Um recente levantamento sobre a situação mundial da educação revelou um cenário alarmante: 273 milhões de crianças, adolescentes e jovens estão atualmente fora da escola em todo o mundo. Este número representa um preocupante aumento de 3% desde 2015, revertendo a tendência de queda de 33% observada entre 2000 e 2015. Em termos práticos, uma em cada seis pessoas nessas faixas etárias está excluída do sistema educacional global. Além disso, análises aprofundadas indicam que apenas dois terços dos jovens conseguem concluir a educação secundária. Os principais fatores apontados para essa regressão na exclusão educacional incluem o crescimento populacional, a proliferação de crises humanitárias e conflitos, e a redução de orçamentos destinados à educação. A urgência de abordar essa questão é inegável, à medida que a comunidade global se aproxima de importantes metas de desenvolvimento sustentável.
O cenário preocupante da exclusão educacional
Reversão do progresso e fatores determinantes
A análise global mais recente sobre a educação revela uma reviravolta no progresso educacional. Após uma redução significativa de 33% no número de crianças e jovens fora da escola entre 2000 e 2015, a curva inverteu-se. Pelo sétimo ano consecutivo, a população excluída da educação tem crescido, atingindo a marca de 273 milhões em 2024, um aumento de 3% desde 2015. Essa estatística alarmante significa que uma em cada seis crianças, adolescentes e jovens em idade escolar não está tendo acesso à educação, fundamental para o desenvolvimento individual e social.
Outra constatação crucial é que a conclusão da educação secundária ainda é um desafio substancial, com apenas dois terços dos jovens em todo o mundo conseguindo atingir esse marco. Os especialistas identificaram três fatores preponderantes para essa regressão: o crescimento demográfico acelerado, a crescente frequência e intensidade de crises globais — incluindo conflitos armados e desastres naturais — e a consequente redução de orçamentos dedicados à educação em muitos países.
Há uma preocupação adicional de que os números oficiais possam subestimar a real extensão do problema. Estimativas sugerem que a população jovem fora da escola pode ser maior em pelo menos 13 milhões, se forem consideradas informações suplementares de fontes humanitárias, que preenchem lacunas de dados em dez países gravemente afetados por conflitos. Este levantamento marca o início de uma série intitulada “Contagem Regressiva para 2030”, composta por três partes. A iniciativa visa a avaliar sistematicamente o progresso da educação nos próximos anos, focando em acesso e equidade (2026), qualidade e aprendizagem (2027), e relevância (2028-2029), com o objetivo de guiar políticas rumo às metas de desenvolvimento sustentável.
Progresso e desafios no acesso e permanência escolar
Expansão das matrículas em diferentes níveis
Apesar do aumento da exclusão educacional em certas faixas, o cenário global também apresenta um notável crescimento nas matrículas. Em 2024, foram contabilizados 1,4 bilhão de estudantes matriculados, refletindo um aumento de 327 milhões (30%) no ensino primário e secundário desde o ano 2000. Este avanço se estendeu a outros níveis educacionais, com um aumento de 45% na pré-escola e impressionantes 161% no ensino pós-secundário (superior). Isso equivale a mais de 25 crianças obtendo acesso à escola a cada minuto.
Exemplos específicos ilustram o impacto dessas políticas de expansão. A Etiópia, por exemplo, viu sua taxa de matrícula no ensino primário saltar de 18% em 1974 para 84% em 2024. Similarmente, a China expandiu o acesso ao ensino superior em um ritmo sem precedentes, passando de 7% em 1999 para mais de 60% em 2024, demonstrando o potencial de investimento e planejamento estratégico na área da educação.
Educação pré-primária e permanência na escola
A avaliação sobre a educação pré-primária foca em crianças de 5 anos em sala de aula. Embora o indicador global aponte que 75% das crianças dessa idade têm acesso à educação, dados mais detalhados revelam que apenas 60% dos alunos do ensino fundamental tiveram ao menos um ano de educação pré-primária. Essa disparidade pode sugerir um sucesso irreal na educação infantil, ao incluir crianças que “pularam” essa etapa e foram diretamente para o ensino fundamental.
Em relação à permanência na escola, o progresso tem desacelerado em quase todas as regiões desde 2015. A África Subsaariana é uma área de destaque negativo, onde o crescimento populacional tem exacerbado os desafios. Diversas crises, especialmente os conflitos armados, também comprometeram os avanços obtidos. O Oriente Médio é outra região apontada pelo levantamento com milhões de crianças fora das salas de aula e sob maior risco de atraso educacional, em grande parte devido a conflitos que forçaram o fechamento de muitas escolas. Conforme especialistas, mais de uma em cada seis crianças vive em áreas afetadas por conflitos, um número que eleva significativamente a contagem de excluídos da escola.
No entanto, o progresso não parou em todos os lugares. Alguns países conseguiram reduzir suas taxas de evasão em pelo menos 80% desde 2000. Casos como Madagascar e Togo (entre crianças), Marrocos e Vietnã (entre adolescentes), e Geórgia e Turquia (entre jovens) demonstram que a reversão é possível. A Costa do Marfim, por sua vez, reduziu pela metade suas taxas de exclusão nas três faixas etárias no mesmo período. Outras comparações notáveis incluem o México, que reduziu as taxas de evasão em mais de 20 pontos percentuais acima de El Salvador; Serra Leoa, que aumentou as taxas de conclusão do primário 22 pontos a mais que a Libéria; e o Iraque, que superou a Argélia em 10 pontos na taxa de conclusão do ensino médio.
Qualidade, equidade e financiamento na jornada educacional
Conclusão, repetência e o ODS 4
Observa-se um aumento significativo no número de crianças que não apenas iniciam, mas também concluem suas jornadas educacionais. Desde 2000, as taxas de conclusão escolar subiram de 77% para 88% no ensino primário, de 60% para 78% no final do ensino fundamental (Fundamental II) e de 37% para 61% no ensino médio. O ritmo de crescimento, no ensino médio, tem sido de um ponto percentual por ano desde 2000. Contudo, nas taxas atuais de expansão, a universalização de 95% de conclusão do ensino médio só seria alcançada em 2105, o que destaca a lentidão do progresso em relação às metas globais.
As altas taxas de repetência, por outro lado, caíram desde 2000, em 62% no primário e em 38% no ensino médio inferior. Apesar disso, muitas crianças ainda se matriculam tarde na escola e repetem anos em países de baixa e média-baixa renda, resultando em conclusões de ciclos com vários anos de atraso. A lacuna entre a conclusão “no tempo certo” (dentro de três a cinco anos da idade oficial de formatura) e a conclusão “final” (mesmo que tardia) no ensino médio inferior é de quatro pontos percentuais globalmente, mas chega a nove pontos em países de baixa renda, uma diferença que tem crescido desde 2005.
Este contexto é crucial para o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 4 (ODS 4) da Agenda 2030 das Nações Unidas, que visa a garantir, até 2030, que todas as meninas e meninos concluam o ensino primário e secundário gratuito, equitativo e de qualidade. Desde 2022, 80% dos países comunicaram metas nacionais para pelo menos alguns dos oito indicadores do ODS 4, demonstrando um compromisso crescente com a universalização da educação.
Equidade, inclusão e o papel do financiamento
Na análise da educação mundial, as disparidades de gênero no ensino primário e secundário foram significativamente reduzidas na média global. No Nepal, por exemplo, meninas rapidamente alcançaram e, em algumas regiões, superaram os meninos, um reflexo de reformas sustentadas em favor da igualdade de gênero. A educação inclusiva também tem ganhado terreno: a proporção de países com leis de educação inclusiva aumentou de 1% para 24% desde 2000, enquanto aqueles que incluem em suas leis o ensino inclusivo para crianças com deficiência cresceu de 17% para 29%. A definição de educação inclusiva foi adotada por 84% dos países em 2025 (contra 68% em 2020), e a parcela de países cuja definição vai além da deficiência aumentou de 51% para 69%. Em 158 países, a proporção de pessoas com 12 anos de escolaridade obrigatória aumentou de 8% para 26% entre 1998 e 2023; em 130 países, a duração média da educação gratuita passou de 10 para 10,8 anos.
O financiamento desempenha um papel vital. A proporção de países que utilizam mecanismos financeiros para beneficiar populações desfavorecidas no ensino fundamental e médio — como transferências para governos subnacionais, para escolas e para alunos e famílias — aumentou de quatro a seis vezes nos últimos 25 anos. Programas de merenda escolar, que já tinham uma base sólida, dobraram de tamanho. Na educação pré-primária, 54% dos países transferem recursos para instituições que atendem crianças desfavorecidas, 26% transferem recursos para as famílias por meio do Ministério da Educação e 55% via outros ministérios. No ensino superior, um terço dos países não cobra mensalidades em universidades públicas, quase metade subsidia o alojamento estudantil, quatro em cada dez apoiam o transporte e pouco menos de três em cada dez subsidiam livros didáticos.
Recomendações para o futuro da educação global
Fortalecendo metas, dados e políticas
Com a proximidade do prazo de 2030 para o cumprimento do ODS 4, é crucial que os países incorporem os processos de definição de metas de forma mais consistente em seus planejamentos e orçamentos nacionais. Isso deve ser feito com base nas taxas de progresso anteriores e nas experiências bem-sucedidas de outras nações. É igualmente importante que essas metas sejam comunicadas de forma mais eficaz internamente, garantindo alinhamento e engajamento de todas as partes interessadas.
É defendido um uso mais eficiente dos dados disponíveis em pesquisas e censos para monitorar a participação e a equidade na educação, permitindo uma compreensão mais profunda dos desafios e lacunas. Para a formulação de políticas públicas, ressalta-se a necessidade de aprimorar o monitoramento da educação por meio da produção de estatísticas Além disso, as próprias políticas precisam ser monitoradas quanto à sua implementação e eficácia, e não apenas seus resultados e impactos.
Organismos internacionais valorizam os intercâmbios entre países para gerar novas ideias e soluções, mas alertam que as experiências estrangeiras devem ser cuidadosamente analisadas e adaptadas à realidade local de cada nação. O desenvolvimento de políticas educacionais deve ser pautado pela equidade, e os resultados devem ser rigorosamente avaliados para garantir que as intervenções estejam gerando o impacto desejado.
Perguntas frequentes
Qual é o número atual de crianças, adolescentes e jovens fora da escola em todo o mundo?
Atualmente, 273 milhões de crianças, adolescentes e jovens estão fora da escola em todo o mundo, representando um em cada seis indivíduos nessa faixa etária.
Quais são os principais fatores que contribuem para o aumento da população fora da escola?
Os principais fatores incluem o crescimento populacional, a ocorrência de crises (especialmente conflitos) e a redução de orçamentos destinados à educação.
Como tem evoluído o acesso à educação em diferentes níveis desde 2000?
As matrículas aumentaram em 327 milhões no ensino primário e secundário desde 2000. Houve um crescimento de 45% na pré-escola e 161% no ensino pós-secundário (superior).
Qual é o significado do ODS 4 para a educação global?
O Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 4 (ODS 4) visa a garantir, até 2030, que todas as meninas e meninos concluam o ensino primário e secundário gratuito, equitativo e de qualidade, servindo como uma meta central para o progresso educacional global.
Quais são as principais recomendações para melhorar o cenário da educação global?
As recomendações incluem integrar metas educacionais em planejamentos nacionais, usar dados de forma mais eficiente, aprimorar o monitoramento de políticas e resultados, valorizar intercâmbios internacionais adaptados a contextos locais, e pautar o desenvolvimento de políticas pela equidade.
A compreensão e o engajamento com esses dados são cruciais para reverter a tendência atual. Para aprofundar seu conhecimento sobre os desafios e progressos da educação global, explore mais análises e relatórios especializados.
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