nossa, um nenezinho bem pequenininho'”. A criança, viva, ainda trazia consigo parte do cordão umbilical, indicando um nascimento recente e precipitado.
O resgate e os primeiros socorros
Diante da chocante descoberta, Antonio Venturin não hesitou em buscar ajuda. Ele imediatamente chamou a dona da casa onde a lixeira estava próxima, Vera Lúcia Cavalari. A reação de Vera foi instantânea e movida pela urgência da situação. Ao constatar que era, de fato, uma recém-nascida, e percebendo que a criança ainda estava com o cordão umbilical, ela agiu com presteza e humanidade.
“Peguei essa criança, porque estava com cordão umbilical. Corri para dentro, peguei uma toalha, enrolei bem enroladinho. Naquele desespero, falei: ‘alguém me ajuda'”, narrou Vera Lúcia. O pânico inicial rapidamente deu lugar à ação. O marido de Vera também se mobilizou, e vizinhos foram acionados para auxiliar no socorro à bebê. Em uma demonstração de solidariedade, a criança foi levada às pressas para a Santa Casa de Guariba em um carro particular, garantindo que recebesse atendimento médico o mais rápido possível. Essa rápida resposta da comunidade foi crucial para a sobrevida da recém-nascida.
A investigação policial e o drama da mãe adolescente
Após o resgate e o encaminhamento da bebê ao hospital, a Polícia Civil de Guariba iniciou uma investigação imediata para identificar os responsáveis pelo abandono. A gravidade do caso, enquadrado como abandono de incapaz, exigiu uma ação rápida e minuciosa. Em menos de 24 horas, na quarta-feira (25), a equipe policial conseguiu identificar a mãe da recém-nascida. Tratava-se de uma adolescente de apenas 16 anos.
Durante o depoimento à polícia, a jovem revelou o drama pessoal por trás do abandono. Ela contou que escondeu a gravidez de sua família, incluindo a mãe e o padrasto, ao longo de toda a gestação. A adolescente detalhou que descobriu estar grávida entre novembro e dezembro do ano anterior e, por medo e insegurança, optou por não compartilhar a informação com ninguém. No dia da descoberta, sentindo fortes dores que indicavam o fim da gestação, ela provocou o nascimento da criança em casa, sozinha, no banheiro. A menina nasceu e a adolescente, sem saber como agir e em pânico, cortou o cordão umbilical.
“Ela nos contou que, em meados de novembro e dezembro do ano passado, ela descobriu a gravidez, foi tocando essa gravidez sem que a mãe e o padrasto tivessem conhecimento, ela conseguiu esconder”, explicou um dos investigadores. “Na data de ontem, sentindo fortes dores, que já estava no finalzinho da gestação, ela provocou o nascimento dessa criança. Na casa dela, no momento em que ela percebeu e forçou o nascimento da criança, com medo de que algo grave acontecesse, só estavam ela e um irmãozinho de 10 anos, ela foi sozinha ao banheiro, cortou o cordão umbilical depois de nascido. Sem saber o que fazer, limpou a criança, envolveu a criança em uma manta, colocou em uma caixa e colocou sobre o suporte de lixo”, completou a autoridade policial, descrevendo o doloroso relato da jovem.
A adolescente também mencionou que o pai da criança, fruto de um relacionamento consensual, não tinha conhecimento da gravidez. O caso segue sob investigação na Delegacia de Polícia de Guariba, com as autoridades analisando as circunstâncias e as medidas a serem tomadas em relação à mãe e ao futuro da criança.
O estado de saúde da recém-nascida
A recém-nascida, uma menina, chegou à Santa Casa de Guariba em condições delicadas, mas com sinais vitais. A equipe médica agiu rapidamente, fornecendo os primeiros atendimentos urgentes. Após avaliação clínica detalhada, foi constatado que a bebê não apresentava sinais de agressão ou ferimentos externos aparentes, o que trouxe um certo alívio em meio à tragédia.
A Santa Casa de Guariba informou que a bebê recebeu todos os cuidados essenciais a um recém-nascido, incluindo higiene, aquecimento e alimentação. Ela permanece internada, sob observação constante, e seu estado de saúde é considerado estável. Os profissionais de saúde estão monitorando-a de perto para garantir sua plena recuperação e desenvolvimento inicial. A instituição aguarda a apresentação de algum familiar, ou a determinação judicial e dos órgãos de proteção à criança e ao adolescente, para que a menina possa receber alta médica em segurança e ser encaminhada para um ambiente adequado e protetor.
As implicações legais e o futuro da criança
O caso de abandono da recém-nascida em Guariba levanta uma série de questões legais e sociais complexas. O registro policial classifica a ocorrência como abandono de incapaz, um crime grave previsto no Código Penal Brasileiro. As investigações estão em andamento para apurar todos os detalhes e circunstâncias que levaram ao abandono, bem como para determinar a responsabilidade legal da mãe adolescente. A polícia não divulgou se a jovem já foi ouvida formalmente nem quais medidas específicas serão adotadas.
Além da esfera criminal, o futuro da bebê é uma preocupação central. Uma vez que não há um responsável legal evidente ou disponível para cuidar dela, os órgãos de proteção à criança e ao adolescente, como o Conselho Tutelar e a Vara da Infância e Juventude, serão acionados. Essas instituições têm a responsabilidade de garantir os direitos da criança, incluindo o direito a um lar seguro e amoroso. A bebê poderá ser encaminhada para um abrigo temporário, e um processo de acolhimento institucional ou familiar será iniciado, visando sua proteção e, eventualmente, sua colocação em uma família substituta, seja por guarda, tutela ou adoção, caso a família biológica não tenha condições de reassumir a responsabilidade ou não seja localizada. O caso serve como um lembrete doloroso da importância de redes de apoio para gestantes em situação de vulnerabilidade e da necessidade de políticas públicas eficazes para prevenir o abandono infantil.
FAQ
Qual o estado de saúde atual da bebê encontrada em Guariba?
A bebê foi prontamente socorrida e está internada na Santa Casa de Guariba. Seu estado de saúde é considerado estável, e ela não apresenta sinais de agressão ou ferimentos externos aparentes. Ela está recebendo todos os cuidados necessários a um recém-nascido.
A mãe da bebê será processada pelo abandono?
O caso foi registrado como abandono de incapaz, um crime previsto no Código Penal. A Polícia Civil de Guariba está investigando as circunstâncias. Como a mãe é uma adolescente de 16 anos, o processo legal envolverá o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), que prevê medidas socioeducativas, e a Justiça poderá determinar as responsabilidades e consequências legais apropriadas.
O que acontecerá com a bebê se a família não puder ou não quiser cuidar dela?
Caso a família biológica não tenha condições ou não se apresente para assumir a guarda da bebê, os órgãos de proteção à criança e ao adolescente, como o Conselho Tutelar e a Vara da Infância e Juventude, serão acionados. A bebê poderá ser encaminhada para um abrigo e, posteriormente, um processo de colocação em família substituta (adoção, guarda ou tutela) poderá ser iniciado, garantindo seu direito a um lar seguro e acolhedor.
Se você conhece ou suspeita de casos de abandono ou negligência infantil, não hesite em procurar ajuda junto ao Conselho Tutelar de sua cidade ou disque 100.
Fonte: https://g1.globo.com
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